Saúde
MT descarta mais de 427 mil doses de vacina contra covid

Mato Grosso já descartou 427.515 doses das vacinas contra a covid-19, desde 2021, quando teve início a imunização. Neste ano, já foram 17.540 doses jogadas fora devido ao prazo de validade vencido. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Enquanto isso, nos postos de saúde a população enfrenta a falta do imunizante e a cobertura vacinal continua baixa, chegando a 72,7% no esquema monovalente de duas doses, 11,9% das quatro doses e apenas 10% no esquema bivalente.
Dados do Ministério da Saúde apontam que Mato Grosso tem a menor cobertura vacinal do país entre as aplicações da bivalente e aparece ainda entre os oito estados com a menor cobertura monovalente no país. Esses estados não alcançaram nem mesmo 80% de cobertura. Mato Grosso aparece na 5º colocação com a maior cobertura entre os piores.
Em todo país, apenas 21,6% da população foi imunizada com a bivalente, enquanto que com a monovalente a cobertura chega a 85,9% no esquema de duas doses e 19,2% nas quatro doses. Virologista Ana Claudia Trettel afirma que o grande número de vacinas vencidas, assim como o Estado estar entre os que têm as mais baixas coberturas, se explica por problemas de logística iniciais, mas principalmente pelas fake news, a falta de adesão às campanhas de imunização e pela forte propaganda antivacina que se instalou ao longo da pandemia da covid.
A virologista lembra que no início da imunização, de um lado, embora houvesse compra e distribuição de vacina no país, do outro havia uma forte campanha contra as vacinas, assim como a disseminação desinformações. Tudo isso ganhou proporções que ainda hoje são sentidas.
“Temos ainda um movimento forte antivacina”. Nos postos de saúde, embora o imunizante não seja encontrado há algumas semanas, funcionários confirmam que a procura é baixa e se dá mais pelo público idoso. “Aqui mesmo, quando há procura, a maioria das pessoas tem 60 anos ou mais”, afirma a enfermeira Marta Cruz, do posto de saúde do bairro Leblon, em Cuiabá.
ESTOQUE ZERADO
A SES informou que todas as doses foram descartadas devido ao vencimento, uma vez que elas foram recebidas com curto prazo para utilização. Afirma ainda que não há doses disponíveis na Rede de Frios do Estado e que aguarda o recebimento de novas doses que devem ser encaminhadas pelo Ministério da Saúde.
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
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