Agro Notícias
Abate aumentou 9% em Mato Grosso
Mato Grosso abateu em 2018, 8,99% mais bovinos do que no ano anterior. De janeiro a dezembro do ano passado foram enviadas aos frigoríficos 5,41 milhões de cabeças, conforme dados consolidados pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT) e analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O Estado detém o maior rebanho comercial de gado do país, com mais de 30 milhões de cabeças.
Como aponta o Imea, o acréscimo no volume de animais abatidos é justificado em parte pela atual fase do ciclo pecuário, que chega próximo ao seu pico no descarte de fêmeas, com participação de 44,03% no abate total, maior valor desde 2014. “Além disso, destaca-se a diminuição na idade de abate dos bovinos mato-grossenses, os animais com menos de 24 meses atingiram uma participação de 17,35% no total abatido, o maior valor da história. Desta forma, evidencia-se a expansão produtiva da pecuária mato-grossense em 2018, no entanto, os números demonstram que a atividade continua a buscar melhores índices de produtividade”.
E o ano começa bem para o setor. O boi gordo e a vaca gorda registraram valorização, fechando a semana passada cotados em média a R$ 136,11/@ e 127,80/@, respectivamente. “Com dificuldade em encontrar pecuaristas realizando vendas, os frigoríficos observaram a escala de abate decair 2,04 dias, estabelecendo-se em 5,91 dias”.
MUDANÇAS – As exportações mato-grossenses de carne bovina in natura encerraram 2018 com uma receita de US$ 1,12 bilhão, o terceiro melhor resultado da história, ficando atrás apenas do contabilizado em 2014 e de 2017. “Esse resultado foi alcançado apesar de o Estado ter ‘perdido’ dois dos seus maiores importadores de proteína bovina, a Rússia e a Venezuela. Em 2014, estes dois países eram responsáveis por 45,01% das compras de carne bovina mato-grossense, no entanto, sofrendo com crises internas, reduziram suas compras em mais de 99% até 2018. Com esse cenário, o apetite asiático assumiu o protagonismo nas vendas do Estado e está ocupando este ‘vazio’ deixado pelos venezuelanos e russos”, explicam os analistas do Imea.
Em 2018, a Ásia foi destino de 59,04% da carne bovina in natura exportada por Mato Grosso. Diante disto, destaca-se a necessidade em se manter as relações comerciais existentes, no entanto, não se pode perder a visão da importância de se abrir novos mercados, como observam os analistas.
Cenário MT
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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