Polícia
Marcola foi de trombadinha ao comando da maior facção criminosa do país
Marco Willians Herbas Camacho começou no crime batendo carteiras no bairro do Cambuci, na região central de São Paulo, quando era criança. Dormia na rua e cheirava cola de sapateiro, algo que, como explicaria a deputados em uma CPI em 2006, renderia o apelido Marcola, “Marco cheira cola”.
Renderia, também, passagens pela antiga Febem, hoje chamada de Fundação Casa, muitas vezes com o amigo César Augusto Roris da Silva, o Cesinha.
Nascido em Osasco em 25 de janeiro de 1968, Marcola chegou ao sistema prisional em outubro de 1986, aos 18. Foi flagrado em um dos sete roubos que cometera naquele ano, um deles ainda em janeiro, seis dias após se tornar maior de idade.
A porta de entrada foi a Casa de Detenção de São Paulo, ou Carandiru, que em 1992 se tornaria mundialmente conhecida como palco da maior chacina de presos da história do país, com 111 mortos.
Mas no ano do massacre Marcola já estava no Centro de Readaptação de Taubaté, interior de São Paulo, após ter passado por outros seis presídios no estado. O Piranhão, como era chamada a penitenciária, mudaria sua vida e o crime organizado no Brasil.
O PCC, ou Primeiro Comando da Capital, surgiu de um time de futebol no Piranhão em 31 de agosto do ano seguinte. Marcola não estava escalado naquele dia e, por isso, não figura entre os oito fundadores. Mas é considerado por historiadores um dos mentores da organização.
Na lista original estão Cesinha, o amigo de infância que o teria representado, e José Márcio Felício, o Geleião.
Marcola, na ocasião, estava em cela separada com Idemir Carlos Ambrósio, o Sombra.
O Sombra, em fevereiro de 2001, seria responsável pela ação na qual 29 presídios paulistas se rebelaram conjuntamente, com saldo de 16 presos mortos. Bem visto entre os presos de São Paulo, seria ainda o primeiro a ascender no PCC, liderando a facção até ser assassinado em julho daquele mesmo ano, por outros detentos, durante o banho de sol na Casa de Custódia de Taubaté.
A morte do Sombra abriu caminho para Cesinha e Geleião, que assumiram o controle até que o próprio Marcola os destituísse, no fim de 2002. Cesinha seria assassinado quatro anos depois por outro presidiário em Avaré, acredita-se que a mando do ex-amigo de infância, para consolidar poder.
Comparado aos antecessores, Marcola é considerado comedido. Sob seu comando, contudo, se deram as maiores demostração de força e audácia do PCC.
Em março de 2003, a facção assassinou o juiz-corregedor Antonio José Machado Dias, responsável pela fiscalização pelo presídio de Presidente Bernardes, onde parte dos criminosos da organização cumpria pena. A ordem foi gerenciada por Rogério Geremias de Simone, o Gegê do Mangue, que ganhou destaque no bando com o episódio.
Em 2006, o PCC promoveu uma onda de mais de 300 ataques às instituições e forças de segurança no estado que deixou ao menos 59 agentes da lei mortos. A ofensiva só teve fim quando uma advogada visitou Marcola e disse garantir que ele estava bem.
Pessoas que tiveram contato com Marcola o descrevem como carismático e inteligente, alguém que leu vorazmente, no cárcere, A Arte da Guerra, do filósofo chinês Sun Tzu, e obras do poeta italiano Dante Alighieri. Não costuma falar palavrão e é considerado vaidoso por isso também tem o apelido de Playboy e Bonitão.
O poder de Marcola continua intacto por ora.
Algumas contestações surgiram no ano passado após as mortes de integrantes da facção, entre eles Gegê do Mangue, assassinado em uma emboscada no Ceará. Novamente o nome de Marcola está entre os autores da ordem para matá-lo (e, depois, determinar o assassinato das pessoas que cumpriram tal ordem).
Aos 51, Marcola viveu três décadas em presídios. Dos 32 anos desde sua primeira internação no sistema, ficou longe das grandes por apenas três anos, quase todos na década 90, quando conseguiu fugir cinco vezes.
Nos intervalos longe da prisão, participou de assaltos a banco, incluindo um em Cuiabá, quando foi flagrado roubando uma agência do Banco do Brasil. Conseguiu fugir do presídio, porém, pela porta da frente um mês depois.
Foi recapturado num lance de sorte da polícia paulista. Tinha acabado de ser deixado em um orelhão, quando voltava de uma viagem ao Paraná (onde estava escondido), quando investigadores o reconheceram e foram questioná-lo. Estava desarmado e não reagiu.
Mesmo tendo passado sua vida adulta atrás das grades, Marcola não cumpriu ainda nem 10% de sua pena. Condenado a 330 anos, seis meses e 24 dias de prisão, teria que ficar na cadeia até 1 de novembro de 2318. A data está estipulada em seu prontuário, o 45.465.
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Polícia
PMs da Força Tática apreendem 66 quilos de maconha e causa prejuízo de R$ 300 mil ao crime

Policiais militares da Força Tática do 4º Comando Regional apreenderam 66 quilos de substância análoga a maconha, na noite desta segunda-feira (8), em Rondonópolis. Na ação, um homem, de 32 anos, foi preso em flagrante por tráfico ilícito de entorpecentes.
Durante execução da Operação Tolerância Zero, a equipe da Força Tática recebeu informações, do setor de inteligência, sobre um possível local de armazenamento e tráfico de drogas em uma quitinete, no bairro Vila Operária.
Os policiais foram ao endereço informado e, ao se aproximarem, sentiram forte odor característico de droga vindo de uma das residências. A equipe fez abordagem e localizou o suspeito que foi detido. Questionado sobre a droga, o homem afirmou que o entorpecente estava escondido debaixo de uma cama.
Os militares fizeram busca no local indicado e encontraram 64 tabletes de drogas, que totalizaram 66 quilos. Ainda em depoimento, o homem afirmou que havia retirado o material na rodoviária do município de Poxoréu e que faria a distribuição na cidade de Rondonópolis.
Diante do flagrante, ele recebeu voz de prisão e foi conduzido para a delegacia da cidade, com todo o material apreendido, e entregue à Polícia Judiciária Civil para demais procedimentos.
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