Justiça
Empresários de MT são multados em até R$ 147 milhões por fechar BR, veja a lista

Centenas de bolsonaristas de Mato Grosso e outros estados escobriram recentemente que estão endividados até o pescoço por causa dos bloqueios antidemocráticos em rodovias contestando o resultado das eleições de 2022, vencidas por Lula. Não é pouca coisa: são multas que vão de R$ 100 mil a R$ 15,5 milhões, aplicadas tanto a pessoas físicas quanto a empresas de transporte.
O valor mínimo é para interdições de até uma hora, com incremento de R$ 100 mil a cada hora adicional de infração e para cada veículo de um mesmo proprietário. Os critérios do cálculo foram apresentados pela AGU e referendados pelo STF.
O empresário de Nova Mutum/MT, Adriano Bortolotto, incluído entre os alvos de multas que ultrapassam R$ 1,2 bilhão determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou ao site Power Mix que não teve participação direta nos bloqueios de rodovias após o segundo turno das eleições de 2022.
A declaração foi feita em conversa por WhatsApp com o jornalista Wesley Moreno, na qual o empresário apresentou sua versão sobre o caso.
Bortolotto foi multado em R$ 147,1 milhões, um dos maiores valores entre os citados na decisão, ao lado do empresário Joel Vila Nova, também penalizado em R$ 147,1 milhões, e da empresária Camila Tessèle Cargnelutti, multada em R$ 146,5 milhões.
Durante a conversa, o empresário esclareceu que o veículo associado aos atos já havia sido vendido antes dos fatos investigados. Segundo ele, o automóvel foi adquirido em agosto de 2022 e repassado em outubro do mesmo ano a um comprador de Lucas do Rio Verde/MT.
De acordo com Bortolotto, o problema ocorreu porque o novo proprietário não realizou a transferência junto ao Detran, e ele próprio também não formalizou a comunicação de venda. Com isso, o veículo permaneceu registrado em seu nome no momento em que teria sido utilizado em atos no dia 8 de janeiro de 2023.
“Eu tinha o recibo, tinha foto do recibo, mas o carro ainda estava no meu nome”, relatou.
Ainda conforme o empresário, ele conseguiu evitar a prisão ao apresentar documentos que comprovariam a negociação do veículo. Ele estima ter gasto entre R$ 50 mil e R$ 70 mil com defesa jurídica, além de já ter pago duas multas iniciais de R$ 10 mil cada.
Apesar de constar na decisão judicial, Bortolotto afirmou que não teve bens bloqueados até o momento. Segundo ele, o processo segue em andamento e o suposto responsável direto pelos atos, o comprador do veículo, estaria preso.
“A dívida existe e meu nome consta, mas o caso ainda está sendo apurado”, declarou.
A decisão do STF estabelece multa de R$ 100 mil por hora de interdição de rodovia para pessoas jurídicas, com acréscimos progressivos, além de R$ 20 mil por hora para pessoas físicas que permaneceram nos bloqueios.
Ao todo, 177 proprietários de veículos foram identificados nas investigações. Em Mato Grosso, cerca de R$ 685 milhões em multas recaem sobre empresários e empresas. O caso teve origem em comunicações do Ministério Público de Mato Grosso ao STF sobre a continuidade de atos considerados antidemocráticos, mesmo após ordens judiciais de desbloqueio.
A execução das penalidades está sendo conduzida pela Justiça Federal do Paraná, responsável por processar a cobrança conforme o domicílio dos envolvidos.
Veja a lista:
Em dezembro passado, o STF homologou os valores individualizados — com base em dados da PRF — e confirmou a execução das multas na Justiça Federal. Há cerca de um mês, Alexandre de Moraes delegou aos juízes do foro de cada devedor os atos necessários à liquidação.
Agora, cabe à União realizar as cobranças.
