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Mato Grosso

Poder Judiciário discute política nacional de atenção a pessoas em situação de rua

No Brasil, em 2017, existiam 10,3 milhões de pessoas em privação severa de alimentos. Na pandemia da Covid-19 esse número passou para 19 milhões. O dado foi apresentado durante Seminário “Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades”, realizado nesta segunda-feira (4 de julho), pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT).
 
Esse é apenas um dos dados que por si só justificam a importância da discussão sobre esse assunto ao qual a Justiça estadual se propôs, além de falar sobre a Resolução nº 425 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 8 de outubro de 2021. A norma institui, no âmbito do Poder Judiciário, a Política Nacional Judicial de Atenção a Pessoas em Situação de Rua e suas interseccionalidades.
 
O seminário ocorre de forma híbrida (presencial e on-line) e teve a participação de mais de 200 pessoas na sala on-line, além dos participantes presenciais, que representantes de órgãos públicos, instituições, movimentos sociais e a própria população em situação de rua. Atores importantes para discutir a pauta, principalmente sobre o acesso à Justiça, como enfatizou o diretor da Esmagis-MT, desembargador Marcos Machado.
 
“O judiciário hoje tem uma normatização advinda do Conselho Nacional de Justiça, cujo foco são os direitos humanos. O que cabe à Escola é permear essa resolução e encontrar juízes especialistas em seres humanos porque precisamos entender que o direito tem um destinatário principal. Não são as coisas ou apenas e tão somente os bens das pessoas, mas sobretudo e essencialmente as pessoas, sua vida e a integridade, seja física ou moral, o bem estar, a saúde, a cultura e sobretudo a sobrevivência, a distância dos vícios. E como fazer? Essa é a indagação que queremos colocar em pauta com sociólogos, assistentes sociais, psicólogos e a própria população que tem que receber esses serviços e um desafio mais importante: como acessar o judiciário”, discorreu o magistrado.
 
Segundo o desembargador, a justiça é muito mais do que sentenciar e despachar processos e conforme afirmou é esse o alcance que se pretende buscar na Esmagis-MT. “Esta é a semente que queremos plantar, um primeiro passo. Acreditamos nessa ideia não só porque hoje é imperativa, porque é uma determinação, mas porque tem base cristã. Estamos abrindo mais ainda o leque reunindo a Defensoria Pública, na esperança do Ministério Público estar nesse compasso e o desejo é que haja continuidade. Hoje pela presidente, desembargadora Maria Helena Póvoas, temos um apoio irrestrito mas precisamos permanentemente atuar”, complementou Marcos Machado.
 
De forma virtual, o conselheiro do CNJ, Mário Henrique Goulart Maia, coordenador do Comitê Nacional PopRuaJud, destacou a iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso ao realizar o seminário. “Esse evento, voltado para a implementação da Resolução 425/2021, demonstra a importância e a preocupação do judiciário a um tema tão desafiador. O momento não poderia ser mais oportuno já que a urgência da temática nos aflige e não poderia mais esperar. Quem tem fome tem pressa, portanto esse relevante seminário irá, com toda certeza, gerar muitos frutos. E com o comprometimento do judiciário local, preocupado e tomando a iniciativa para mudar essa triste realidade que estamos mergulhados no Brasil e no mundo.”
 
A juíza federal Luciana Ortiz falou sobre a “Resolução 425 do CNJ, um Poder Judiciário empático que atue em rede”. De acordo com a magistrada é fundamental que no Poder Judiciário digital de hoje haja uma percepção exata de quem são os usuários e usuárias, os cidadãos e cidadãs para que se possa assegurar o acesso à Justiça a todos e todas.
 
“Temos uma parcela da população que vive em situação de rua hoje totalmente alijada do exercício da cidadania e do acesso à justiça também. Problemas de obtenção de documentação civil, dificuldades de adentrar em prédios públicos em razão de vestimenta e higiene, dificuldade de acesso à documentação para instruir seu futuro processo. É preciso que a gente perceba exatamente quais são essas barreiras para que possamos construir pontes não apenas dentro do Judiciário, mas a partir da construção de uma rede colaborativa com outras instituições do sistema de justiça, com outros órgãos públicos a fim de que a gente possa entregar para essas pessoas o direito que elas possuem”, afirmou a magistrada.
 
Para o coordenador do seminário, juiz José Antonio Bezerra Filho e que está à frente da Justiça Comunitária do Judiciário de Mato Grosso, essa é uma oportunidade para congregar os participantes para buscar soluções para as pessoas em situação de rua. “Nós, dos tribunais, temos que nos aproximar de todos os segmentos e fomentar ações para que essa vulnerabilidade seja minimizada. Vamos ouvir a população para que tenhamos a visão do CNJ, ver quais os caminhos que podemos seguir e chamar os segmentos para que, com políticas públicas, possamos promover acesso à justiça para esses cidadãos que precisam dos nossos serviços.”
 
