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Desmatamento teve redução de 87% nos últimos 15 anos em Mato Grosso

Mato Grosso é que mais se destaca por sua produção agropecuária e dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apontam ser uma produção sustentável e que preserva o meio ambiente. O Grupo de Inteligência Territorial da Embrapa realizou a extração de dados do Sistema do Cadastro Ambiental Rural (Sicar) de 2018 para analisar as áreas destinadas à preservação das propriedades rurais.

Após o tratamento destes dados, pode-se perceber que as propriedades rurais de Mato Grosso possuíam uma área de mais de 68.9 mil hectares, o que representa 76,4% da área estadual.

“Por estes dados, podemos observar que, dos principais Estados brasileiros produtores de grãos, Mato Grosso é o que possui a maior área de preservação da vegetação nativa dentro das propriedades rurais”, explica Sérgio Leal, coordenador do Observatório do Agronegócio, grupo da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) que trabalha com informações do agronegócio.

Mais de 35,4 milhões de hectares são áreas preservadas dentro das propriedades rurais, um percentual de 39,2% do total do território de Mato Grosso. Áreas protegidas em terras indígenas e unidades de conservação somam 17 milhões de hectares e representam 18,9% do que está preservado – ou seja, a área preservada nas propriedades rurais é 108,2% maior que nas unidades de conservação e terras indígenas somadas.

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Em relação ao desmatamento, os dados da Embrapa mostram que houve um decréscimo vertiginoso nas últimas duas décadas. Na Amazônia Legal, em 2004 eram 27 mil km² desmatados e, em 2018, eram 7,5 mil km². Em Mato Grosso, em 2004 eram 11,8 mil km² desmatados e, no ano passado, era 1,4 mil km².

A produção agrícola em Mato Grosso vem se tornando cada vez mais eficiente, não havendo necessidade de abertura de novas áreas. Os dados comprovam isto: em 2004, a área plantada de grãos era de 7,6 milhões de hectares e o desmatamento foi de 1,18 milhão de hectares. Já em 2018, a área colhida aumentou em 98,4%, indo para 15,1 milhões de hectares e o desmatamento despencou para 149 mil hectares – redução de 87,4% no desmatamento no estado.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, ressalta que Mato Grosso é um exemplo de produção com sustentabilidade e um exemplo para o País e o mundo.

“Há muitos anos estamos construindo uma agricultura sustentável. Tanto o pecuarista como o agricultor são hoje grandes preservadores do meio ambiente por questões comerciais e por consciência ambiental. Eles sabem que é da terra que tiram seu sustento. E o Governo do Estado tem políticas ambientais sérias e rígidas, com controles severos e não vai permitir que se cometam ilegalidades”, afirma.

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Quando a safra não cabe no silo: bags transformam o excedente da produção em eficiência e sustentabilidade

Por David Vieira

Produção recorde impulsiona novas estratégias de armazenagem em Mato Grosso e consolida o silo bolsa como ferramenta de autonomia, conservação e eficiência logística.

Foto: David Vieira/Ideal MT

A colheitadeira avança e, atrás dela, fica uma lavoura que cumpriu seu ciclo. A soja sai do campo e, poucas semanas depois, o milho já ocupa a mesma terra. Em Mato Grosso, esse movimento quase contínuo traduz a força de uma agricultura que aprendeu a produzir mais, em menos tempo e na mesma área. Mas, a cada nova safra, surge também uma pergunta prática para quem está do outro lado da máquina, onde guardar tudo o que foi produzido?

A questão vai muito além de encontrar espaço para os grãos. Para o agricultor, armazenar significa proteger meses de trabalho e investimento. Significa também decidir quando vender, evitar que a pressa da colheita dite o preço, organizar a saída dos caminhões e reduzir o impacto do frete justamente no período em que milhares deles disputam as mesmas estradas e armazéns.

E os números ajudam a dimensionar esse desafio. O 11º Levantamento da Safra 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicado em 13 de agosto de 2026, estima uma produção brasileira de 360,8 milhões de toneladas de grãos. Mato Grosso lidera a produção de soja, com 51,6 milhões de toneladas. No milho segunda safra, levantamento do Imea em parceria com a Aprosoja MT estima outras 57,39 milhões de toneladas, cultivadas em 7,43 milhões de hectares.

É uma quantidade de grãos difícil até de imaginar e que precisa encontrar destino à medida que deixa as lavouras.

Do outro lado dessa produção está a capacidade de armazenagem. Segundo a Pesquisa de Estoques do IBGE, no primeiro semestre de 2025 o Brasil dispunha de 231,1 milhões de toneladas de capacidade útil. Mato Grosso também aparecia na liderança nacional, com 63 milhões de toneladas.

A comparação exige cautela. Capacidade estática e produção anual não são medidas diretamente equivalentes, já que uma mesma estrutura pode receber diferentes cargas ao longo do ano. Ainda assim, os números ajudam a compreender a pressão que acompanha o crescimento das safras.