LISTA DE MULTADOS
ADRIANO BORTOLOTTO — R$ 147.100.000,00
AGROPECUARIA L.R. LTDA ME — R$ 10.000.000,00
AILTON DE JESUS BOMFIM — R$ 1.700.000,00
ALBERTO LUIZ BOZZ — R$ 15.600.000,00
ALBINO CARDOSO LUIZ — R$ 100.000,00
ALDEMIR PEREIRA GARUZZI — R$ 2.800.000,00
ALDUIR JOSE CENEDEESE — R$ 3.900.000,00
ALMIR RODRIGUES DO NASCIMENTO — R$ 2.800.000,00
ANDREIA APARECIDA CARNEIRO PIRES — R$ 3.300.000,00
ANDREIA NUNES DE SOUZA — R$ 2.900.000,00
ANTONIO MARCOS KUPSKE — R$ 2.100.000,00
ARLETE DA SILVA COSTA — R$ 3.900.000,00
ASSOCIACAO BRASILEIRA DE DOWNSTREAM (ABD) — R$ 3.400.000,00
ATLANTIDA NUTRIÇÃO ANIMAL LTDA — R$ 800.000,00
BANCO RODOBENS S.A. — R$ 3.300.000,00
BANCO VOLVO (BRASIL) S.A. — R$ 4.000.000,00
BIA CAR TRANSPORTE E TURISMO LTDA EPP — R$ 2.900.000,00
C D C CARGAS E LOGISTICA LTDA — R$ 2.800.000,00
CAMILA TESSÈLE CARGNELUTTI — R$ 147.100.000,00
CAMPOS & SOUZA LTDA — R$ 1.600.000,00
CARLOS ALBERTO STRABELLI — R$ 3.500.000,00
CARLOS ROBERTO DE LIMA — R$ 2.900.000,00
CLAUDIA MARA RIBEIRO DA COSTA — R$ 1.500.000,00
CLAUDIO CESAR MARTINS — R$ 3.200.000,00
CLAUDIO DA SILVA — R$ 6.400.000,00
CLECIO JOSE DE ALMEIDA — R$ 3.200.000,00
CLENIO JOSE DE ALMEIDA — R$ 3.200.000,00
COMERCIAL BEIRÃO DA SERRA LTDA — R$ 2.000.000,00
COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO OURO VERDE DO MATO GROSSO – SICREDI OURO VERDE MT — R$ 4.400.000,00
COOPERATIVA DE TRANSPORTE MONTENEGRO LTDA — R$ 3.600.000,00
DALILA LERMEN EIRELI — R$ 100.000,00
DANIELA CRISTINA CARNIELETTO — R$ 3.900.000,00
DASF – INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA – ME — R$ 1.000.000,00
DEIVID JUSTI — R$ 4.000.000,00
DIOGO PALUDO — R$ 3.400.000,00
DIOMIR DEL POSSO ME — R$ 15.500.000,00
DIONAS MICHEL KOZLOWSKI MALLMANN — R$ 100.000,00
DIRCEU OGLIARI — R$ 100.000,00
DIVINO RUBENS CARDOSO — R$ 3.400.000,00
DORIZAN GONCALVES DE JESUS CARVALHO — R$ 7.700.000,00
E A FELL COMÉRCIO DE MUDAS LTDA. – EPP — R$ 2.800.000,00
ECO-PAK INDUSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA. — R$ 800.000,00
ECO-PACK INDÚSTRIA DE REFRIGERANTES LTDA — R$ 1.500.000,00
EDINEIA DE OLIVEIRA NASCIMENTO — R$ 3.500.000,00
EDSON ADEIZO BORBA — R$ 2.300.000,00
ELAINE APARECIDA RODRIGUES — R$ 800.000,00
ELETROMAR MOVEIS E ELETROD. LTDA — R$ 100.000,00
ELIANE TERESINHA MENEGUCI — R$ 3.200.000,00
ELISANGELA APARECIDA DE ARRUDA — R$ 3.500.000,00
ELIZETE SANTANA DE ALMEIDA — R$ 1.500.000,00
EMERSON TEIXEIRA SILVA — R$ 100.000,00
ENGEMAQ COMPONENTES PARA TRATORES LTDA — R$ 3.400.000,00
ERNESTO SANTO SIRLONI SETTE ME — R$ 100.000,00
ESPFRUTAS COMÉRCIO DE HORIFRUTIGRANJEIROS LTDA-EPP — R$ 2.100.000,00
EVANDRO BEDIN — R$ 100.000,00
EVANDRO ROBERTO CORTEZIA — R$ 100.000,00
EVERTON DAL MOLIN — R$ 100.000,00
EXPRESSO VITORIA LTDA-ME — R$ 2.800.000,00
FABIO BEDIN — R$ 2.500.000,00
FABIO ROMANZINI — R$ 100.000,00
FERNANDO BEDIN — R$ 100.000,00
FERNANDO CHIOCA — R$ 3.400.000,00
FERNANDO DUFFEK — R$ 100.000,00
FERMAP TRANSPORTES LTDA — R$ 100.000,00
FUHR TRANSPORTES EIRELI — R$ 100.000,00
G O FERREIRA JUNIOR-SERVICOS E TRANSPORT — R$ 100.000,00
GAPE SERVICOS DE TRANSPORTES LTDA — R$ 100.000,00
GEILSON FERNANDO DA SILVA — R$ 147.100.000,00
GEISON STREGE — R$ 8.200.000,00
GELSON LUIS SUTILI LTDA — R$ 2.100.000,00
GESSIONE NUNES DA SILVA EIRELI — R$ 3.400.000,00
GILMAR STANIE — R$ 2.100.000,00
GILVAN JOSE FRANCO NETO — R$ 1.500.000,00
GRACA IND. DE ALIMENTOS LTDA — R$ 100.000,00
GRUPO MASTER GRAOS — R$ 100.000,00
