Brasil
Sicredi apresenta ações para mulheres empreendedoras, transição energética no campo

Iniciativas pertencem à carteira verde da instituição, que hoje soma mais de R$ 60 bilhões
O Sicredi está na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém (PA), que começou na segunda-feira (10). Entre os temas que a instituição leva ao evento estão os seus esforços para promover o empreendedorismo feminino, a transição energética no campo e outros projetos desenvolvidos pelas cooperativas ligados à sustentabilidade, como a preservação de nascentes e geração de energia solar. O evento, que reúne lideranças mundiais para debates sobre o clima, segue até o dia 21 de novembro.
“Temos na sustentabilidade um compromisso estratégico, direcionado à geração de valor por meio da ampliação de impactos positivos. Ao apoiar mulheres empreendedoras e projetos que contemplam matrizes energéticas mais limpas, conectamos impacto social e ambiental ao nosso negócio”, afirma Alexandre Barbosa, diretor executivo de Estratégia, Sustentabilidade, Administração e Finanças do Sicredi.
Dos cerca de R$ 10 bilhões captados pelo Sicredi, ao longo dos últimos cinco anos, junto a bancos multilaterais, agências de desenvolvimento da Europa e da Ásia, fundos de impacto e bancos comerciais nacionais e internacionais, com foco em crédito sustentável, 62% foram destinados à energia renovável (solar) e 19% ao apoio a mulheres empreendedoras. Esses investimentos contribuem significativamente para a redução das desigualdades de gênero, promovendo justiça social e econômica.

“Estamos em todas as regiões do país e temos intensificado os nossos esforços em integrar a sustentabilidade às nossas operações e planejamento estratégico. Por isso, além do financiamento a projetos de energia renovável, vale lembrar que, desde 2020, somos Membros do Programa Brasileiro GHG Protocol e que, anualmente, mensuramos e neutralizamos as emissões de gases de efeito estufa de nossas agências e sedes administrativas. Este ano, neutralizamos 27 mil toneladas de carbono, referentes às nossas operações de 2024 e previstas para 2025. Isso denota que estamos fazendo a nossa parte dentro e fora de casa”, destaca o executivo.
Os números mostram o quanto o Sicredi promove uma economia verde e sustentável, oferecendo aos seus associados produtos e serviços financeiros que possibilitam a baixa emissão de carbono, a eficiência no uso dos recursos e a inclusão social.
A carteira de crédito de Economia Verde do Sicredi atingiu R$ 61,4 bilhões para apoiar a transição dos associados rumo a uma economia de baixo carbono. O total da carteira de crédito para mulheres empreendedoras chegou a R$ 10 bilhões, e, para financiamento de energia renovável, R$ 4,5 bilhões. Outros destaques da carteira são: R$ 18,6 bilhões para agricultura familiar e R$ 10 bilhões para agricultura de baixo carbono.
“Investir em energia renovável contribui diretamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Ao alocarmos recursos em projetos verdes aceleramos a descarbonização da economia, com uma matriz energética mais limpa e resiliente. Além disso, a robustez da carteira verde do Sicredi está atraindo investidores institucionais interessados em ativos sustentáveis”, explica Alexandre.
Durante a COP 30, o Sicredi estará, ao lado de outras cooperativas de crédito, no local destinado ao Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC), dentro da AgriZone, espaço temático da Embrapa, que reunirá centenas de iniciativas voltadas à agricultura sustentável, segurança alimentar e descarbonização da produção. A AgriZone abrigará aproximadamente 400 eventos, com painéis, exposições, experiências gastronômicas e culturais, além de vitrines de soluções tecnológicas e práticas agroambientais de baixo carbono.
*Iniciativas regionais do Sicredi na COP 30*
Durante a COP 30, o Sicredi apresenta projetos que unem inovação, eficiência energética e preservação ambiental, desenvolvidos por cooperativas que atuam nos estados do Norte e em Mato Grosso. Entre os destaques estão ações da cooperativa Sicredi Integração MT/AP/PA e da Central Sicredi Centro Norte, que demonstram como o cooperativismo impulsiona soluções práticas para os desafios climáticos e produtivos nas comunidades onde atua.
Da Sicredi Integração será mostrado que o projeto Recuperando Nascentes atua há mais de uma década na revitalização de nascentes por meio de reflorestamento, mobilização social e educação ambiental. A iniciativa fortalece a preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade, promovendo práticas sustentáveis junto a produtores rurais, associados e comunidades. Ao longo de sua trajetória, o projeto já beneficiou diretamente mais de 5 mil pessoas, com impacto indireto estimado em 50 mil pessoas.
Já a Central Sicredi Centro Norte, que reúne nove cooperativas da sua área de atuação nesses estados, apresenta o Complexo Solar formado por quatro usinas solares distribuídas entre Mato Grosso (2), Pará (1) e Acre (1). Com investimento superior a R$ 70 milhões e mais de 30 mil painéis instalados, o complexo tem capacidade superior a 22 gigawatts, gerando economia anual estimada em R$ 22 milhões para o sistema cooperativo. A iniciativa também contribui para a redução de emissões, com previsão de evitar 123 mil toneladas de CO₂ ao longo de 25 anos, reforçando o compromisso com a transição para uma economia de baixo carbono.
*Demais cases que o Sicredi apresentará na COP 30*
Na programação haverá, ainda, a *Quantificação de Riscos Climáticos como Ferramenta Estratégica para Proteção das Culturas Agrícolas dos Associados do Sicredi* , que permite identificar ameaças do presente e gera escores para diferentes cenários climáticos futuros. O modelo identifica a existência de até 17 ameaças climáticas, em mais de 15 milhões de pontos de interesse em todo o Brasil; o *Programa de Captações Sustentáveis* , estratégia conduzida com o objetivo de suportar o crescimento do portfólio e de fomentar novas linhas sustentáveis nas cooperativas; o *Café Carbono Neutro* , programa que oferece aos associados a oportunidade de obter uma certificação de carbono neutro na sua produção, agregando valor financeiro e de sustentabilidade ao produto; e a *Resiliência Climática do Sicredi* , com ações emergenciais realizadas durante as enchentes no RS e na estruturação de uma frente alinhada aos negócios, como instrumento para fortalecer e antecipar a capacidade de resposta das cooperativas que compõem o Sicredi, frente aos eventos climáticos extremos, com foco na proteção e resiliência dos associados.
Com essas ações, o Sicredi reafirma o papel estratégico do cooperativismo na construção de soluções sustentáveis, integrando desenvolvimento econômico, competitividade e responsabilidade socioambiental.
Brasil
Brasileiro trabalhou 150 dias em 2026 apenas para pagar tributos, aponta estudo do IBPT

