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Saúde

Mais Médicos: Cubanos que ficaram no Brasil após fim do programa relatam dificuldades

Em novembro passado, Cuba anunciou sua retirada do programa devido a críticas feitas pelo novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL). Suas declarações colocaram em questão a formação dos profissionais cubanos e os termos do acordo entre os países mesmo antes da sua vitória, quando ainda era candidato.

A decisão deixou mais de 8 mil médicos cubanos diante do dilema de voltar à ilha ou ficar no Brasil – e, neste caso, ser considerado desertor pelo governo de seu país.

Mais de 2,5 mil optaram por permanecer aqui e, agora, dizem estar em uma situação precária: não podem praticar medicina nem conseguem outro tipo de emprego.

A médica Surizaday Fernández também não quis retornar a Cuba. “Já vinha pensando há muito tempo em romper com Cuba. Não sou uma desertora, porque nunca me interessei em ser militar e nunca fui”, conta ela à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

“Você se cansa de ser explorada: você perde anos de vida, perde tempo com a família, perde muitas coisas.”

Apesar disso, Fernandez, de 31 anos, ficou estupefata ao saber que Cuba estava se retirando do Mais Médicos. “Quando Bolsonaro venceu, eu sabia que Cuba ia nos levar de volta, mas não imaginei que seria assim.”

Fernández vivia então em Cunha Porã, um pequeno município de Santa Catarina. Ela já se mudou em busca de um novo emprego. Era o começo de uma odisseia, semelhante à de muitos dos seus colegas.

‘Todas as portas se fecham para nós’, diz médica cubana

Após o anúncio da retirada de Cuba do programa, Bolsonaro disse que os médicos cubanos que desejassem permanecer no país receberiam asilo e poderiam trabalhar se revalidassem seus diplomas. No entanto, a realidade está sendo muito mais complicada, como relata o médico Joan Rodríguez.

“Cheguei ao Brasil em junho de 2017 e estava trabalhando normalmente até o cancelamento da parceria. Aguentei dois meses com o que tinha economizado.”

No final de dezembro, o governo brasileiro criou um edital para cobrir as 8,5 mil vagas que o governo cubano havia deixado em aberto.

“Nós, cubanos, pudemos nos inscrever. Mas, na véspera, nosso direito de candidatura foi eliminado e nos disseram para ir à Polícia Federal em cada Estado para pedir refúgio”, diz o médico.

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Ele conta ter seguido as instruções e, uma vez com o pedido de refúgio em mãos, procurado o Ministério do Trabalho para pedir uma carteira de trabalho. Mas o documento não teve muita serventia até agora.

“Quando percebem que somos cubanos e que fomos do Mais Médicos, todas as portas se fecham para nós”, lamenta.

“Muitas pessoas, quando descobrem nossa profissão, nos dizem que não podem nos contratar, porque os empregos não estariam à altura de um médico. Éramos médicos, sim, mas hoje não somos nada. Somos como qualquer um que precisa de um trabalho para sobreviver.”

A BBC News Mundo entrou em contato com o Ministério da Saúde para pedir esclarecimentos, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta.

Yulia Molina, de 34 anos, esbarrou nos mesmos obstáculos. Ela saiu do Mais Médicos dois anos antes de Cuba se retirar do programa, porque estava grávida e corria o risco de dar à luz prematuramente. Cuba exigiu que ela voltasse mesmo neste estado delicado.

“Como não queria voltar para não arriscar minha vida ou a de meu filho, eles me classificaram como desertora. Eles me deram um ultimato: ‘Ou sai ou fica’. Eu fiquei”, lembra.

A médica mora no Nordeste e diz que, na região, as coisas são muito mais caras. “Algo que você compra no sul do país por um preço, aqui, eles vendem pelo dobro.”

Ela conta estar há dois anos desempregada. “Só quero trabalhar”, lamenta. “Criam obstáculos, sem qualquer justificativa. Há uma xenofobia como com qualquer estrangeiro, não só com os cubanos. Antigamente, nos viam como deuses, hoje nos veem como um nada.”

Ainda assim, Molina diz ter sorte, já que pelo menos o marido tem um emprego. Ela conhece pessoas em situação mais complicada.

“Sei de gente que vive em uma casa com outras 15 pessoas para conseguir pagar o aluguel, alimentando-se da forma menos saudável possível. São colegas que estão desesperados. Muitos pensam em sair em caravanas.”

Sem oportunidades no Brasil, cubanos querem ir para os EUA

Os médicos cubanos com quem a BBC News Mundo conversou dizem que a opção de revalidar o diploma é praticamente inatingível. O principal problema, dizem, é que o governo cubano retém a documentação e, sem isso, o trâmite não anda.

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Retornar a Cuba está fora de cogitação para eles. Considerados desertores, estes médicos não podem voltar à ilha por oito anos. Mesmo se o governo cubano abrisse exceções e permitisse seu regresso, os médicos dizem temer o tratamento que receberiam.

Assim, Yulia Molina, Joan Rodríguez, Surizaday Fernández e a maioria de seus colegas ​​no Brasil estão de olho nos Estados Unidos.

“Nosso futuro é muito incerto. Percebemos que não podemos ficar aqui. No início de janeiro, o senador republicano Marco Rubio apresentou a proposta de reabrir um programa nos Estados Unidos que Obama havia fechado em janeiro de 2017”, conta Rodríguez.

O programa a que ele se refere é o Autorizações para Profissionais Médicos Cubanos (CMPP, na sigla em inglês). Lançado em 2006, permitia que médicos cubanos em outros países (ou seja, que não estavam em Cuba ou nos Estados Unidos) solicitassem em uma embaixada ou consulado americano permissão para entrar no país.

Em 12 de janeiro de 2017, Estados Unidos e Cuba assinaram um acordo para normalizar suas políticas de imigração e, com isso, o CMPP foi encerrado.

Molina tem a mesma esperança de Rodriguez. “A única alternativa real seria a reabertura deste programa. Estamos lutando por isso hoje”, diz.

Por sua vez, Fernandez deixa claro que não vai ficar de braços cruzados. “Quando optei por não voltar a Cuba, presumi que talvez não praticaria medicina por muito tempo, talvez nunca mais”, afirma.

“Espero que o CMPP reabra e eu tenha a oportunidade de, mais tarde, ter uma outra formação. Nos Estados Unidos, eles têm programas de estudos, mais oportunidades de emprego, de uma vida normal e digna.”

“Estudei por seis anos, o que exigiu muito sacrifício e esforço de mim e da minha família e de ninguém mais. Por isso, não admito que uma pessoa venha me tratar como se fosse lixo. Trabalho com qualquer coisa, seja o que for, desde que seja respeitado.”

BBC

 

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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