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Cultivo de uvas aumenta em MT e fomenta agricultura familiar no estado

Cultivo de uvas em Mato Grosso — Foto: Reprodução/ Vinícola Casa Geraldo

O consumo da uva aumenta consideravelmente nas festas de fim de ano, já que nessa época tem muita gente que usa a fruta seca nas receitas.

Em Mato Grosso a produção de uva ainda é pequena. Produtores cultivam de forma isolada, independente. Mantêm parreirais na região Sudeste, em municípios como Campo Verde, Primavera do Leste, São Pedro da Cipa, e ainda no Norte do estado, como em Nova Mutum, Sinop e Itaúba.

A produção geralmente é usada para sucos ou vendida como fruta no comércio local. Mas o interesse pelo cultivo da uva aumenta a cada ano e as possibilidades de renda, também.

Josefer Cadore é médico em Itaúba e entusiasta no cultivo de uvas, até porque é uma tradição que ele traz da família, de origem sulista. Atualmente ele tem 106 pés de uva, de 10 variedades diferentes. Os primeiros pés foram cultivados há mais ou menos 5 anos, mas como ele mesmo afirma, quebrou cabeça até encontrar variedades adaptadas para o solo e o clima do nosso estado.

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O conhecimento auxiliou muito o produtor. Há dois anos ele participou de um curso com pesquisadores da Embrapa, onde encontrou as melhores opções para plantar em Mato Grosso. Antes, alguns pés rendiam de 3kg a 5kg de uva. Hoje, ele tem pés na propriedade que produzem até 20kg.

Segundo o pesquisador da Embrapa João Carlos Taffarel, a produção vem crescendo no estado.

“O desenvolvimento da produção no estado de Mato Grosso vem crescendo nos últimos anos, graças ao trabalho e ao esforço de alguns produtores entusiastas que trabalham com uvas. Eles estão trazendo novas variedades e a Embrapa vem trazendo adaptações distintas, de diferentes regiões, nós estamos conseguindo produzir uvas, principalmente na região norte do estado, que não é tradicional de produção de uvas e, com isso, dando oportunidades a pequenos produtores”.

No estado, o quilo da uva é vendido entre R$ 8 e R$ 12. O preço muda de acordo com a variedade da fruta. Geralmente, a uva consumida em Mato Grosso vem de outros estados, principalmente do Sul do país.

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No caso do Josefer, a produção não é vendida. Ele consome, fornece para os amigos, parentes, faz suco e também a uva-passa, aquele ingrediente muito usado nas receitas natalinas.

G1 MT

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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