HELIO TORRES DA SILVA — R$ 100.000,00
HENRIQUE ALCEU BELLONI MOGNON — R$ 100.000,00
HENRIQUE EBELING — R$ 9.500.000,00
HENRIQUE FREIRA BRAZ — R$ 6.500.000,00
HENRIQUE MARTIN BEBERTO BERTOLDO — R$ 4.500.000,00
HILTON JOSE DOS SANTOS — R$ 1.600.000,00
HIPERMADE COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA.- EPP — R$ 4.800.000,00
INPASA AGROINDUSTRIAL S/A — R$ 100.000,00
IRMGARD MULLER DE PAULA — R$ 3.600.000,00
ITAMAR MARCELINO GONSALVES — R$ 3.400.000,00
IVO VENDRUSCOLLO — R$ 100.000,00
J. SILVEIRA TRANSPORTES LTDA. — R$ 2.100.000,00
JOAO DARCI GIUSTI JUNIOR — R$ 100.000,00
JOEL VILA NOVA — R$ 147.100.000,00
JOSE CARLOS PEDRASSANI — R$ 100.000,00
JOSE ROBERTO VINHA FILHO — R$ 2.200.000,00
JOSIAS IGOR FERREIRA MARINHO — R$ 8.800.000,00
JOYCE BARBOSA DE SOUZA GONCALVES — R$ 12.900.000,00
JP TRANSPORTES E LOCACOES DE MAQ — R$ 100.000,00
JRC DE ANDRADE NETO INDUSTRIA E COMERCIO — R$ 7.200.000,00
JV COM DE TINTAS E MATERIAIS DE COSNT LT — R$ 1.000.000,00
KAIO FURLAN ANDREASSE — R$ 700.000,00
KAIMLA GONCALVES BARBOSA — R$ 1.300.000,00
KARINA GONZALEZ SANCHES — R$ 8.000.000,00
KAROLYNE VITORIA LIMA VIANA — R$ 2.000.000,00
KASSIA BARBOSA BARROS — R$ 6.400.000,00
KATIANE SILVEIRA VAZ EIRELI — R$ 1.400.000,00
KLINSMAN AMENSMORI ROAS — R$ 800.000,00
LARYSIA GOUVEIA — R$ 3.400.000,00
LEOCIR BELMIRO PASQUALI — R$ 100.000,00
LIZANDRO DE LIMA — R$ 800.000,00
LORENI TERESINHA GEMELLI — R$ 3.600.000,00
LUCIANO BEDIN — R$ 100.000,00
LUIMAR LUIZ GEMI — R$ 100.000,00
M C PRODUTOS AGRO PECUARIOS LTDA — R$ 3.600.000,00
M K CANCHILHERI E CIA LTDA — R$ 8.000.000,00
M. C. NERVIO E CIA LTDA-ME — R$ 8.000.000,00
MADEMARI IND E COMERCIO DE PVC LTDA — R$ 100.000,00
MAIKO BENDER — R$ 2.800.000,00
MANOEL PIRES TRANSPORTES – ME — R$ 2.100.000,00
MAPRE PRE-MOLDADOS LTDA — R$ 100.000,00
MARCELO KNAPIK — R$ 100.000,00
MARCOS ROBERTO JARDIM — R$ 2.100.000,00
MARIA LUIZA TUPICZ ELERT — R$ 6.400.000,00
MARILUCI RIVA — R$ 6.400.000,00
MARIO ROSA VIRTUOSO — R$ 1.600.000,00
MASTER LOG LTDA — R$ 100.000,00
MAURO IVOGLO E CIA LTDA — R$ 100.000,00
MENEZES SO PICINAS E AQUECEDORES LTDA — R$ 3.400.000,00
MEQUIADES DA SILVA EURIDES — R$ 2.100.000,00
METALURGICA BERNARDI EIRELI – ME — R$ 5.300.000,00
MIGUEL GERALDO PEREIRA LOC — R$ 1.600.000,00
MILLENA MARYE VOLKWEIS SEGURA — R$ 3.400.000,00
MIREIA MAGALHAES ORBOLATO BARBOSA — R$ 3.400.000,00
MIRIAM FLORA DE FARIAS — R$ 3.400.000,00
MIRO TRANSPORTES LTDA — R$ 3.300.000,00
MOACIR ROGUES VISCARDI — R$ 1.600.000,00
MURIANA TRANSPORTES LTDA — R$ 100.000,00
MURILO MAYKE ARAUJO RODRIGUES — R$ 100.000,00
MZ TRANSPORTES DE CARGAS LTDA — R$ 100.000,00
NEUZI DOS SANTOS PINTO — R$ 1.600.000,00
NEUZAVINA DOS REIS COSTA — R$ 1.600.000,00
NEVIO BEDIN — R$ 100.000,00
NICODEMAS DA COSTA OLIVEIRA — R$ 3.400.000,00
NILCE GRAINELLA MENEGUETTI — R$ 8.200.000,00
NILCEIA JOVINA PULQUEIRO — R$ 5.500.000,00
NILSON BEDIN — R$ 100.000,00
NIPOFLEX SERVICOS ADMINISTRATIVOS — R$ 800.000,00
NORTEC COM REP PROD AGROP LTDA — R$ 100.000,00
ODAIR JOSEE FOPPA — R$ 2.800.000,00
PAGON TRANSPORTES LTDA — R$ 100.000,00
PARANA MAT. DE CONSTRUCOES LTDA — R$ 100.000,00
PAULO CEZAR KERBER — R$ 100.000,00
PEREIRA REP EM MAQ E IMP AGRICOLAS LTDA — R$ 100.000,00
PETRODAKAR TRANSPORTES — R$ 100.000,00
PONTO CERTO MADEIRAS LTDA — R$ 6.400.000,00
POTRICH TRANSPORTES LTDA — R$ 100.000,00
PRISCILA P. CORREA R. DE SOUZA — R$ 100.000,00
RAFAEL BEDIN — R$ 100.000,00
