Saúde
Risco de solidão é maior para a comunidade LGBT que envelhece
Relatório mundial divulgado no dia 19 de março mostra que a relação homossexual ainda é crime em 70 países, sendo que seis deles preveem pena de morte. O levantamento chama-se “Fobia de Estado” e está em sua 13ª. edição. Inclui apenas membros da ONU, entre os quais 35% criminalizam a homossexualidade – a maioria na África. É realizado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (Ilga em inglês). Segundo a organização, em 1969, 74% das pessoas viviam em nações onde ser gay era crime; atualmente, esse percentual é de 23%. Um caso emblemático é o da populosa Índia, onde a prática foi descriminalizada ano passado. Aproveito para voltar ao assunto porque, se envelhecer é um desafio para todos, pode ser bem mais difícil para os homossexuais.
Esse blog já tratou da questão quando falou do risco de os mais velhos serem obrigados a abrir mão de seu passado – e a esconder sua orientação sexual, por exemplo – na eventualidade de terem que ingressar numa instituição de longa permanência. Muitos desafios relacionados ao envelhecimento são comuns a todos: imaginar quem cuidará de nós se ficarmos muito frágeis ou avaliar qual será nossa reserva financeira depois da aposentadoria. Há outros que angustiam os homossexuais, como mostrou pesquisa nacional realizada no ano passado pela AARP, a Associação de Aposentados dos EUA, entidade que reúne quase 38 milhões de afiliados. De acordo com o levantamento, 57% dos homens gays acima dos 45 anos são solteiros e 46% vivem sozinhos. Entre as lésbicas, os percentuais são menores: respectivamente, 39% e 36%.
A solidão tem um enorme impacto negativo no bem-estar e, quanto mais vulnerável o círculo de relacionamentos de uma pessoa, pior. Na falta de cônjuges e filhos, essa rede de proteção diminui e mesmo o número de potenciais cuidadores é afetado, ainda mais se o indivíduo se afastou do seu núcleo familiar. A mesma pesquisa mostra que os adultos LGBTQ se preocupam de não ter apoio de amigos e familiares ao envelhecer. Um outro estudo, do Williams Institute, ligado à Universidade da Califórnia, relatou que quase 60% de idosos homossexuais se ressentem da falta de companhia e 50% se sentem isolados.
A discriminação no mercado de trabalho também afeta a capacidade de poupança desse grupo, o que pode resultar numa mudança forçada para lugares de custo de vida mais em conta, mas onde talvez haja um risco maior de preconceito. Iniciativas como o Trans Wellness Center, criado em 2018 em Los Angeles, tentam suprir essa lacuna, oferecendo serviços de saúde, aconselhamento legal e de moradia, entre outros. Enquanto o aumento do número de centros comunitários voltados para o segmento LGBTQ já é uma realidade na Califórnia, o Brasil registra uma morte por homofobia a cada 16 horas.
Bem Estar
Saúde
Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.
Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.
O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.
Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.
Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.
Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.
A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.
O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.
Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.
Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.
Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.
Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.
Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.
*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
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