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Pesquisadora do IAPAR recebe prêmio nacional

A pesquisadora Vania Moda Cirino, do IAPAR, recebe neste domingo (28) o Prêmio Destaque Feminino em Melhoramento de Plantas em Águas de Lindoia, São Paulo. Ela foi escolhida pela Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP) entre pesquisadoras de todo o país. Cirino ocupa atualmente os postos de assessora da diretoria de Pesquisa e diretora de Inovação e Transferência de Tecnologia do IAPAR.

De acordo com o presidente da SBMP, José Baldin Pinheiro, a escolha se baseou na valiosa contribuição da pesquisadora às Ciências Agrárias, principalmente no melhoramento genético da cultura do feijão. “Além do desenvolvimento de variedades, muitas das quais registradas no Ministério da Agricultura, Vania tem prestado grande contribuição na formação e treinamento de recursos humanos qualificados”, destaca Pinheiro.

A diretora do Iapar é professora permanente do mestrado em Agricultura Conservacionista do IAPAR e orientadora do programa de iniciação científica da instituição. “A contribuição da pesquisadora para a produção científica é incontestável, sendo referência nacional e internacional”, ressaltou Pinheiro.

O presidente da SBMP também destacou a atuação de Cirino em outras instâncias. Segundo ele, como pesquisadora a atuação em órgãos normativos e auxiliares, a exemplo da CTNBio, tem sido fundamental para o desenvolvimento do setor agrícola brasileiro. CTNBio é um grupo multidisciplinar, integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, que presta apoio técnico e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa a organismos geneticamente modificados (exemplo: transgênicos).

MULHERES NA CIÊNCIA – O Prêmio está sendo oferecido pela primeira vez pela SBMP para reforçar a importância da presença das mulheres no espaço da ciência. Conforme o presidente da entidade, na área de Ciências Agrárias 74% dos pesquisadores são homens, enquanto as mulheres somam 36%. “Buscamos dessa forma apoiar iniciativas que levem à mudança das estruturas sociais responsáveis pela desigualdade entre homens e mulheres no campo da educação e da ciência”, explica Pinheiro.

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Para Vania Cirino, receber o prêmio é um reconhecimento por todo o empenho e dedicação à pesquisa por mais de 40 anos. “Desde 1975 quando estava na graduação em Agronomia na USP/Esalq, eu pesquisava melhoramento genético de plantas”, recorda Cirino. Para ela, é uma grande alegria receber um Prêmio de nível nacional de uma entidade representativa como a SBMP.

Ao longo de 33 anos de atuação no Iapar, Cirino participou da autoria de 27 cultivares de feijão, sendo a responsável técnica pela obtenção de 23 cultivares. Uma das variedades criadas por ela é a IPR Uirapuru de feijão preto, que foi lançada há 19 anos e continua como uma das mais cultivadas em todo o Brasil. Ela destaca que as variedades que ajudou a desenvolver já cruzaram as fronteiras brasileiras. “Existe feijão do IAPAR na América Latina e até no leste europeu”.

A pesquisadora já recebeu outros prêmios pela alta qualidade técnica do trabalho de pesquisa. Em 2007 foi agraciada com o Destaque Tecnológico – Prêmio Banco do Brasil na categoria Pesquisa, e em 2009 recebeu o Trofeu Glaici Zancan de Mulheres na Ciência da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Paraná.

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PERFIL – Vania Moda Cirino é engenheira-agrônoma formada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP), onde também cursou mestrado e doutorado na área de genética e melhoramento de plantas. Fez ainda pós-doutorado no Istituto di Radiobiochimica Ed Ecofisiologia Vegetali, em Roma, vinculado ao Consiglio Nazionale Delle Ricercha, da Itália.

Ingressou no IAPAR em 1986, na área de genética e melhoramento de plantas. Desde então, foi responsável técnica pelo desenvolvimento de 27 cultivares de feijão. Muitos desses materiais extrapolaram as fronteiras do Paraná e são cultivados em várias regiões produtoras do Brasil e também no exterior.

O trabalho da pesquisadora se destaca também na formação de novos pesquisadores. Ela é docente do Mestrado em Agricultura Conservacionista do IAPAR e colaboradora em programas de pós-graduação de outros centros de ensino, orientando estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado. Publica regularmente artigos em periódicos, reuniões científicas e congressos, além de livros e boletins técnicos.

Ao longo da carreira, Vania Moda Cirino tem ainda atuado como membro de órgãos colegiados em diversos níveis, como a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e o Comitê Técnico-Científico do IAPAR.

Agrolink

 

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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