Mato Grosso
Pivetta escolhe homem de confiança para Casa Civil e sinaliza que não quer Mauro Carvalho de volta ao primeiro escalão
Governador reeleito aposta em Eduardo Manciolli para comandar a articulação política do Estado e reforça a formação de um grupo próprio no Palácio Paiaguás, deixando o ex-secretário Mauro Carvalho fora do núcleo de decisões.
O governador reeleito de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), começou a redesenhar sua equipe de governo e deu um sinal importante sobre os rumos de sua administração a partir de 2027. Nesta terça-feira (13), anunciou o empresário Eduardo dos Santos Manciolli como novo secretário-chefe da Casa Civil, uma das posições mais estratégicas do Palácio Paiaguás.
A escolha vai além de uma simples substituição administrativa. Ao entregar a articulação política do governo a um aliado de sua confiança, Pivetta demonstra que pretende fortalecer seu próprio grupo e reduzir a influência de figuras que tiveram protagonismo nas gestões anteriores, entre elas o ex-secretário Mauro Carvalho.
Embora não exista confirmação pública de que Pivetta tenha declarado não querer Carvalho novamente em sua equipe, a nomeação de Manciolli representa um indicativo político de que o governador pretende seguir com outros nomes na condução da Casa Civil.
Mauro Carvalho perde espaço na estrutura de poder
Mauro Carvalho, empresário e ex-presidente estadual do PRD, ocupou a Casa Civil em diferentes momentos e ganhou destaque como um dos principais articuladores políticos do grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes.
Em abril deste ano, Carvalho foi escolhido pelo próprio Pivetta para comandar a pasta, recebendo elogios públicos por sua experiência e capacidade administrativa.
Entretanto, sua permanência no governo foi interrompida em agosto, após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades relacionadas a um acordo entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Carvalho deixou o cargo após ser citado nas investigações. Ele negou envolvimento em irregularidades e afirmou que dedicaria seu tempo à família, aos negócios e à própria defesa. A investigação, por si só, não representa comprovação de responsabilidade criminal.
Desde então, a Casa Civil passou por um período de transição sob o comando de Adjaime Ramos de Souza, que agora retorna à função de secretário-adjunto de Relações Políticas.
Pivetta quer construir sua própria identidade política
A escolha de Eduardo Manciolli reforça a interpretação de que Pivetta pretende imprimir uma identidade própria ao governo, mesmo mantendo a continuidade administrativa do grupo político que chegou ao poder em 2019.
Reeleito no último dia 4 de outubro, Pivetta conquistou nas urnas a legitimidade para organizar sua equipe e definir quem ocupará os principais espaços de decisão.
Nesse cenário, a Casa Civil é considerada uma peça fundamental. A secretaria funciona como a principal ligação entre o governador, a Assembleia Legislativa, os demais Poderes, as prefeituras e as estruturas administrativas do Estado.
Ao escolher Manciolli, que participou diretamente da articulação de sua campanha de reeleição, Pivetta privilegia uma relação política construída em torno de seu próprio projeto eleitoral.
A movimentação também demonstra que o governador não pretende necessariamente manter todos os compromissos e arranjos políticos construídos durante a administração de Mauro Mendes.
Quem é Eduardo Manciolli?
Natural de Barra do Garças, Eduardo Manciolli é empresário, formado em Direito e Gestão Pública e possui experiência na administração pública.
O novo chefe da Casa Civil ocupou funções na Prefeitura de Barra do Garças e na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Também integrou o Governo do Estado como secretário-chefe de Gabinete, antes de se afastar para participar da campanha eleitoral de Pivetta.
Ligado ao Republicanos, Manciolli é considerado integrante do círculo de confiança do governador e participou das articulações que contribuíram para sua vitória eleitoral.
Sua missão será garantir o diálogo político entre o Executivo e a Assembleia Legislativa, fortalecer o relacionamento com os municípios e ajudar o governador a implementar as medidas previstas para o próximo mandato.
Mudanças podem atingir outros setores do governo
A chegada de Manciolli ocorre em meio à expectativa de novas alterações no primeiro escalão estadual.
Pivetta já sinalizou a intenção de promover ajustes administrativos, buscando redução de despesas, eficiência na máquina pública e melhor integração entre as secretarias.
Para prefeitos, vereadores e lideranças políticas de municípios como Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Diamantino e demais cidades do Médio-Norte, a mudança na Casa Civil merece atenção especial.
A pasta é uma das principais portas de interlocução dos municípios com o Palácio Paiaguás, especialmente nas articulações por investimentos, convênios, obras e projetos de interesse regional.
Com um novo interlocutor político, lideranças municipais deverão acompanhar como serão reorganizadas as relações institucionais com o governo estadual.
Novo governo, novos protagonistas
A decisão de Pivetta evidencia uma movimentação natural, mas politicamente significativa: a formação de um núcleo de confiança para o mandato conquistado nas urnas.
Mauro Carvalho, que já ocupou posição de destaque na estrutura estadual, permanece fora da Casa Civil e não teve anunciado, até o momento, um novo espaço no primeiro escalão.
A escolha de Eduardo Manciolli não comprova um rompimento pessoal ou político entre os dois, mas reforça que Pivetta decidiu entregar a principal função de articulação de seu governo a outro aliado.
O movimento poderá influenciar o equilíbrio de forças dentro do Palácio Paiaguás e a relação do Executivo com diferentes grupos políticos de Mato Grosso.
