Acidente
Gestante dá à luz após ambulância se envolver em acidente em MT

Uma gestante entrou em trabalho de parto e deu à luz após sofrer um acidente de trânsito, enquanto era transportada por uma ambulância da Prefeitura de Chapada dos Guimarães (MT), manhã desta quinta-feira (3). O bebê nasceu em Unidade de Pronto Atendimento (UPA), durante o atendimento à mãe após a colisão. Os dois passam bem.
Segundo as informações repassadas pela Prefeitura, um Toyota Corolla teria saído de um condomínio, localizado nas proximidades da Casa do Mel, e invadido a pista contrária, provocando uma colisão frontal com a ambulância.
No momento do acidente, estavam na ambulância a gestante, uma acompanhante, uma criança, o motorista e uma enfermeira.
Durante o atendimento médico, a gestante entrou em trabalho de parto e o bebê nasceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Mãe e recém-nascido passam bem. A criança que acompanhava a gestante também está bem.
A enfermeira sofreu uma fratura no quadril e o motorista teve escoriações. As demais pessoas envolvidas foram avaliadas e, até o momento, não há registro de ferimentos graves. Os pacientes foram encaminhados ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) para continuidade da avaliação e dos cuidados médicos necessários.
Por meio de nota, a Prefeitura de Chapada dos Guimarães alegou que acompanha a situação e que presta todo o suporte aos servidores, pacientes e familiares envolvidos no acidente.
Acidente
Motorista de BMW depõe, fica em silêncio e deixa delegacia em liberdade após morte de jovem de 23 anos em Cuiabá

Hercílio Junior Freitas Cordeiro, de 22 anos, compareceu duas vezes à Deletran; nesta sexta-feira (4), foi interrogado acompanhado de advogado e deixou a unidade cercado por seguranças. Paulo Messias trabalhava em dois empregos para pagar a motocicleta
A investigação sobre a morte de Paulo Messias Simão Costa, de apenas 23 anos, ganhou um novo e impactante capítulo nesta sexta-feira, 4 de setembro, em Várzea Grande.
Hercílio Junior Freitas Cordeiro, de 22 anos, identificado pela Polícia Civil como o motorista da BMW envolvida na sequência de colisões que terminou com Paulo morto, retornou à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), prestou depoimento, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e, ao final do procedimento, deixou novamente a delegacia em liberdade.
Foi a segunda vez em menos de 24 horas que Hercílio compareceu à unidade policial.
Na quinta-feira (3), ele havia procurado a Deletran acompanhado de advogado, mas não foi interrogado porque, segundo as informações divulgadas, quando chegou à unidade a autoridade policial responsável já não se encontrava no local. A defesa afirmou que o procedimento não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do investigado.
Nesta sexta, ele voltou.
Desta vez, chegou acompanhado do advogado e de dois seguranças particulares.
Foi ouvido pelo delegado Afonso Monteiro, responsável pela investigação, mas optou por não responder aos questionamentos. O silêncio é uma garantia constitucional de qualquer investigado e não pode, isoladamente, ser interpretado como confissão ou prova de culpa.
Ao terminar o procedimento, Hercílio voltou para casa.
UMA BMW, DUAS MOTOCICLETAS E UMA MORTE
A sequência de acontecimentos teve início por volta de 0h50 da madrugada de domingo, 30 de agosto, na região central de Cuiabá.
Conforme informações registradas no boletim de ocorrência e divulgadas pela imprensa, a BMW conduzida por Hercílio teria se envolvido inicialmente em uma colisão com outra motocicleta no cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Avenida Presidente Marques.
O motociclista sofreu ferimentos.
Depois dessa primeira colisão, o motorista teria continuado trafegando pela região central.
Pouco depois, no cruzamento da Avenida Isaac Póvoas com a Rua Joaquim Murtinho, ocorreu a segunda batida.
Desta vez, a vítima era Paulo Messias Simão Costa.
O impacto foi violento e o jovem morreu ainda no local.
Paulo havia saído para trabalhar.
Não voltou para casa.
BMW FOI ABANDONADA; MOTORISTA DEIXOU O LOCAL
Após a colisão fatal, a BMW foi localizada abandonada nas proximidades do Hospital Municipal Santa Casa de Cuiabá.
Segundo as informações policiais divulgadas sobre o caso, o condutor teria deixado o veículo e saído do local a pé, sem permanecer na cena do acidente aguardando as autoridades.
O automóvel posteriormente foi apreendido e encaminhado ao pátio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana.
Enquanto policiais iniciavam as diligências e uma família recebia a notícia da morte de um jovem de 23 anos, o motorista não estava mais no local.
Outro ponto relevante da investigação é que, de acordo com informações policiais divulgadas à imprensa, Hercílio não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
POLÍCIA APURA RELATO SOBRE CONSUMO DE ÁLCOOL
A investigação também analisa o que teria ocorrido antes das colisões.
Segundo relato atribuído à mulher que acompanhava Hercílio naquela madrugada e registrado pelas autoridades, os dois teriam passado por uma casa noturna. Ela declarou à polícia que Hercílio teria ingerido bebida alcoólica, ficado alterado e quebrado um copo dentro do estabelecimento, sendo posteriormente retirado pelos seguranças.
Ainda conforme esse relato, ele teria deixado o local conduzindo a BMW.
Esse ponto, entretanto, exige uma distinção importante:
o relato de consumo de bebida alcoólica faz parte dos elementos investigados, mas eventual embriaguez ao volante deverá ser demonstrada pelas provas reunidas no inquérito.
Imagens, testemunhas, perícias, dinâmica das colisões e demais elementos deverão ajudar a Polícia Civil a estabelecer em que condições Hercílio dirigia naquela madrugada.