O representante do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Vanilson Torres veio de Natal, no Rio Grande do Norte, para participar do seminário. Ele foi um dos palestrantes deste primeiro dia e falou sobre as perspectivas do Movimento sobre as resoluções 425 do CNJ e 40 do CNDH. Este segundo normativo orienta que as ações de promoção, proteção e defesa dos direitos humanos das pessoas em situação de rua devem se guiar pelos princípios da Política Nacional para a População em Situação de Rua.
 
De acordo com Vanilson Torres a perspectiva é que a justiça possa se atentar a essas questões discutidas no seminário, bem como ao cumprimento da Resolução 425 para que se possa garantir os direitos constitucionais que é da moradia, do acesso à justiça e mínimos sociais que todo brasileiro e brasileira têm direito.
“O Tribunal de Justiça de Mato Grosso está de parabéns [por realizar o evento] e isso tem que ser feito em todos os estados, inclusive, porque quando o TJMT traz essa iniciativa para discutir é porque está de acordo com a Resolução 425 e compreendendo que é preciso ouvir essas pessoas. O Tribunal está de parabéns por reunir magistrados, Defensoria Pública, instituições, população de rua e movimentos sociais para que a gente possa ter encaminhamentos reais e significativos para essa população”, enfatizou.
 
Houve ainda a palestra com o professor e pesquisador André Luiz Freitas Dias, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Ele apresentou dados sobre o fenômeno da população em situação de rua.
 
Nesta terça-feira (5 de junho) o Seminário iniciará às 9h15, na sede da Esmagis-MT, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá e também de forma remota, pelo Microsoft Teams.
 
 
ParaTodosVerem: Essa matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência. Foto 1: Desembargador Marcos Machado participa da abertura do Seminário. Ele está em pé, segurando microfone, de frente para pessoas que estão sentadas em cadeiras.
Foto2: Captura de tela onde aparece o conselheiro do CNJ, que saúda a organização e os participantes.
Foto3: Juíza federal Luciana Ortiz durante palestra no seminário. Ela usa um blaser e saia pretos e uma blusa branca.
Foto 4: Juiz José Antonio Bezerra que fala aos presentes durante seminário. Ele usa terno azul, gravata cinza e camisa branca e segura microfone.
Foto 5: foto posada de Vanilson Torres, que usa uma camiseta branca com gola azul e máscara facial branca.
 
Dani Cunha
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso

Governador Otaviano Pivetta autoriza convocação de 430 aprovados em concurso da PM

O governador Otaviano Pivetta autorizou, na noite desta quinta-feira (28.5), a convocação de mais 430 aprovados no concurso público da Secretaria de Estado Segurança Pública (Sesp) para a Polícia Militar. Serão chamados 400 novos soldados e 30 oficiais para reforçar o efetivo da corporação.

“Esses novos soldados vão se formar em oito cidades-polo do Estado, sendo 50 em cada município, e onde eles se formarem eles vão atuar. Todos serão designados para o interior do Estado, para reforçar ainda mais a segurança de toda a população”, afirmou o governador.

A secretária de Estado de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, ressaltou que a convocação representa mais um avanço no fortalecimento das forças de segurança e no atendimento das demandas da população mato-grossense, especialmente nos municípios do interior do Estado.

“É o planejamento que o Governo do Estado coloca em prática para ampliar a estrutura da segurança pública. Um chamamento extremamente importante, principalmente para atender essas cidades-polo, levando mais segurança para a população”, destacou.

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Fernando Tinoco, explicou que os municípios que vão receber o curso de formação foram escolhidos de forma estratégica para potencializar a atuação da instituição.

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“Esse reforço no efetivo é mais uma camada de segurança que nós levamos para o interior do Estado. Essas cidades que vão sediar a formação dos novos policiais e depois incorporá-los no efetivo foram escolhidas considerando os indicadores criminais. Por isso, nosso objetivo é levar o reforço desde o estágio desses novos policiais, garantindo mais segurança para o cidadão”, observou.

A nova convocação reforça o compromisso do Governo de Mato Grosso com o fortalecimento da segurança pública, que tem recebido, ao longo dos últimos sete anos, investimentos históricos para melhorias no armamento, viaturas, tecnologias e estruturação das unidades, além da valorização dos profissionais.

Desde 2019, o Estado já convocou 1.338 novos profissionais para cargos efetivos na Polícia Militar. A última convocação ocorreu no mês de abril, quando 41 candidatos foram convocados para o cargo de aluno-soldado e 12 para aluno-oficial.

A lista de novos convocados será publicada no Diário Oficial do Estado nos próximos dias.

Acompanharam a agenda o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, os comandantes dos Comandos Regionais de Cuiabá e Várzea Grande e de batalhões da região metropolitana, além da diretoria da Polícia Militar.

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