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Saúde

‘Tomei a pílula do dia seguinte, mas engravidei mesmo assim’: quando o método anticoncepcional falha

Rachel (nome fictício) engravidou após ter sido estuprada enquanto tirava um ano sabático no Canadá. Ela tomou a chamada “pílula do dia seguinte” na mesma noite, como parte dos cuidados médicos que recebeu após o ataque.

“Dois meses depois, quando descobri que estava grávida — além de ser uma situação bastante traumática —, foi um choque”, relembra.

“Nem me ocorreu que isso poderia acontecer.”

Rachel, hoje com 34 anos, diz que não foi informada que havia a possibilidade de engravidar mesmo depois de tomar o contraceptivo de emergência.

“Não lembro de ter havido sequer uma conversa sobre o fato de (a pílula) poder não ser realmente eficaz.”

Estima-se que de 0,6 a 2,6% das mulheres que tomam a pílula do dia seguinte após fazer sexo sem proteção ainda engravidam.

O que as pessoas sabem — e não sabem — sobre a pílula do dia seguinte veio à tona depois que uma das autoras do site Refinery29 contou ter engravidado apesar de ter tomado o contraceptivo de emergência.

O artigo se tornou viral, e algumas pessoas argumentaram que o fato de que a pílula nem sempre funciona deveria ser mais amplamente divulgado.

Como a pílula do dia seguinte funciona?

– Hormônios sintéticos impedem ou atrasam a ovulação (quando o óvulo é liberado pelo ovário);

– Se você já tiver ovulado antes de tomar a pílula e ainda estava fértil quando teve relações sexuais sem proteção, ela não vai impedir a gravidez;

– Isso significa que a pílula do dia seguinte pode não ser eficaz (mesmo que você tome corretamente), dependendo do seu ciclo menstrual;

– A ovulação geralmente ocorre na metade do seu ciclo (cerca de duas semanas antes da menstruação);

– Há dois tipos de pílula do dia seguinte: levonorgestrel e acetato de ulipristal;

– O levonorgestrel (Levonelle) deve ser tomado até 72 horas (três dias) após o sexo sem proteção;

– O acetato de ulipristal (ellaOne) deve ser usado dentro de 120 horas (cinco dias).

Alguns medicamentos também podem alterar a eficácia da pílula, explica Caroline Cooper, especialista em saúde sexual e reprodutiva.

“São remédios que podem interferir na maneira como o fígado processa a medicação”, acrescenta.

Entre eles, estão alguns medicamentos contra HIV, remédios para epilepsia e até alguns à base de ervas naturais.

Outra razão pela qual a pílula do dia seguinte pode falhar é o peso da mulher, explica Cooper. Mulheres mais pesadas apresentam um risco maior de engravidar após tomar o contraceptivo.

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“E isso não é particularmente por estar acima do peso.”

Segundo ela, o levonorgestrel tem “muito mais chances de falhar” se a mulher pesa mais de 70 kg ou tem um Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 26 (de acordo com o NHS, serviço de saúde pública do Reino Unido, o IMC ideal para a maioria dos adultos é entre 18,5 e 24,9).

‘Tão inesperado’

Mas quantas mulheres sabem de tudo isso? Embora as bulas dos contraceptivos expliquem, em letras miúdas, que a pílula funciona atrasando a ovulação, essa informação é fácil de passar despercebida.

As instruções também não falam explicitamente sobre o fato de que a eficácia varia dependendo da fase do seu ciclo menstrual.

Mas por que nem todas as mulheres recebem essas informações quando são orientadas a tomar a pílula do dia seguinte?

“Não esperava que (a pílula) não funcionasse”, diz Harriet, de 26 anos, que engravidou apesar de ter tomado o contraceptivo de emergência, depois que a camisinha furou. Ela diz que “seguiu todos os passos corretamente e tomou (a pílula) imediatamente”.

