Agro Notícias
Culinária Regional do SENAR-SP resgata receitas tradicionais

Nos dias de hoje é possível, com alguns toques no celular, comprar uma comida típica de praticamente qualquer país e receber em casa. Mas nada é tão especial como provar de uma receita preparada no local de origem. E melhor ainda é aprender a fazer pratos saborosos, que remetem à culinária de cada região. E cada um desses lugares têm suas características próprias, baseadas nos ingredientes produzidos ali e nas particularidades culturais.
O Estado de São Paulo possui uma culinária muito diversificada, em grande parte devido à presença de imigrantes. A cozinha paulista tem grande influência de portugueses, franceses, africanos, italianos, japoneses e alemães, com as mais diferentes culturas, sotaques e tradições. A gastronomia é bem variada em seus sabores, aromas e cores entre a capital, o litoral e o interior. Para preservar as culinárias tradicionais e cuidar para que esses conhecimentos na forma de preparar os alimentos não desapareçam, o Serviço de Aprendizagem Rural (SENAR-SP) oferece o curso “Culinária Regional”. O conteúdo educativo valoriza as diversas formas, temperos, sabores e aromas da culinária de cada localidade.
No município de Mococa, por exemplo, usa-se muito milho e mandioca, segundo a instrutora Ivonete Cristina Ribeiro, do Sindicato Rural da cidade. Por essa razão, o curso que foi realizado lá nos dias 17 e 18 de março focou bastante nesses ingredientes. Ela diz ainda que a região teve muita influência da passagem de tropeiros – que entre os séculos 17 e 19 viajavam no lombo de burros e mulas, suprindo as necessidades de alimentos dos exploradores de minas entre as regiões Sul e Sudeste do País – e, por esse motivo, algumas receitas resgatam a maneira que eles tinham de fazer sua comida para ser transportada sem estragar. “Preparamos o bolo de mandioca, que é uma receita bastante esperada pelos alunos. Remetendo ao pessoal que levava comida no carro-de-boi, fazemos muito arroz de carreteiro, arroz com suan, feijão tropeiro. É uma comida, digamos, mais ‘gorda’, que hoje o pessoal não tem mais o hábito de cozinhar. Abordamos um pouco esse lado da culinária que estava esquecido”, explica Ivonete. Em Mococa o curso é realizado em uma chácara que tem todo o suporte para o preparo das receitas, buscando resgatar o costume de utilizar o que os alunos têm nas roças, nos sítios e fazendas, incentivando o plantio para consumo próprio, e de ter horta em casa. “São sempre receitas fáceis, práticas e baratas, com produtos que eles tenham à mão, que sejam comuns na nossa região”, ressalta a instrutora.
Em fevereiro, o Sindicato Rural de Rinópolis promoveu o curso pela primeira vez. Houve uma grande procura por parte dos produtores e trabalhadores e também algumas pessoas da zona urbana, revela Eunice Camargo, coordenadora do Sindicato. Ela ressalta que os participantes gostam de receitas em que são utilizados os produtos cultivados por eles, às vezes incrementadas com outros componentes. Ela destaca o breguedé (bolinho de mandioca), polenta recheada, macarrão caseiro, leitoa no shoyu, arroz carreteiro e galinhada. Porém, o que mais surpreende os alunos são as formas diferentes de fazer receitas usando ingredientes comuns, como virado de feijão e doce de feijão. Além das receitas, Eunice destaca outros tópicos importantes abordados no curso. “Higiene e limpeza pessoal, cuidado ambiental, como aproveitar alimentos que normalmente são descartados e economia dos itens necessários à sobrevivência das pessoas também são ensinados”, aponta.
“Feijão tropeiro e virado de feijão são coisas que eu nunca tinha visto e nem comido antes desse curso”, diz Marisa de Sousa Vaz da Silva. Ela mora em uma vila próxima à área urbana de Rinópolis e foi aluna do curso “Culinária Regional” – aliás, ela gosta de ressaltar que já fez vários cursos pelo sindicato rural, como artesanato, jardinagem, cabaça e outros. O marido trabalha em uma empresa de laticínios e ela é responsável pela administração da casa. “Vou usar o que aprendi para cozinhar para a família”, afirma.
As atividades da linha de ação Alimentação e Nutrição da Promoção Social do SENAR-SP têm por finalidade a educação alimentar, o aproveitamento do excedente da produção rural e a valorização da cultura local. Para participar, o interessado deve procurar um parceiro do SENAR-SP (Sindicatos Rurais, prefeituras conveniadas ou associações) de seu município ou próximo a sua região e fazer sua inscrição.
Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP
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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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