Agro Notícias
Força do agronegócio de Nova Mutum, Diamantino e região impulsiona exportações de MT, que chegam a US$ 26,5 bilhões em 2026

Produção de soja, milho, algodão e carne bovina coloca o Médio-Norte mato-grossense em posição estratégica no comércio internacional; somente em setembro, o Estado exportou US$ 2,1 bilhões para 115 países
A força do agronegócio de Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Sorriso e demais municípios do Médio-Norte de Mato Grosso tem participação estratégica no desempenho das exportações estaduais. Com uma economia fortemente ligada à produção de grãos, pecuária e agroindústria, a região integra uma das principais cadeias produtivas responsáveis pelo abastecimento do mercado nacional e internacional.
Somente em setembro de 2026, Mato Grosso exportou US$ 2,1 bilhões em produtos para 115 países, consolidando-se como o sexto maior estado exportador do Brasil, responsável por 6% das vendas brasileiras ao exterior.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec-MT), com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado é ainda mais expressivo no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, as exportações mato-grossenses alcançaram US$ 26,5 bilhões, crescimento de 16,9% em comparação com o mesmo período de 2025. O avanço representa US$ 3,8 bilhões adicionais em vendas internacionais.
Nova Mutum e Diamantino integram importante polo de produção agrícola
A região formada por Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Sorriso, São José do Rio Claro e municípios vizinhos possui uma economia diretamente ligada ao agronegócio, com destaque para o cultivo de soja, milho e algodão, além da criação de bovinos e da transformação industrial de produtos agrícolas.
Em Nova Mutum, a cadeia produtiva vai além das lavouras. O município concentra atividades de armazenagem, transporte, comercialização e processamento de grãos, além de empreendimentos agroindustriais que agregam valor à produção regional.
Diamantino também ocupa posição relevante na agricultura mato-grossense, com extensas áreas destinadas à produção de grãos e fibras, além da pecuária. A atividade rural movimenta empresas fornecedoras de máquinas, fertilizantes, defensivos, serviços especializados e transporte de cargas.
A proximidade entre esses municípios fortalece a integração da produção e transforma o Médio-Norte em um corredor econômico importante para o escoamento das commodities agrícolas.
Embora os números divulgados pela Sedec sejam referentes ao conjunto de Mato Grosso, a relevância produtiva desses municípios demonstra a importância da região na cadeia exportadora estadual.
Milho lidera exportações e movimenta US$ 641 milhões
O milho foi o principal produto exportado por Mato Grosso em setembro, com vendas de US$ 641,1 milhões, equivalentes a 30,3% de todo o valor comercializado pelo Estado no mercado internacional.
Na sequência aparecem a soja, com US$ 354 milhões, a carne bovina congelada, com US$ 257,5 milhões, o farelo de soja, com US$ 249,3 milhões, e o algodão, responsável por US$ 163,3 milhões.
O desempenho do milho é especialmente importante para o Médio-Norte, onde a cultura de segunda safra ocupa grandes áreas agrícolas e representa uma fonte relevante de renda para produtores rurais, transportadoras, armazéns e empresas do setor.
Além da exportação direta, o cereal também abastece indústrias de etanol de milho e cadeias de produção animal, ampliando sua importância econômica.
China lidera compras de produtos mato-grossenses
A China permanece como o principal destino das exportações de Mato Grosso. Em setembro, o país asiático comprou US$ 342,3 milhões em produtos estaduais, o equivalente a 16,2% do total exportado.
Países Baixos, Egito, Irã e Espanha também figuraram entre os principais compradores.
A presença dos produtos de Mato Grosso em 115 países demonstra a dimensão internacional do agronegócio estadual e a importância da manutenção da competitividade das cadeias produtivas.
Para produtores de Nova Mutum, Diamantino e região, o comportamento do mercado internacional influencia diretamente as perspectivas de comercialização, os preços das commodities e as decisões de investimento nas propriedades rurais.
Agroindustrialização amplia oportunidades para a região
Um dos principais desafios para Mato Grosso é ampliar o processamento da produção agrícola dentro do próprio Estado, reduzindo a dependência da exportação de matérias-primas e aumentando a geração de empregos e renda.
Nova Mutum e Lucas do Rio Verde já se destacam pela presença de atividades agroindustriais, incluindo o processamento de grãos, produção de biocombustíveis e outras cadeias relacionadas ao agronegócio.
O crescimento dessas atividades representa uma oportunidade para toda a região, especialmente pela possibilidade de ampliar a demanda por mão de obra qualificada, serviços, transporte e fornecimento de matérias-primas.
A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que o governo busca transformar a força exportadora do Estado em novas oportunidades industriais.
A estratégia é estimular investimentos capazes de agregar valor à produção, permitindo que uma parcela maior da riqueza gerada nas lavouras e na pecuária permaneça em Mato Grosso.
Exportações crescem, mas custos de produção continuam preocupando
Apesar do crescimento acumulado em 2026, os dados de setembro também revelam desafios para o setor.
Na comparação com agosto, as exportações estaduais recuaram 12,6%. Em relação a setembro de 2025, a redução foi de 6,2%, enquanto o volume embarcado caiu 23,7%, totalizando 4,75 milhões de toneladas.
