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CNA e Federações debatem Programa Nacional de Crédito Fundiário

Brasília (11/05/2022) A Comissão Nacional de Empreendedores Familiares Rurais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil se reuniu, na quarta (11), para discutir a atuação do Sistema CNA/Senar no Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF) – Terra Brasil. O presidente do colegiado, e vice-presidente da CNA, José Zeferino Pedrozo, participou do encontro.

O PNCF é uma iniciativa do governo que oferece condições para a compra de imóveis rurais por meio de um financiamento de crédito. Além da terra, os recursos financiados podem ser utilizados na estruturação da propriedade e do projeto produtivo.

E para ajudar os trabalhadores rurais e agricultores a acessar e entender como o programa funciona e quais os seus benefícios, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com a Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), desenvolveu um curso online gratuito, com carga horária de 54 horas e turmas com 200 vagas.

Durante a reunião da Comissão de Empreendedores Familiares Rurais, a coordenadora de EaD do Senar, Ana Ângela Sousa, apresentou os módulos do curso e destacou que ao longo de todo o conteúdo, o participante conta com acompanhamento e orientação de educadores.

Segundo a assessora técnica da CNA, Marina Zimmermann, o programa é importante para o setor e é fundamental que esse público saiba como ele funciona, já que o Banco do Brasil iniciou a operacionalização da linha de crédito PNCF Empreendedor, atendendo a uma demanda da Confederação para o Plano Safra 2021/2022.

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A linha PNCF Empreendedor tem uma taxa de juros de 4% ao ano e é destinada a agricultores familiares com renda bruta familiar anual no valor de até R$ 265.903,65 e patrimônio no valor de até R$ 500 mil para famílias de qualquer região.

O Senar de Santa Catarina já está participando do programa e servindo como um piloto para que as outras regionais possam participar efetivamente.

Os produtos do seguro rural também foram assunto da pauta da reunião. A assessora técnica da CNA, Mariza Almeida, destacou a importância da ferramenta para auxiliar o produtor rural a manter o fluxo de caixa, quitar suas obrigações financeiras e permanecer na sua atividade. “O seguro não é uma despesa, mas sim um investimento, um mecanismo de proteção contra intempéries climáticas, por exemplo”.

Em 2018, foram contratadas 63 mil apólices pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Em 2021, esse número saltou para 217 mil, um crescimento de 246%. Já o valor de subvenção passou de R$ 366 milhões em 2018 para R$ 1,18 bilhão em 2021, uma alta de 222%.

Já com relação ao mercado de seguro rural, o prêmio total pago pelas seguradoras passou de R$ 2 bilhões em 2018 para R$ 4,9 bilhões em 2021. O índice de sinistralidade também aumentou, passando de 77% para 111% no mesmo período.

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“Uma das demandas da CNA para o seguro rural é a regulamentação da LC 137/2010, que criou o Fundo de Catástrofe e que poderia ser uma alternativa para compensar as seguradoras em casos de eventos climáticos severos. Esse tipo de fundo funciona muito bem em outros países e no Brasil poderia evitar a saída das seguradoras no setor rural”.

Para José Zeferino, que também é presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), com o aumento da contratação de apólices e das intempéries climáticas, é necessário ampliar o orçamento para subvenção econômica ao PSR, para atender as necessidades do setor.

Ao final da reunião, os representantes das federações estaduais discutiram instabilidades na implementação do sistema CAF, que poderá dificultar a emissão dos documentos de aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) nos próximos meses.

O CAF, Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, foi instituído pelo Decreto nº 9.064/2017 e substituirá a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP). O cadastro vai aprimorar e aperfeiçoar os mecanismos de identificação do público da agricultura familiar, a qualificação das Unidades de Produção Agrária (UFPA) e os empreendimentos familiares rurais para ampliação do acesso às políticas públicas de incentivo à produção e geração de renda.

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Fonte: CNA Brasil

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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