É Direito
Juíza manda penhorar rebanho de empresário por dívida que ultrapassa R$ 17 milhões

A juíza Ana Paula da Veiga Carlota Miranda, da 3ª Vara Cível de Cuiabá, determinou a penhora de suínos da Suinobras Alimentos Ltda., empresa do empresário Reinaldo Morais, conhecido como “Rei do Porco”, para garantir o pagamento de dívidas que, somadas, ultrapassam R$ 17 milhões com a Poli-Nutri Alimentos.
A decisão foi proferida em uma das ações de cobrança movidas pela empresa de nutrição animal, na qual o débito atualizado chega a R$ 3.649.267,71, referente a compras realizadas entre maio de 2022 e abril de 2023. Segundo os autos, os produtos foram entregues com emissão de notas fiscais, mas, a partir de 2022, a Suinobras teria deixado de cumprir as obrigações financeiras.
Para justificar o pedido de penhora, a Poli-Nutri informou ainda a existência de outras duas ações de cobrança contra o empresário: uma na 7ª Vara Cível de Maringá, no valor de R$ 3,646 milhões, e outra na 10ª Vara Cível de Cuiabá, que soma R$ 10,2 milhões. Atualizados, os débitos chegam a aproximadamente R$ 17 milhões.
Após tentativas frustradas de localizar ativos financeiros e imóveis para garantir a execução, a credora solicitou medidas mais rigorosas.
Suínos como principal patrimônio
Ao analisar o caso, a magistrada autorizou a penhora de semoventes, especificamente suínos das granjas da empresa. Ela destacou que os animais constituem o núcleo da atividade econômica da Suinobras.
Na decisão, a juíza ressaltou que a empresa mantém atividade pecuária de grande porte, com faturamento anual de R$ 167 milhões e lucro mensal estimado em R$ 3,6 milhões, o que demonstraria capacidade econômica para quitar a dívida.
Ela também citou o artigo 835, inciso VII, do Código de Processo Civil, que prevê expressamente a possibilidade de penhora de semoventes quando esses bens representam a principal fonte de receita do executado.
Empresa permanece com a guarda
Apesar de autorizar a constrição dos animais, a magistrada negou a remoção imediata do rebanho. A própria Suinobras foi nomeada fiel depositária, ficando responsável pela guarda e manutenção dos suínos até ulterior deliberação judicial.
A decisão reforça o entendimento de que, diante da ausência de outros bens passíveis de bloqueio, a penhora pode recair sobre o principal ativo produtivo da empresa para assegurar o cumprimento da obrigação.
Fonte Olhar Juridico
É Direito
Gilmar Mendes rejeita rotular facções como terroristas e alerta para perda de controle do Estado sobre presídios

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, manifestou-se de forma contundente contra a proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, defendendo que o foco do país deve estar no fortalecimento do controle estatal sobre o sistema prisional e no enfrentamento estratégico do crime organizado. A declaração foi feita durante um evento realizado em Cuiabá, onde o magistrado abordou um dos temas mais sensíveis da segurança pública nacional.
O debate ganhou força após sinalizações do governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, de que avalia enquadrar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida abriria caminho para sanções econômicas mais severas e até operações conjuntas internacionais de combate a essas organizações.
Gilmar Mendes, no entanto, rechaçou essa possibilidade ao afirmar que a simples mudança de classificação não resolve o problema estrutural enfrentado pelo Brasil. Segundo ele, o desafio central está na retomada do controle das instituições sobre o sistema penitenciário, hoje amplamente influenciado por facções criminosas. O ministro alertou para o risco crescente da chamada “faccionização” nas unidades prisionais, fenômeno que fortalece essas organizações e amplia seu poder para além dos muros das cadeias.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, manifestou-se de forma contundente contra a proposta de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, defendendo que o foco do país deve estar no fortalecimento do controle estatal sobre o sistema prisional e no enfrentamento estratégico do crime organizado. A declaração foi feita durante um evento realizado em Cuiabá, onde o magistrado abordou um dos temas mais sensíveis da segurança pública nacional.
O debate ganhou força após sinalizações do governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, de que avalia enquadrar facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A medida abriria caminho para sanções econômicas mais severas e até operações conjuntas internacionais de combate a essas organizações.
Gilmar Mendes, no entanto, rechaçou essa possibilidade ao afirmar que a simples mudança de classificação não resolve o problema estrutural enfrentado pelo Brasil. Segundo ele, o desafio central está na retomada do controle das instituições sobre o sistema penitenciário, hoje amplamente influenciado por facções criminosas. O ministro alertou para o risco crescente da chamada “faccionização” nas unidades prisionais, fenômeno que fortalece essas organizações e amplia seu poder para além dos muros das cadeias.
Leia Também: Justiça revoga prisão domiciliar e manda do Dallas Bar de volta a prisão
“Acho que não devem ser classificadas como terroristas. Nós temos que trabalhar no sentido de controlar o sistema e evitar a necessidade dessa chamada ‘faccionização’ e, claro, diminuir a importância dessas organizações criminosas que dominam os nossos presídios”, afirmou o ministro, ao reconhecer a dimensão do problema e a influência consolidada dessas estruturas no país.
A fala do magistrado reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes e coordenadas, voltadas não apenas à repressão, mas também à reorganização do sistema prisional e ao fortalecimento das instituições de segurança, em um cenário onde o crime organizado segue expandindo sua atuação e desafiando a autoridade do Estado brasileiro.
por Nayara Cristina
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