Agro Notícias
Ex-instrutor do SENAR-PR usa conhecimento da sala de aula para produzir cachaça premiada
À beira da rodovia que liga a PR 483 a Manfrinópolis, no Sudoeste do Paraná, Juan Artigas Souza recebe entusiasmado os clientes que vão em busca das cachaças Velho Juan. O mestre cachaceiro fluente não poupa detalhes dos seus diferenciais de produção, explica como funciona o alambique e a produção da cana-de-açúcar, em terras próximas à fábrica. Mas essa habilidade para transitar confortavelmente no universo dos destilados é uma novidade, considerando sua trajetória profissional. Até um tempo atrás, o homem de boina estilo uruguaia emprestava sua fala bem articulada para os cursos do SENAR-PR – entre outros cargos, já foi secretário de Agricultura em Francisco Beltrão.
A ideia de produzir cachaça na região, inclusive, surgiu quando Artigas era chefe da pasta municipal, nos anos 2000. Em um projeto que unia SENAR-PR, Sebrae-PR e Emater para associar produtores da região em uma cooperativa, legalizar os alambiques e criar uma marca com padrão de qualidade, ele conseguiu angariar mais de 30 sócios. Com o passar do tempo e as dificuldades de comercialização, os parceiros foram abandonando a atividade. Artigas, no entanto, se manteve firme. Buscou conhecimento em Minas Gerais, investiu na estrutura e obteve as licenças sanitárias. Hoje, é um dos poucos produtores que mantém a produção na região.
“Sempre fui um apreciador da bebida, mas naquele instante que comecei a trabalhar para incentivar produtores da região que tive a ideia de montar um alambique próprio. Nessa época, passei a me dedicar, vi o processo como um todo, fizemos viagens a Minas Gerais e me empolguei com a ideia”, lembra Artigas.
Com o passar do tempo, o mestre cachaceiro aprimorou seu produto. Nesse processo, ganhou competições nacionais, como a medalha de ouro no primeiro concurso paranaense de cachaças, do Sebrae-PR, em 2010. Também teve a premiação máxima no
ranking Bom Gourmet, do jornal Gazeta do Povo. O ponto alto ocorreu em 2014, quando a marca obteve o primeiro lugar no “Concours Mondial Spirits Selection”.
“Não participamos todos os anos dos concursos, até pelo custo. A ideia é, a partir de agora, participar anualmente. Isso ajuda na divulgação, dá visibilidade e facilita as vendas. Depois que saiu o resultado, apreciadores de longe, até de Pernambuco, nos ligaram porque queriam provar a cachaça”, conta o mestre cachaceiro, orgulhoso do seu produto.
Recentemente, a marca da cachaça passou por uma reformulação visual e até mesmo no nome para marcar o aniversário de 10 anos da marca Don Juan (antes, o alambique teve outras marcas, sendo a mais conhecida do Sudoeste). A ideia foi homenagear o pai do mestre cachaceiro, um uruguaio que se dedicou ao comércio e que tinha o mesmo nome. Como já existia uma marca de cachaça chamada Don Juan, a solução foi criar então a Velho Juan. Atualmente, no portfólio da empresa há nove opções, que incluem produtos como a prata (que não passa pelo processo de armazenamento em recipientes de madeira) e as envelhecidas em barris de amburana, cabriúva, grápia, carvalho e castanheira.

Expansão
O alambique da Velho Juan foi projetado para produzir até 120 mil litros por ano. A capacidade instalada hoje permite chegar aos 60 mil litros, mas a produção tem girado em torno de 40 mil litros. “Nosso grande desafio é a comercialização. A cachaça não tem um giro tão grande, pois quem aprecia cachaça costuma ter várias garrafas de diferentes
marcas em casa. Então acaba demorando para comprar outra garrafa. Hoje, as vendas são concentradas dentro do Paraná, em lojas de conveniência, distribuidoras de bebidas e alguns mercados menores. Também mandamos para fora do Paraná, principalmente São Paulo. Temos um produto diferenciado, premiado, mas com consumo restrito”, revela o mestre cachaceiro.
Além disso, o Brasil é o único país no mundo que consome amplamente a cachaça. Por isso, na visão de Artigas, é preciso que o produto caia nas graças de apreciadores de destilados de outros países. Antes da pandemia, o processo para vender a Velho Juan no exterior estava avançado, mas os planos foram adiados.
“Estamos trabalhando para exportar, porque seria a grande saída. O consumo de cachaça no mundo ainda é baixo. É necessário um trabalho para a bebida ficar mais conhecida. No momento em que conseguirmos isso, já estamos organizados para poder atender a demanda”, projeta Artigas.
O mestre cachaceiro revela que usa só o coração da destilação (descartando a cabeça e a cauda) da bebida que sai do alambique. Além disso, a diversidade de madeiras para envelhecimento atende a diferentes gostos, fornecendo um amplo leque de aromas e bebidas livres de acidez excessiva. “A nossa produção da cana também é própria, com colheita artesanal [sem uso do fogo para queimar antes da colheita], além de reaproveitarmos tudo de forma sustentável. Esse nosso cuidado se reflete em qualidade”, destaca o produtor. “Nossa cachaça não é aquela que você toma um gole e parece que engoliu um gato de ré, que desce te arranhando tudo”, descreve.
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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