Agro Notícias
Bahia testa fungicida contra vassoura de bruxa em lavoura cacaueira
Estudo inédito aposta em cinco produtos que podem solucionar o problema
Fruto-símbolo da Bahia, o cacau, tão bem retratado na literatura de Jorge Amado e na teledramaturgia global, em seus tempos áureos já sustentou a economia do Estado. Aí veio a vassoura de bruxa – doença que dizimou as lavouras – e, para além dos prejuízos financeiros, desestimulou muitos agricultores a continuar apostando na cultura. Agora, a cacauicultura baiana vive um momento de retomada, e as expectativas são as melhores. Doenças e pragas ainda impõem risco ao cultivo, mas a aposta em um fungicida eficaz contra o maior inimigo das lavouras de cacau enche os produtores rurais de esperança.
O fungicida, resultado de uma pesquisa desenvolvida pela Ceplac com apoio do Sistema Faeb/Senar e da Syngenta, já está em fase de teste, com fortes indicativos de sucesso. Durante dois anos, os pesquisadores vão observar a eficiência dos cinco produtos no controle da vassoura de bruxa. Se responder bem, a Bahia pode se tornar pioneira no mundo a identificar uma substância contra a doença. Além do controle sanitário nas lavouras, o fungicida vai contribuir para aumentar a produtividade e a qualidade das amêndoas, fatores que interferem diretamente na rentabilidade do produtor rural. A Bahia é o maior produtor nacional do fruto. Só no ano passado foram colhidas mais de 140 mil toneladas. Com o manejo adequado e sem o risco da doença, esse número pode ser ainda maior nos próximos ciclos após a liberação do fungicida.
Além de apoiar a pesquisa que resultará no defensivo químico, o Senar Bahia tem proporcionado Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) aos cacauicultores do Estado. Os testes aliados à assistência contribuem para o crescimento e fortalecimento do setor. Até o momento, a entidade já assiste 1500 produtores do Sul da Bahia, levando conhecimento e tecnologia aos cadastrados. A ação integra o programa de incentivo de cadeias prioritárias, do Senar Central.
“A ATeG tem uma metodologia bem definida, que perpassa por cinco etapas: diagnóstico, planejamento, adequação tecnológica, capacitação e análise de resultados. Durante dois anos, o produtor tem atendimento mensal de quatro horas em sua propriedade, de forma personalizada e adequada para a sua realidade”, explicou o gerente de Assistência Técnica do Senar Bahia, Gabriel Menezes.
Segundo ele, quando colocados em prática, essas técnicas e conhecimentos contribuem para o aumento de produtividade e renda dos produtores. “Nossa missão é transformar a vida das pessoas e a transformação começa pelo conhecimento. Por isso, apostamos também na capacitação dos técnicos que vão a campo compartilhar o seu saber”, ressalta.
Recentemente mais de 50 profissionais que atuam na Assistência Técnica e Gerencial na cacauicultura passaram por curso de atualização, realizado também em parceria com a Ceplac, na sede do órgão, em Itabuna. Em cinco dias, eles discutiram técnicas de adubação, poda, enxertia e clones.
Desafio Tecnológico fomenta o cultivo sustentável
Além das ações voltadas aos técnicos de campo e aos agricultores, o Sistema Faeb/Senar e o Sebrae se uniram em uma iniciativa com foco nos empreendedores do ramo da tecnologia. Trata-se de um desafio tecnológico para fomentar o desenvolvimento de soluções para o cultivo sustentável do cacau. Com subsídio de R$ 100 mil para os vencedores, o programa visa estimular projetos tecnológicos voltados para o manejo da cabruca – sistema agroflorestal que consorcia a lavoura do cacau com árvores da mata atlântica –.
De acordo com dados oficiais da Secretaria Estadual da Agricultura (Seagri), o modelo representa mais de 80% do cultivo do cacau baiano, cujas lavouras localizadas no Sul do Estado são sombreadas pela mata nativa.
“O impacto desse desafio não é apenas econômico, mas ambiental também, pois fomentamos um cultivo sustentável e a geração de negócios verdes”, completou o vice-presidente Administrativo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Guilherme Moura.
O Desafio já anunciou as três startups finalistas que irão desenvolver soluções aplicáveis em propriedades rurais produtoras de cacau, a fim de melhorar a produção, a produtividade e tornar o produtor rural mais competitivo no mercado. Os vencedores vão desenvolver soluções que sirvam como instrumento para a realização do Inventário Florestal – documento técnico que contempla censo florestal, coleta de dados de campo, identificação botânica, fitossociologia, planejamento e gestão, além de servir como base para autorização de manejo da cabruca.
Ascom Faeb/Senar
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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