Carga tributária efetiva sobre renda, consumo e patrimônio dos brasileiros chegou a 41,1% em 2026, conforme levantamento
Os brasileiros precisaram trabalhar até o dia 30 de maio de 2026 apenas para pagar impostos, taxas e contribuições cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais. É o que revela um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Pelo estudo, a carga tributária efetiva sobre a renda, o consumo e o patrimônio da população neste ano está em 41,10%.
Na prática, o percentual representa 150 dias do calendário dedicados exclusivamente ao pagamento de tributos. O resultado mantém o Brasil em um dos mais altos patamares de carga tributária das últimas décadas, conforme os dados do IBPT.
Os dados mostram que a tributação sobre os brasileiros cresceu de forma gradual desde o início dos anos 2000. Em 2003, a carga tributária efetiva era de 36,98%. Em 2007, passou para 40,01% e, desde então, permaneceu próxima ou acima da faixa dos 40%, atingindo 40,80% em 2021, 2022 e 2025.
Em nota, o Instituto destaca que o presidente-executivo do IBPT e um dos autores do estudo, João Eloi Olenike, avalia que o cenário é preocupante já que a elevada arrecadação não tem sido acompanhada pela percepção de melhorias nos serviços públicos.
“Apesar da alta arrecadação, a população ainda não percebe um retorno proporcional em serviços públicos de qualidade”, salienta Olenike.
O estudo mostra, ainda, que a quantidade de dias trabalhados para pagar tributos praticamente dobrou nas últimas décadas. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para quitar a carga tributária. Em 1988, o número caiu para 73 dias, em contrapartida voltou a crescer e alcançou 130 dias em 2001. Segundo os dados, nos últimos 20 anos, os dias de trabalho para custear impostos permaneceram entre 140 e 150 dias.
Segundo o IBPT, hoje o brasileiro trabalha quase o dobro do que trabalhava na década de 1970 para cumprir suas obrigações tributárias.
Para chegar aos resultados por meio da análise comparativa, o estudo foi utilizado, para fins tributários, a faixa mensal de rendimento de até R$ 3.000,00 (classe baixa), de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00 (classe média) e acima de R$ 10.000,00 (classe alta).
Aumentos de impostos influenciaram resultado
A base de cálculo do levantamento abarca o período entre maio de 2025 e abril de 2026. O estudo inclui tributos federais, estaduais e municipais, como IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, taxas diversas e contribuições.
Entre os fatores que contribuíram para a manutenção da elevada carga tributária, o Instituto destaca mudanças como aumentos das alíquotas do ICMS em estados como Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, além da ampliação da cobrança do ICMS sobre importações realizadas por meio do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal.
O estudo também cita os efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, que manteve a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.
Outro destaque entre os principais aumentos de tributação no período do estudo foi o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que impactou as operações de crédito empresarial, câmbio, previdência privada e seguros.
Também pesaram no cálculo a ampliação da tributação sobre apostas esportivas e jogos online, o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs e instituições financeiras, a elevação da alíquota do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e o aumento do Imposto de Importação para alguns produtos de tecnologia.
IBPT
Fundado em 1992, o IBPT é uma entidade especializada em estudos sobre o sistema tributário brasileiro e atua na produção de pesquisas relacionadas à arrecadação e transparência fiscal.
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