Com a reeleição assegurada e o novo mandato previsto para começar em janeiro de 2027, Otaviano Pivetta começa a deixar claro que, embora mantenha a continuidade de um projeto administrativo, pretende escolher seus próprios protagonistas para os próximos quatro anos.
Economia
Pivetta inicia revisão de gastos e sinaliza gestão focada em economia e eficiência em Mato Grosso
Governador avalia cortes, revisão de despesas e ajustes na máquina pública com objetivo de manter equilíbrio fiscal e priorizar investimentos essenciais
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, iniciou uma revisão na estrutura administrativa do Estado com foco na redução de gastos, controle das despesas e busca por maior eficiência na utilização dos recursos públicos. A medida abre uma nova etapa na gestão estadual e pode resultar em cortes, reorganização de contratos e revisão de despesas consideradas não prioritárias.
A iniciativa, noticiada inicialmente pelo portal Baixada Cuiabana como um “pente-fino” na máquina pública, ocorre em um momento em que Pivetta também afirma que pretende manter o modelo de gestão adotado pelo Governo de Mato Grosso nos últimos anos, corrigindo pontos que necessitem de ajustes. Em declaração oficial nesta semana, o governador disse que pretende “evoluir, corrigir pontos que precisam ser corrigidos e levar para frente o que está funcionando bem”.
A tendência é que a revisão alcance diferentes áreas da administração, com análise de despesas, contratos, estruturas e prioridades. O objetivo é identificar onde o Estado pode economizar sem comprometer a prestação dos serviços públicos considerados essenciais.
Economia como instrumento de gestão
Mais do que simplesmente cortar despesas, a estratégia sinaliza uma tentativa de fazer com que a estrutura do Estado funcione com menor custo administrativo e maior capacidade de investimento.
O controle das despesas também encontra respaldo nas próprias regras orçamentárias de Mato Grosso. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 estabelece, por exemplo, que a relação entre despesas correntes e receitas correntes do Estado não poderá ultrapassar 95%. A legislação ainda exige acompanhamento de impacto econômico e social de políticas públicas.
Na prática, controlar o crescimento das chamadas despesas correntes — gastos necessários à manutenção da máquina pública — pode ampliar a margem do governo para direcionar recursos para obras, saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Essa preocupação não é nova dentro da administração estadual. O próprio modelo implantado a partir de 2019 foi marcado por medidas de ajuste fiscal, reorganização das contas públicas e redução de desperdícios, segundo avaliação apresentada pelo ex-governador Mauro Mendes ao deixar o cargo.
Gestão deve priorizar resultados
Pivetta tem defendido publicamente uma administração voltada a resultados. Ao assumir o Governo do Estado em 2026, afirmou que faria as correções de rumo que considerasse necessárias para manter o equilíbrio administrativo e ampliar o chamado “lucro social” das ações governamentais.
A revisão de gastos pode, portanto, representar mais do que uma redução pontual de despesas. Ela também permite ao governo avaliar se programas, contratos e estruturas estão oferecendo resultados compatíveis com os recursos empregados.
Dentro dessa lógica, despesas que apresentam baixo retorno administrativo ou social podem perder espaço, enquanto áreas consideradas estratégicas tendem a ser preservadas.
Saúde, educação, segurança e infraestrutura estão entre as prioridades
Mesmo com a perspectiva de cortes, Pivetta já indicou que algumas áreas deverão continuar recebendo atenção especial.
O governador afirmou que saúde será prioridade nos próximos quatro anos, citando como objetivos a redução das filas, ampliação dos atendimentos e fortalecimento da rede hospitalar. Educação, infraestrutura e segurança também foram apresentadas como setores prioritários de sua administração.
Isso significa que o desafio da nova gestão será conciliar duas frentes: reduzir gastos administrativos e desperdícios sem prejudicar investimentos e serviços diretamente percebidos pela população.
Equilíbrio fiscal amplia capacidade de investimento
A experiência recente de Mato Grosso mostra que equilíbrio das contas públicas pode ter influência direta na capacidade de investimento do Estado.
A Secretaria de Fazenda acompanha bimestralmente receitas, despesas e indicadores fiscais por meio dos boletins orçamentários, instrumento utilizado justamente para avaliar a situação das finanças estaduais e a execução das políticas públicas.
Nos últimos anos, Mato Grosso também registrou crescimento econômico e expansão dos investimentos públicos e privados. Dados divulgados pelo Governo apontam que o Estado se consolidou como uma das maiores economias do país e manteve investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança.
O desafio agora será preservar essa capacidade de investimento diante de uma administração que pretende examinar com maior rigor o funcionamento da máquina pública.
Menos desperdício e mais recursos na ponta
A discussão sobre corte de gastos costuma ganhar atenção pelo impacto que pode provocar dentro do próprio governo. Entretanto, a efetividade da medida dependerá principalmente de quais despesas serão reduzidas.
Cortes em desperdícios, estruturas redundantes, contratos pouco eficientes e despesas administrativas podem liberar recursos para investimentos. Por outro lado, reduções em áreas diretamente relacionadas ao atendimento da população podem provocar efeitos sobre a qualidade dos serviços.
Por isso, o “pente-fino” anunciado pela gestão Pivetta deverá ser acompanhado também pela definição das prioridades do novo governo.
O movimento indica que economia, eficiência administrativa e controle dos gastos deverão ocupar espaço importante na agenda do Palácio Paiaguás, enquanto o governo busca manter investimentos e serviços públicos considerados estratégicos.
A mensagem inicial da gestão é de que gastar menos não significa necessariamente fazer menos, mas tentar fazer com que cada recurso público produza resultados maiores para a população.
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