RAMPONI TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO LTDA ME — R$ 2.100.000,00
RESUTO & RESUTO LTDA — R$ 2.500.000,00
ROBERTO CARLOS DE ABREU — R$ 100.000,00
RODOMILLI TRANSPORTES RODOVIÁRIOS – EIRELI — R$ 2.800.000,00
SERRA LOGISTICA E TRANSPORTES LTDA — R$ 2.500.000,00
SILVEIRA & GAVA TRANSPORTE E LOGÍSTICA LTDA. – ME — R$ 2.300.000,00
SORAIA APARECIDA DE SOUZA — R$ 2.100.000,00
TFA – TRANSPORTE FLORESTA DO ARAGUAIA PLANTIO LTDA — R$ 1.300.000,00
TIAGO GIACOMO NONATO E CIA LTDA — R$ 2.100.000,00
TOMBINI & CIA. LTDA. — R$ 3.500.000,00
TRANS FASSINI LTDA- ME — R$ 3.300.000,00
TRANSPORTADORA FERREIRA COSTA COMÉRCIO E TRANSPORTES EIRELI — R$ 2.300.000,00
TRANSPORTADORA GERBI LTDA — R$ 1.300.000,00
TRANSPORTADORA IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA LTDA — R$ 2.600.000,00
TRANSPORTADORA MZ DE PINHALZINHO LTDA — R$ 2.600.000,00
TRANSPORTES BOTUVERA LTDA — R$ 1.500.000,00
TRANSPORTES CAVALINHO LTDA. — R$ 2.100.000,00
TRANSPORTES IDAMAR LTDA ME — R$ 2.100.000,00
TRANSPORTES MANJU LTDA — R$ 2.800.000,00
TRANSPORTES MARVEL LTDA — R$ 2.100.000,00
TRANSPORTES NITRAM LTDA — R$ 3.500.000,00
VALDECIR BEDIN — R$ 2.800.000,00
VANDERLEI DREWS — R$ 2.100.000,00
VEC LOCAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. — R$ 3.300.000,00
VILMAR FERNANDES DA SILVA — R$ 800.000,00
WILSON ANTONIO BASTIAN ME — R$ 3.400.000,00
ZOPONEN ENGENHARIA E COMERCIO LTDA — R$ 1.300.000,00
TOTAL GERAL — R$ 646.960.000,00
Cibercrime
TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar
Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).
A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.
A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.
Credenciais de usuários foram acessadas
Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.
O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.
Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.
Suspeita envolve malote judiciário digital
Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.
A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.
O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.
Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.
O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.
“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.
Prazos processuais foram suspensos
Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.
A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.
Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:
- peticionamento eletrônico;
- consulta processual;
- acesso a sistemas externos;
- atendimento regular ao público;
- sessões que dependam dos sistemas afetados.
Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.
A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.
Serviços urgentes continuam funcionando
Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.
A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.
Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.
Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.
Investigação busca identificar origem e extensão do ataque
A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.
Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.
Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.
A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.
O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.
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