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Saúde

Como a saúde da boca interfere no bem-estar geral

Dois trabalhos recentes, divulgados mês passado, reforçam a estreita relação entre a saúde da boca e a do organismo em geral. De acordo com a Sociedade Europeia de Cardiologia, pessoas com doença periodontal – quando a placa bacteriana vai aderindo às margens das gengivas, causando infecção que primeiro ataca essa região, e depois os ossos que sustentam os dentes – têm risco aumentado para hipertensão.

Francesco D´Aiuto, professor da University College London e principal responsável por estudo que foi publicado na “Cardiovascular Research”, afirma: “observamos que, quanto mais severa for a periodontite, maior a probabilidade de hipertensão. A descoberta sugere que pacientes com periodontite devem ser informados sobre esse risco para que realizem mudanças em seu estilo de vida, como adotar uma dieta saudável e fazer exercício, para prevenir a pressão alta”.

A hipertensão afeta de 30% a 45% dos adultos e é a principal causa de morte prematura, enquanto a doença periodontal atinge mais de 50% da população mundial. O estudo compilou cerca de 80 outros trabalhos realizados em 26 países. Periodontite de moderada a severa estava associada a um risco aumentado em 22% para hipertensão; no caso de problemas severos das gengivas, o percentual subia para 49%. Há uma conexão entre as bactérias que se encontram na boca, que podem se disseminar na corrente sanguínea, e um possível quadro inflamatório sistêmico no organismo. Baixa imunidade, obesidade e fumo são fatores adicionais de risco.

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À medida que envelhecemos, a saúde oral tem um papel ainda mais relevante. “Todos os profissionais de saúde devem zelar pela higiene oral de seus pacientes. Devem inclusive considerar um exame da boca durante a consulta, especialmente se o paciente não estiver indo com regularidade ao dentista”, enfatizou o médico Patrick Coll, professor de medicina da University of Connecticut e autor de artigo publicado no “Journal of the American Geriatrics Association”.

Segundo dados do Centro Nacional de Estatísticas em Saúde dos Estados Unidos, idosos têm o dobro de cáries que adultos jovens e, entre os mais velhos, a incidência de doença periodontal chega a 64%. O artigo lembra que a periodontite se associa a diversas enfermidades, como diabetes e doenças cardiovasculares. Seus autores alertam para o risco ainda maior da população com demência ou que vive em instituições de longa permanência. A recomendação dos especialistas é clara: o ideal seria fazer uma limpeza dos dentes no consultório a cada seis meses. A questão é tão séria que este blog, em coluna publicada em junho, mostrou que, em Israel, o Ministério da Saúde pretende estender o atendimento dentário para todos acima dos 65 anos. “A boca é o espelho do corpo”, sentencia o professor Sree Raghavendra.

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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