Agro Notícias
Paralisações em frigoríficos causam preocupações em produtores
A notícia de que plantas frigoríficas seriam paralisadas temporariamente e até definitivamente, tiraram o sono dos pecuaristas durante a semana passada. Segundo informações, frigoríficos estariam dando férias coletivas e até mesmo, fechando definitivamente, determinadas plantas.
A justificativa estaria na falta de animais para compor escalas de abate e desaquecimento da demanda interna por carne bovina, demanda essa responsável por cerca de 65% do consumo de carne produzida.
As plantas indicadas para a paralisação seriam: Nova Andradina (MS); Pontes e Lacerda (MT), Colíder (MT), Alta Floresta (MT); Redenção (PA) e Tucumã (PA). Conforme informado, a única planta que está definitivamente paralisada é a de Nova Monte Verde, em Mato Grosso
Associação de Criadores do Estado do MT, em nota pública, esclarece:
Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) vem a público manifestar sua preocupação com o atual momento pelo qual passa a pecuária mato-grossense, principalmente em relação ao abate feito pelos grandes frigoríficos. Estes vêm rotineiramente alargando suas escalas, determinando férias coletivas e até o fechamento de muitas plantas, sendo várias delas únicas em suas regiões.
Essa situação tem promovido transtornos e prejuízos incalculáveis aos produtores, principalmente os registrados nos últimos dias quando, coincidentemente, os frigoríficos promoveram quase que simultaneamente a extensão de suas escalas, baixando os valores da arroba do boi.
Sabemos da situação econômica pela qual passa a população brasileira, com perda de poder aquisitivo, mas acreditamos que muitas ações podem ser realizadas, inclusive pelo Governo de Mato Grosso, por meio da redução temporária das alíquotas do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias (ICMS).
A Acrimat está acompanhando essas ações e à disposição para discutir quaisquer sugestões para a melhoria de toda a cadeia produtiva da carne.
Analistas de mercado, falam em uma possível manobra da indústria frigorífica para tentar reduzir o preço da @, já que a previsão do consumo de carne é aumentar neste 2° semestre de 2022, devido a datas comemorativas, como dia dos pais e até mesmo a copa do mundo de futebol que, historicamente, há um aumento no consumo de proteína animal, bem como, a forte demanda de exportações. O que contradiz o cenário que explicaria o motivo de as plantas fecharem por falta de animais para abate.
Em nota o Sindifrigo, comunica que, vários fatores podem estar ligados a essa decisão por parte da indústria de priorizar o fornecimento de carnes para o mercado externo:
É necessária uma visão macro e externa do setor para se encontrar respostas razoáveis para as seguintes questões:
– Houve o ingresso do Brasil em novos mercados;
– A valorização significativa do produto inibiu o mercado interno;
– O ciclo anterior da pecuária diminuiu a oferta de animais;
– O ciclo atual da pecuária trouxe maior oferta de gado;
– Há um custo elevado da alimentação e do manejo;
– Existe uma significativa diferença entre a indústria exportadora e as que detém apenas o mercado interno;
– Ocorre uma diferença monstruosa de mercados que se reflete em diferentes preços para a mesma arroba;
A valorização nominal do quilo do boi ou da carne não correspondem necessariamente à obtenção de margem da atividade nem para o pecuarista tão pouco para a indústria.
Neste universo há um desequilíbrio perigoso em toda cadeia, assim como existem produtores ganhando e perdendo, existem também indústrias neste mesmo contexto.
Como conhecedores dos números, percebemos empresas acumulando prejuízos há meses e não nos cabe intervir em suas tomadas de decisões quanto à maneira de estancar estes prejuízos.
Para cada unidade frigorífica existem milhões investidos, altos valores em fluxo de caixa, seres humanos envolvidos e uma responsabilidade social e econômica daqueles que dirigem esta indústria.
Fechar uma indústria lucrativa seria insano. Manter uma planta aberta por muitos meses com prejuízo seria irresponsabilidade.
E concluí:
Se neste momento a indústria responsável busca alternativas, ainda que a custos altos de adequação de mercado, não podemos de forma alguma pré-julgá-la ou acusá-la.
Segundo consultorias especializadas, as informações sobre a que a falta de gado para abate e enfraquecimento do consumo do mercado interno parece precipitada, já que, as escalas dos frigoríficos bateram recorde nesta entressafra, estando preenchidas em até 12 dias úteis, quanto a queda no consumo interno, as expectativas para os últimos meses do ano é de aumento no consumo, tendo em vista datas comemorativas como dia dos pais, feriados e período de fim de ano, eventos festivos como a copa do mundo que historicamente alavanca um consumo maior de carne vermelha além do período de eleições que também historicamente, há uma maior injeção de capital na economia, consequentemente, eleva o consumo de carne brasileiro.
Fonte: AgroPlus
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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