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Justiça

Disputa bilionária: TJ adia julgamento ddo litígio entre tio e sobrinho pela herança da família Dresch

A disputa pela herança do empresário Manoel Dresch, que envolve cifras milionárias e o controle da empresa Drebor Borrachas, ganhou um novo capítulo na Justiça de Mato Grosso. A Quinta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) adiou o julgamento do recurso após um pedido de vista, suspendendo temporariamente a decisão sobre o caso.

O processo coloca em lados opostos membros da própria família: de um lado, Alessandro Dresch, atual presidente do Cuiabá Esporte Clube, ao lado de Kamila Cristina Dresch e Fabrícia Morbeck Calixto; do outro, Aron Dresch, irmão do empresário falecido.

O recurso tenta reverter uma decisão liminar que afastou Alessandro tanto da administração da Drebor Borrachas quanto da condução do inventário de Manoel Dresch, que morreu em fevereiro de 2023, aos 66 anos, vítima de câncer no cérebro.

Conflito familiar e empresarial

A Drebor Borrachas, fundada em 1989, é o principal ativo da disputa. A empresa reúne membros da família no quadro societário e está no centro do embate judicial.

Segundo a defesa de Alessandro, ele sempre participou diretamente da gestão e crescimento do negócio ao lado do pai, com conhecimento de Aron. Os advogados alegam ainda que existiam acordos familiares que previam sua permanência na administração, o que, segundo eles, não poderia ser alterado por decisão judicial.

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Além disso, pedem o retorno imediato de Alessandro à gestão da empresa e a retomada do pagamento de lucros e dividendos.

Acusações e versões divergentes

O afastamento de Alessandro ocorreu após suspeitas de uso indevido de recursos da empresa para despesas pessoais. A defesa nega irregularidades e afirma que os valores seriam antecipações de créditos futuros, prática que, segundo os advogados, também seria adotada por outros sócios.

Já a defesa de Aron Dresch sustenta uma versão diferente: afirma que Alessandro não tinha posição societária consolidada e atuava como empregado, enquanto a administração da empresa sempre esteve sob comando dos irmãos Manoel e Aron.

Outro ponto levantado é que Aron teria deixado formalmente o quadro societário ao assumir a presidência da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), por ser considerado Pessoa Politicamente Exposta, embora continuasse sendo tratado como sócio de fato.

Ainda de acordo com os advogados de Aron, haveria indícios de irregularidades na gestão, incluindo uma diferença contábil estimada em cerca de R$ 46 milhões.

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Voto do relator e impasse

Relator do caso, o desembargador Marcos Regenold Fernandes votou pela manutenção do afastamento de Alessandro, em caráter cautelar. Ele apontou indícios de má gestão, possível confusão patrimonial e falta de comprovação de autorização para retiradas financeiras.

No voto, o magistrado destacou que mudanças abruptas na administração poderiam causar prejuízos significativos à empresa, defendendo a necessidade de preservar a estabilidade do negócio.

Durante a sessão, o desembargador Luiz Octavio Oliveira Saboia Ribeiro sugeriu uma alternativa: a nomeação de um administrador judicial, diante do impasse entre os familiares.

Em seguida, ele pediu vista do processo, adiando a conclusão do julgamento. O caso deve retornar à pauta nos próximos dias e segue sendo acompanhado de perto, já que pode definir o futuro da empresa e a divisão de uma das heranças mais relevantes do estado.

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Animais

Ministério Público conclui que Cão Orelha não morreu por agressões de adolescentes e pede o arquivamento

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) anunciou, nesta terça-feira (12/5), que as evidências periciais refutam a possibilidade de que os adolescentes em investigação tenham agredido o cão comunitário Orelha, que foi encontrado ferido na Praia Brava, no norte de Florianópolis (SC).

Após revisar quase 2 mil arquivos, o MPSC concluiu que a morte do animal está relacionada a uma condição pré-existente e grave, e não a qualquer agressão por parte de humanos.

Com base nas investigações, a procuradoria solicitou na última sexta-feira (8/5) o arquivamento do caso referente à morte de Orelha.

Conforme o MP, relatórios policiais indicavam que o jovem suspeito e o animal haviam estado juntos na praia por aproximadamente 40 minutos, mas a perícia revelou um descompasso de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras de um condomínio e pelo sistema de monitoramento público, conhecido como Bem-Te-Vi.

As imagens evidenciam que, enquanto o adolescente estava nas proximidades do deck da praia, Orelha se encontrava a cerca de 600 metros de distância.

“O estudo revelou que nos momentos em que o adolescente esteve na área do deck, o cão estava situado a aproximadamente 600 metros. Portanto, a suposição de que ambos compartilharam o mesmo espaço por cerca de 40 minutos não é válida”, ressaltou o MPSC.

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Adicionalmente, as análises periciais mostraram que o cão mantinha plena mobilidade e um padrão normal de locomoção quase uma hora após o momento em que se acredita que a suposta agressão teria ocorrido, o que afasta a hipótese de que ele teria retornado da praia já debilitado por agressões.

Saúde do cão Orelha

Os laudos veterinários anexados ao processo excluíram a possibilidade de traumatismo recente passível de maus-tratos. Segundo o perito que realizou a exumação, todos os ossos do animal foram analisados e não foram encontradas fraturas ou lesões relacionadas à ação humana.

Os exames revelaram sinais de osteomielite na região do maxilar esquerdo — uma infecção óssea crônica e grave, possivelmente associada a doenças periodontais avançadas.

Imagens do crânio anexadas ao processo mostram uma lesão profunda e antiga, com perda de pelos, descamação e inflamação, compatíveis com uma infecção de longo prazo. A localização da ferida, abaixo do olho esquerdo, corresponde ao edema observado pelo veterinário que atendeu o animal.

O MPSC também destacou que a fotografia obtida durante o atendimento veterinário mostrava apenas inchaço no olho esquerdo do cão, sem outros sinais evidentes de violência.

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De acordo com as Promotorias de Justiça, o conjunto de provas demonstra que Orelha faleceu devido a um quadro clínico grave que levou à eutanásia.

O órgão ainda mencionou a morte da cadela Pretinha, companheira de Orelha, ocorrida poucos dias depois, em decorrência da doença do carrapato, ressaltando a situação de vulnerabilidade sanitária dos animais.

Conclusão

Além do arquivamento do caso, o Ministério Público solicitou que cópias do processo fossem enviadas à Corregedoria da Polícia Civil de Santa Catarina para investigar possíveis irregularidades na apuração.

O órgão também pleiteou a investigação sobre eventuais vazamentos de informações sigilosas relacionadas ao adolescente investigado e anunciou a abertura de uma apuração específica sobre a possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais, com o suporte do CyberGAECO.

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