Harriet acrescenta que foi informada de que a pílula às vezes não funciona, mas que o único fator de risco mencionado seria esperar tempo demais para tomar. Como ela tomou dentro de 24 horas, não se preocupou. Pouco tempo depois, descobriu que estava grávida.

“Eu não mudaria o que aconteceu — meu filho tem 15 anos e eu não deixaria de tê-lo”, afirma. “Mas na época… Me fez muito mal sentir que a gravidez foi tão inesperada.”

Pergunto a Cooper se as farmácias ou clínicas de saúde sexual costumam alertar as mulheres que seu ciclo menstrual faz diferença na eficácia da pílula do dia seguinte: “Acho que deveriam”, diz.

E acrescenta que, embora os farmacêuticos geralmente tenham muito conhecimento sobre o funcionamento da pílula do dia seguinte, “se estiverem ocupados, podem não entrar em todos esses detalhes”.

DIU de emergência

O outro método contraceptivo de emergência disponível é o dispositivo intrauterino (DIU), que deve ser usado nos primeiros cinco dias após a relação sexual sem proteção. Enquanto a pílula do dia seguinte atrasa a ovulação, o DIU impede o óvulo fecundado de ser implantado na parede do útero e tem uma taxa de sucesso superior a 99%.

Nem Harriet nem Rachel foram informadas que teriam como opção o DIU de emergência, como alternativa à pílula do dia seguinte.

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“Não acho que sempre é (sugerido) — se você for a uma clínica de saúde sexual, provavelmente será”, diz Cooper.

“Acho que, às vezes, é fácil para as pessoas fazerem suposições sobre o que as mulheres querem.”

Rebecca Pickerill, enfermeira especializada em saúde sexual que trabalha em uma clínica administrada pela Brook, instituição beneficente voltada para saúde sexual e bem-estar de jovens, diz que a equipe sempre oferece o DIU como a opção “de excelência”.

“Determinamos quando elas tiveram a relação sexual sem proteção, a data da última menstruação, a duração do ciclo e a data prevista da ovulação, o que obviamente é uma estimativa — em geral, as pessoas ovulam no meio do ciclo, mas obviamente esse não é o caso de todo mundo”, explica.

“Em seguida, discutimos as opções com elas, em termos dos dois contraceptivos orais diferentes e qual é mais apropriado… mas sempre enfatizando que o DIU é o (método) mais eficaz”.

Cooper diz que nunca viu o DIU falhar como contraceptivo de emergência.

“Mas, sem dúvida, já vi mulheres que tomaram o contraceptivo oral de emergência, engravidaram, fizeram um aborto, voltaram para colocar o DIU e ficaram furiosas por ninguém ter mencionado isso para elas”, acrescenta.

‘Os homens também precisam saber’

Jayne Kavanagh, especialista em saúde sexual e reprodutiva, acredita que as escolas deveriam ensinar como o contraceptivo de emergência funciona.

“É ridículo que não ensinem sobre contracepção e o que fazer se tiverem feito sexo e houver risco de gravidez”, diz.

“Deveria ser padrão nas escolas.”

“Fiz uma pequena pesquisa com as amigas das minhas filhas adolescentes há alguns anos, elas tinham 14 ou 15 anos”, conta.

“Havia cerca de seis delas na sala, e eu perguntei: ‘Quem sabe que é possível usar o DIU como contraceptivo de emergência’?, e ela era a única pessoa que sabia.”

De acordo com Harriet, não são apenas as jovens que precisam saber mais sobre contraceptivo de emergência.

“Também acho que os homens precisam saber um pouco mais sobre isso”, opina. “Alguns caras apenas dizem: ‘Tudo bem, é só você ir ao médico pela manhã’, e eu penso: ‘Não!’.”

“É ótimo que você tenha a opção de escolher”, diz Rachel.

“Mas você não está realmente fazendo uma escolha consciente se, no momento em que escolher, não receber todas as informações.”

BBC

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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