PRIMEIRA APRESENTAÇÃO: NÃO HOUVE INTERROGATÓRIO
Na noite de quinta-feira (3), quatro dias após a morte de Paulo, Hercílio compareceu à Deletran acompanhado de advogado.
Não houve prisão.
Também não houve interrogatório naquele momento.
Segundo as informações divulgadas, a autoridade policial responsável já havia deixado a unidade quando ele chegou. A defesa posteriormente informou que solicitou nova oportunidade para que o investigado fosse ouvido.
Hercílio deixou a delegacia em liberdade.
SEXTA-FEIRA: VOLTOU, FOI OUVIDO E PERMANECEU EM SILÊNCIO
Na manhã desta sexta-feira, ele retornou.
Desta vez, a apresentação ocorreu com acompanhamento de advogado e seguranças particulares.
Durante o interrogatório conduzido pelo delegado responsável pelo caso, Hercílio exerceu o direito ao silêncio.
O procedimento foi encerrado e o motorista investigado novamente deixou a delegacia em liberdade.
SAÍDA DA DELEGACIA TERMINA EM CONFUSÃO
A saída chamou atenção.
Jornalistas aguardavam Hercílio do lado de fora da Deletran e tentavam registrar imagens e obter declarações sobre o acidente.
O investigado saiu acompanhado dos seguranças.
Vídeos divulgados por veículos de comunicação mostram empurrões durante a movimentação. Um cinegrafista acabou derrubado e sofreu escoriações em uma das pernas.
O episódio envolvendo os profissionais de imprensa também foi registrado em vídeo.
A cena acrescentou mais um episódio de tensão a um caso que já causa forte repercussão.
De um lado, um jovem de 23 anos morto quando estava trabalhando.
Do outro, o motorista investigado, que compareceu duas vezes à delegacia e permaneceu em liberdade.
POR QUE ELE NÃO FOI PRESO?
A pergunta ganhou força principalmente nas redes sociais.
Mas existe uma diferença entre a indignação provocada pelo caso e aquilo que juridicamente permite uma prisão.
Quando Hercílio se apresentou à Polícia Civil, não havia prisão em flagrante decorrente diretamente da colisão ocorrida dias antes nem, conforme divulgado até esta sexta-feira, ordem judicial de prisão contra ele.
Por isso, sua apresentação à delegacia, por si só, não autorizava que fosse automaticamente colocado atrás das grades.
Isso não representa absolvição.
Também não significa que a investigação terminou ou que ele está livre de eventual responsabilização criminal.
A Polícia Civil continua reunindo elementos sobre a dinâmica dos acidentes, a saída do local, a velocidade da BMW, eventual consumo de bebida alcoólica, a falta de habilitação e outras circunstâncias capazes de definir o enquadramento jurídico da conduta.
Ao fim da investigação, o delegado poderá adotar as providências previstas em lei, inclusive representar ao Poder Judiciário por medidas cautelares caso estejam presentes os requisitos legais.
Posteriormente, caberá ao Ministério Público analisar o conjunto probatório e decidir pelas providências criminais cabíveis.
PAULO TRABALHAVA EM DOIS EMPREGOS PARA PAGAR A MOTO
Em meio às discussões jurídicas, existe uma história humana que não pode ser reduzida a números de boletim de ocorrência ou páginas de um inquérito policial.
Paulo tinha apenas 23 anos.
Segundo familiares, ele trabalhava em dois empregos e usava boa parte do esforço justamente para pagar a motocicleta que havia comprado.
Paulo possuía emprego fixo em uma peixaria e também realizava entregas por aplicativo para complementar a renda. Na madrugada em que morreu, estava trabalhando.
A família contou que a motocicleta era um sonho do jovem e que já faltavam poucas parcelas para terminar de pagá-la.
Era sobre essa motocicleta que Paulo estava quando foi atingido.
O jovem foi sepultado em Jangada, onde vivem familiares. Desde então, parentes cobram justiça e responsabilização pelo que aconteceu.
UMA FAMÍLIA AGORA ESPERA RESPOSTAS
Há perguntas que somente a investigação poderá responder.
Qual era a velocidade da BMW?
Por que o veículo continuou o trajeto depois da primeira colisão?
Em quais condições o motorista estava dirigindo?
Houve consumo de álcool e existem provas suficientes para demonstrá-lo?
Qual foi exatamente a dinâmica da colisão que matou Paulo?
E quais crimes, diante das provas produzidas, deverão ser atribuídos ao condutor?
São respostas que terão consequências jurídicas importantes.
Mas existe algo que investigação nenhuma poderá alterar:
Paulo Messias Simão Costa morreu aos 23 anos.
Trabalhava em dois empregos.
Estava próximo de terminar de pagar a motocicleta que havia conquistado com seu próprio esforço.
Saiu para trabalhar e não voltou para casa.
Enquanto sua família tenta aprender a conviver com uma ausência definitiva, o homem investigado pela condução da BMW já esteve duas vezes na delegacia.
Na primeira, não foi interrogado.
Na segunda, permaneceu em silêncio.
Nas duas ocasiões, deixou a unidade em liberdade.
A liberdade do investigado, neste momento, decorre das regras do processo penal e não representa julgamento antecipado sobre sua responsabilidade.
Agora, cabe à Polícia Civil produzir as provas.
Ao Ministério Público, avaliar o resultado da investigação.
E ao Poder Judiciário, caso provocado, decidir sobre eventuais medidas cautelares e, futuramente, sobre a responsabilidade criminal.
Para Paulo, porém, não existe decisão capaz de devolver aquilo que foi perdido naquela madrugada: a oportunidade de voltar para casa.
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