Outro ponto de atenção está na dependência de insumos importados. Dos US$ 233 milhões gastos por Mato Grosso com importações em setembro, 54,5% corresponderam a fertilizantes nitrogenados, potássicos e fosfatados. Defensivos agrícolas e reguladores de crescimento representaram outros 22,7%.
Esses produtos são fundamentais para a agricultura de alta produtividade praticada em Nova Mutum, Diamantino e municípios vizinhos, tornando o setor sensível às oscilações do câmbio e dos preços internacionais.
Mesmo diante desses desafios, Mato Grosso encerrou os nove primeiros meses de 2026 com saldo positivo de US$ 24,5 bilhões na balança comercial, crescimento de 17,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho reforça o protagonismo do agronegócio na economia mato-grossense e evidencia a importância de regiões produtoras como o Médio-Norte para a competitividade do Estado.
Para Nova Mutum, Diamantino e os municípios vizinhos, o desafio é transformar a força da produção agrícola em desenvolvimento econômico cada vez mais diversificado, com investimentos em infraestrutura, industrialização, tecnologia e geração de empregos.
Dados estaduais conferidos no boletim da Sedec-MT, divulgado em 13 de outubro de 2026. O destaque regional é contextual, pois o levantamento consultado não apresenta a participação individual dos municípios nas exportações de setembro.
Agro Notícias
Projeto de agricultura familiar de Nova Mutum conquista reconhecimento internacional e beneficia mais de 187 famílias
Iniciativa desenvolvida pelo município ganha espaço em plataforma internacional ligada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e se destaca pela geração de renda, valorização das mulheres e fortalecimento da produção rural.
Nova Mutum ganhou visibilidade internacional com a inclusão do projeto Centro Produtivo Mutum na Urban SDG Knowledge Platform, plataforma que reúne experiências de desenvolvimento sustentável alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa coloca o município em evidência pelas ações de incentivo à agricultura familiar, geração de oportunidades e fortalecimento da economia rural.
O estudo foi elaborado por Maicon Domingues de Vargas, coordenador do Departamento Agropecuário da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), e apresenta os resultados de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento dos pequenos produtores.
Atualmente, mais de 187 famílias são beneficiadas pelas iniciativas, que incluem feiras itinerantes, estruturação do Centro de Distribuição da Agricultura Familiar e implantação de uma unidade destinada ao processamento de hortaliças.
Mulheres ganham protagonismo na produção rural
Um dos principais destaques do projeto é a participação feminina nas atividades produtivas. Conforme o levantamento, 64% dos feirantes ativos são mulheres, enquanto 33% das propriedades leiteiras são administradas por produtoras rurais.
Os números demonstram a importância das mulheres no fortalecimento da agricultura familiar e na geração de renda para as famílias do campo.
Outro resultado significativo está relacionado à sucessão familiar. Segundo o estudo, 55% dos produtores informaram que seus filhos permanecem envolvidos nas atividades rurais, contribuindo para a continuidade da produção e a valorização do trabalho no campo.
Produção local chega à alimentação de milhares de estudantes
O projeto também apresenta resultados na segurança alimentar. Mais de 13,9 mil estudantes são atendidos com alimentos frescos e rastreáveis na alimentação escolar, aproximando a produção dos agricultores familiares do consumo nas unidades de ensino.
Considerando as diferentes ações integradas, o levantamento estima que aproximadamente 60 mil moradores sejam alcançados pelas iniciativas desenvolvidas no município.
Além de fortalecer a renda dos produtores, o modelo contribui para a circulação de recursos na economia local, incentiva o consumo de alimentos produzidos na região e amplia as oportunidades de comercialização.
Experiência de Nova Mutum poderá servir de referência para outras cidades
A publicação internacional ocorreu durante a participação de Nova Mutum na quinta edição do SDG City Awards 2026, premiação que recebeu quase 100 inscrições de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento sustentável.
Embora não tenha figurado entre os sete finalistas, o município teve sua experiência incorporada ao banco internacional de estudos de caso, permitindo que suas práticas sejam conhecidas e consultadas por gestores e pesquisadores de diferentes localidades.
Para Maicon Domingues de Vargas, a divulgação representa o reconhecimento de um esforço coletivo voltado ao fortalecimento dos pequenos produtores e amplia as possibilidades de compartilhamento das experiências desenvolvidas em Nova Mutum.
O reconhecimento reforça a importância da agricultura familiar em um município cuja economia possui forte ligação com o agronegócio. Ao lado da produção agrícola em grande escala, os pequenos produtores também desempenham papel relevante na geração de empregos, no abastecimento alimentar e na diversificação econômica.
Com os resultados alcançados, Nova Mutum passa a integrar uma vitrine internacional de boas práticas, demonstrando como investimentos em organização produtiva, inclusão social e políticas públicas podem contribuir para o desenvolvimento sustentável dos municípios.
Fonte das informações: reportagem do Power Mix, publicada em 13 de outubro de 2026, com base no estudo sobre o Centro Produtivo Mutum.
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