É nesse intervalo entre produzir, colher, guardar e escolher a melhor hora de vender que uma solução aparentemente simples ganhou espaço nas propriedades mato-grossenses, o silo bolsa.

Mais do que uma grande embalagem branca estendida no campo, ele passou a fazer parte da estratégia de agricultores que procuram preservar os grãos, manter a colheita em movimento e conquistar algo cada vez mais valioso na produção, o tempo para decidir.

O pico da colheita

O desafio fica ainda mais evidente no auge da colheita, quando milhares de propriedades precisam dar destino aos grãos praticamente ao mesmo tempo.
Para quem não dispõe de espaço suficiente para armazenar a produção na fazenda, cada carga que sai da colheitadeira já precisa ter um destino, armazéns comerciais, cooperativas ou tradings.
É nesse momento que a falta de espaço deixa de ser apenas um número e passa a fazer parte da rotina de quem produz.

Caminhões se multiplicam nas estradas, filas se formam nas unidades de recebimento e a procura por frete aumenta. No meio dessa corrida, o agricultor pode perder justamente aquilo que faz diferença na comercialização, a liberdade de esperar e escolher o melhor momento para vender.

Foto: David Vieira/Ideal MT

A dimensão dessa pressão aparece nos números. Em junho de 2026, a Aprosoja MT, com base em dados do Imea e da Conab, apontou que a estrutura disponível seria suficiente para armazenar cerca de 52% de toda a produção de grãos de Mato Grosso.

Considerando apenas soja e milho, o índice chegaria a 56%, com uma diferença estimada em 45,28 milhões de toneladas entre produção e capacidade de armazenagem.

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Os números não contradizem, necessariamente, os 63 milhões de toneladas de capacidade útil apontados pelo IBGE. As estimativas partem de bases, períodos e critérios metodológicos distintos e, por isso, não podem ser comparadas como se medissem exatamente a mesma realidade.

Em conjunto elas ajudam a revelar um cenário que o produtor conhece de perto, a produção avançou em ritmo acelerado e guardar o que sai do campo tornou-se parte estratégica do negócio.

A bolsa virou estratégia

Em Campos de Júlio, no Oeste de Mato Grosso, o produtor Ivo Frohlich Júnior encontrou no silo bolsa mais do que um lugar para guardar o milho. Encontrou tempo e liberdade para decidir.

Em vez de retirar o grão da lavoura e vendê-lo em meio à pressão da colheita, ele pode manter parte da produção dentro da propriedade, acompanhar o mercado e esperar por uma oportunidade mais favorável. Ao mesmo tempo, evita disputar caminhões e fretes justamente no período de maior procura.

Foto: Bruno Lopes/Aprosoja MT

Para Ivo, a decisão passa diretamente pela possibilidade de agregar valor ao que produziu.

“O principal motivo que nos levou a adotar o uso do silo bolsa foi a possibilidade de obter um preço melhor. Na entressafra, é possível alcançar valores mais atrativos, o que acaba compensando todos os custos do sistema e garantindo rentabilidade.”

Foto: David Vieira/Ideal MT

Em Diamantino, o produtor Alex Rupolo adotou o silo bolsa em 2017 como alternativa prática para armazenar os grãos na própria fazenda.

Hoje, a propriedade produz cerca de 8,8 mil toneladas, e cada bolsa recebe, em média, 3.209 sacas — aproximadamente 192,5 toneladas. Segundo ele, o custo fica em torno de R$ 1,20 por saca.

“Hoje caminhão não fica mais em fila de armazém e rende a colheita”, afirma Rupulo.

Alex conta que, desde 2017, em apenas uma safra a espera não resultou em preço melhor. Nas demais, conseguiu negociar acima dos valores praticados pelas tradings durante a colheita. Em uma das experiências, manteve milho armazenado por até 16 meses.

O uso, porém, exige cuidados. Boa vedação, controle de caruncho, limpeza ao redor das bolsas e qualidade da lona são fundamentais. Rupolo aprendeu isso já no primeiro ano, quando o mato próximo às bolsas atraiu roedores, que perfuraram o material e permitiram a entrada de umidade.

Acervo pessoal


Para ele, a tecnologia trouxe agilidade, economia e, principalmente, maior poder de decisão.

“Recomendo com toda certeza. É comprovada, uma solução sustentável e nos ajuda colocar preço no produto que é nosso”, resume.

Na avaliação do produtor, especialmente para pequenos e médios agricultores, “o silo bolsa chegou para revolucionar a armazenagem”.

Para o vice-presidente Oeste da Aprosoja MT, Gilson Antunes de Melo, a falta de armazenagem reduz a autonomia do agricultor.

Acervo pessoal


Quando vários municípios colhem simultaneamente e há poucas estruturas disponíveis, caminhões podem ficar parados à espera de descarga, afetando o ritmo da operação.

“O silo bolsa caiu como uma luva nesse cenário. […] Ela não exige um custo elevado para implantação, mantém a qualidade dos grãos e permite que o produtor comercialize em um momento mais estratégico.”

