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Saúde

O drama das crianças que precisam ser vigiadas para não ‘comer até morrer’

Não é que ele seja paranoico com ladrões. É porque seu filho tem uma condição genética incurável: a síndrome de Prader-Willi. A condição, batizada em homenagem aos dois pesquisadores que a descobriram, em 1956, faz com que uma pessoa tenha uma fome insaciável.

Hector diz que, se não for supervisionado, Christian, de 18 anos, pode, de fato, comer até morrer. “Ele já comeu comida de cachorro da tigela, do lixo, esvaziou um tubo inteiro de pasta de dente na boca. Para ele, é tudo comida…”, diz ele, sendo interrompido por Christian, que diz estar com fome.

Hector dá a ele uma única fatia de abacaxi, pré-cortada para garantir que ele não consuma mais açúcar do que é necessário pela manhã.

Obesidade, diabetes e acessos de fúria

A síndrome de Prader-Willi se origina de uma ausência ou repetição do cromossomo 15 e tem um efeito devastador sobre os pacientes e suas famílias.

Além de sofrer de obesidade e diabetes, o que reduz sua expectativa de vida, as crianças com essa condição têm atrasos de desenvolvimento mental e problemas comportamentais.

Christian pode, por exemplo, ter um acesso de fúria e ficar violento se não receber a comida que deseja. “É como um furacão que destrói qualquer coisa em seu caminho”, diz seu pai, mostrando um vídeo de um recente episódio.

Seus pais até já o amarraram a uma cadeira acolchoada para impedir que se machucasse ou ferisse seus cuidadores. “Eu toco um dia de cada vez. Não sei o que acontecerá com ele depois que eu me for”, diz Hector, incapaz de conter as lágrimas e manifestando uma preocupação comum entre os pais de quem tem Prader-Willi.

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Faltam especialistas em Cuba

Lidar com as complicações da doença é especialmente difícil em Cuba. Hector tenta alimentar seu filho com uma dieta macrobiótica para controlar seu peso e o nível de açúcar em seu sangue. Em um almoço, por exemplo, ele serve a Christian um prato de vegetais crus e um biscoito de arroz integral.

Mas até encontrar biscoitos de arroz é uma luta em Cuba. Não é fácil achar alimentos integrais e os medicamentos corretos em uma ilha afetada por um embargo econômico americano que já dura décadas e por anos de má administração econômica por parte do Estado. Embora o governo cubano elogie seu sistema de saúde, há um déficit crônico de investimentos.

Hector diz que os médicos em Cuba quase não têm experiência no tratamento de Prader-Willi.

“Sendo uma doença rara, há muito poucos médicos no país que já viram pacientes que a tenham. Podem ter visto um caso há 20 anos e nunca mais se depararam com outro. Não há especialistas aqui.”

Em um mundo ideal, diz Hector, pacientes de Prader-Willi deveriam ser atendidos também por nutricionistas, psiquiatras e fisioterapeutas.

Situação no país está melhorando

Ainda assim, as coisas estão começando a mudar. No mês passado, Cuba sediou a 10ª Conferência Internacional Prader-Willi.

O fórum reuniu pesquisadores, médicos, pacientes e suas famílias para compartilhar experiências. É uma oportunidade inestimável, diz o presidente da Organização Internacional Prader-Willi, Tony Holland.

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“O mais importante é que famílias, cientistas e profissionais de saúde possam aprender um com os outros, porque alguns países têm serviços muito bons para tratar a doença, outros não”, afirma Holland.

A intenção é que as pessoas possam “batalhar por melhor atendimento e ser capazes de debater sobre o melhor tratamento para seus filhos” quando voltarem para casa, diz ele.

Como professor emérito de psiquiatria da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Holland adquiriu anos de experiência com a síndrome de Prader-Willi e observou o tratamento da doença em muitas partes do mundo.

Apesar dos enormes avanços ainda necessários em Cuba, ele acredita que existem alguns sinais encorajadores.

“O país agora tem a capacidade de fazer o diagnóstico genético. Os médicos estão começando a conhecer a síndrome, existe uma comunidade de famílias de pessoas com Prader-Willi, e isso é muito importante”.

Em 2010, os pais de pacientes com a síndrome realizaram seu primeiro encontro nacional em Cuba. Apenas seis famílias apareceram. Hoje, há mais de cem famílias cubanas identificadas com a doença — e, graças às melhorias no acesso à internet, elas estão sempre em contato.

Hector também começou a conscientizar seus vizinhos sobre a doença Prader-Willi. Ele explica a elas que Christian não é apenas um pouco gordinho e mentalmente pouco desenvolvido, mas corre risco de morte, todos os dias.

“Há uma tendência aqui de recompensar crianças com doces. Mas as pessoas não percebem que um doce aqui, outro acolá, podem matá-lo.”

BBC

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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