A sustentabilidade através da armazenagem

A relação entre armazenagem e sustentabilidade vai além de simplesmente guardar o que foi colhido.

A Embrapa considera a capacidade regional de armazenamento de soja e milho um dos indicadores econômicos de sustentabilidade da cadeia da soja. Na metodologia, regiões com relação inferior a 0,80 entre capacidade de armazenagem a granel e produção são classificadas como de capacidade “muito baixa”.

O estudo também aponta o silo bolsa entre as alternativas utilizadas diante dessa diferença.

Na prática, evitar que o grão se perca também é preservar tudo o que foi necessário para produzi-lo, sementes, fertilizantes, combustível, máquinas, solo, água, investimento e, sobretudo, o trabalho de quem passou meses cuidando da lavoura. Quando bem manejado, o sistema hermético do silo bolsa ajuda a conservar a qualidade dos grãos e prolongar o período de armazenamento.

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Mas a sustentabilidade não termina quando a bolsa é aberta. O plástico utilizado precisa receber destinação ambientalmente adequada.

Por isso, o silo bolsa não é sustentável apenas por existir, ele se torna parte de uma estratégia sustentável quando ajuda a reduzir perdas, otimiza a logística, preserva a produção e fecha seu ciclo com a destinação correta do material.

Da fazenda para a cidade: quando a armazenagem encontra a indústria

Foto: David Vieira/Ideal MT

A armazenagem ganhou ainda mais importância à medida que uma parcela crescente do milho passou a ser consumida dentro do próprio Mato Grosso. Segundo o Imea, das 57,39 milhões de toneladas estimadas para a safra 2025/26, 22,10 milhões devem permanecer no Estado, alta de 9,12% em relação ao ciclo anterior, impulsionada principalmente pelas usinas de etanol de milho.

Outras 11 milhões de toneladas devem seguir para outros estados e 24,10 milhões para exportação.

Em Nova Mutum, essa transformação pode ser vista de perto. Em operação desde 2020, a unidade da Inpasa processou 2,1 milhões de toneladas de milho em 2025. Uma nova expansão, com investimento empresarial anunciado de R$ 704 milhões, acrescentará capacidade para processar mais 1 milhão de toneladas de grãos por ano. Com a terceira fase, a planta deverá alcançar capacidade anual de 3 milhões de toneladas até o fim de 2026.

A armazenagem e industrialização passam a caminhar juntas. A lavoura entrega grande parte do milho e a indústria precisa de matéria-prima durante o ano inteiro. O silo bolsa ajuda a fazer essa ponte, permite retirar o grão da lavoura no ritmo da colheita, mantê-lo temporariamente na propriedade e organizar sua saída conforme o frete, os contratos, o mercado e a demanda industrial.

Fto: David Vieira/Ideal MT

Isso não significa que todo milho armazenado em bolsas tenha como destino a Inpasa. A relação ajuda, porém, a compreender como a armazenagem dentro das propriedades pode complementar uma cadeia que precisa manter o abastecimento de forma contínua.

E o ciclo não termina quando o milho deixa a fazenda. Com a expansão, a Inpasa prevê acrescentar 350 milhões de litros de etanol por ano, elevando a capacidade da unidade de Nova Mutum para 1,4 bilhão de litros anuais, além de outras 183 mil toneladas de DDGS, coproduto utilizado principalmente na alimentação animal. A unidade também produz óleo vegetal e energia.

O grão que sai do campo, portanto, ganha novos destinos dentro do próprio Estado. Transforma-se em combustível renovável, nutrição animal, óleo, energia, empregos e atividade econômica. É uma cadeia que começa na lavoura, passa pela armazenagem e chega à indústria, aproximando, na prática, o que é produzido no campo dos benefícios que alcançam a cidade.

Esse movimento aproxima campo e cidade. O milho que permanece armazenado na fazenda pode seguir depois para a indústria e ganhar novos destinos, transforma-se em etanol, DDG, óleo, energia, emprego e renda. Assim, uma decisão tomada ainda dentro da porteira movimenta caminhões, abastece indústrias e gera reflexos na economia das cidades.

O silo bolsa não resolve sozinho o desafio da armazenagem em Mato Grosso. O Estado ainda precisa ampliar os investimentos em estruturas permanentes, especialmente dentro das propriedades. Enquanto essa capacidade não cresce no mesmo ritmo da produção, porém, a tecnologia mostra a capacidade do agricultor de encontrar soluções para manter a colheita em movimento e proteger aquilo que produziu.

Quando a safra não cabe no silo, o produtor ganha tempo. Tempo para colher, preservar os grãos, organizar o frete, acompanhar o mercado e escolher quando vender.

É nesse caminho entre a lavoura e a cidade que uma solução simples ganha um significado maior. Sustentabilidade que evita perdas, aproveita os recursos e garante que o resultado de meses de trabalho no campo continue gerando valor muito além da propriedade.

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