Investigação Polícial
PF avança em apuração sobre ex-nora de Lula em esquema milionário de fraudes na Educação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a terceira fase da Operação Coffee Break, que investiga um suposto esquema de corrupção e fraudes em licitações envolvendo recursos da Educação. Entre os alvos está Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suspeita de ter recebido propinas do empresário André Gonçalves Mariano, apontado como principal articulador do esquema.
Nesta etapa, a PF cumpriu três mandados de busca e apreensão em São Paulo, além de determinar medidas de constrição patrimonial. Segundo os investigadores, o grupo atuaria desde pelo menos 2021, desviando recursos federais por meio de direcionamento e superfaturamento de contratos para fornecimento de materiais didáticos a prefeituras do interior paulista.
De acordo com a Polícia Federal, o relatório parcial aponta a existência de uma organização criminosa estruturada, composta por agentes públicos, empresários, lobistas e doleiros, com atuação em diferentes municípios. Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Suspeita de intermediação em Brasília
As investigações têm como foco a empresa Life Tecnologia Educacional, que recebeu cerca de R$ 70 milhões para fornecer kits e livros escolares a três prefeituras. Segundo a PF, André Mariano, dono da empresa, teria contratado Carla Ariane Trindade para obter vantagens junto ao governo federal.
Em uma agenda apreendida durante a investigação, o nome de Carla aparece identificado como “Nora”, referência ao antigo vínculo familiar com o presidente. Para os investigadores, há indícios de que ela teria atuado em Brasília para facilitar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) à empresa.
A PF também cita Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na empresa Gamecorp. Kalil é irmão de Fernando Bittar, proprietário do sítio de Atibaia (SP) investigado na Operação Lava Jato.
Fases anteriores
Na fase anterior da Operação Coffee Break, deflagrada em 13 de novembro, a Polícia Federal prendeu seis pessoas suspeitas de envolvimento em fraudes licitatórias nos municípios de Sumaré e Hortolândia. Entre os presos estava o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB).
As investigações seguem em andamento, e a PF afirma que novas diligências podem ser realizadas a partir da análise do material apreendido nesta terceira fase.
Revista Oeste
Investigação Polícial
Esposa de suposto braço direito do CV é presa no aeroporto de VG ao retornar da França

Investigação aponta que suspeita integra esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho; operação também bloqueou patrimônio milionário e prendeu outros quatro investigados
Katani Adorno Bocardi foi presa na madrugada desta sexta-feira (31), no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, logo após retornar de uma viagem a Paris, na França. A mulher é casada com Emerson Ferreira Lima, conhecido como “Gordão”, apontado pela Polícia Civil como um dos principais integrantes do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso.
A prisão foi realizada por equipes da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que cumpriram mandado expedido no âmbito da Operação Replay. As investigações apontam Katani como suspeita de participar da estrutura utilizada para ocultar e movimentar recursos financeiros atribuídos à facção criminosa, esquema que teria sido coordenado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T.
Levantamento feito pela reportagem mostra que Katani já integrou o quadro de servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), vínculo encerrado em janeiro de 2022. Em seus perfis nas redes sociais, ela costumava publicar imagens de viagens internacionais, produtos de grifes renomadas e experiências em estabelecimentos considerados de alto padrão.
De acordo com as investigações, a suspeita passou a ser acompanhada pelas forças de segurança ainda durante sua chegada ao Brasil, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A prisão ocorreu somente após o desembarque em Mato Grosso, onde policiais da Draco aguardavam para cumprir a ordem judicial. A abordagem foi registrada em vídeo.
Além dela, também foram alvos da operação a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como “Alex Soldado”, Emerson Ferreira Lima, o “Gordão”, e o assessor parlamentar Brunno Passos da Silva, chamado de “Brunninho”. Todos tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos.
A Operação Replay é resultado de uma nova etapa das investigações desenvolvidas pela Polícia Civil para desarticular a estrutura financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. A ofensiva amplia o trabalho iniciado nas operações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, desta vez com base na análise de informações extraídas de aparelhos eletrônicos e outros dados telemáticos.
Segundo a Draco, o material analisado indicou que o grupo manteve suas atividades criminosas mesmo após as operações anteriores. Os investigadores identificaram uma organização dividida por funções, com pessoas responsáveis pela administração financeira, movimentação de recursos, utilização de contas bancárias de terceiros e aquisição de patrimônio incompatível com a renda declarada dos envolvidos.
As apurações também apontam que Paulo Witer Farias Paelo continuava exercendo influência sobre o grupo mesmo estando preso na Penitenciária Central do Estado (PCE). Conversas interceptadas revelariam orientações relacionadas ao recolhimento de dinheiro, distribuição de valores, conferência de planilhas financeiras e coordenação de integrantes que permaneciam fora do sistema prisional.
Outro elemento considerado relevante pelos investigadores foi a utilização de um mesmo chip telefônico em sete aparelhos celulares diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para a Polícia Civil, a troca frequente de dispositivos fazia parte de uma estratégia para dificultar o rastreamento das comunicações e manter o funcionamento da organização.
Durante a investigação, foram localizadas planilhas que detalhariam a movimentação financeira atribuída ao grupo. Em um dos documentos constavam R$ 14,093 milhões classificados como valores congelados e outros R$ 1,231 milhão vinculados ao período investigado. A soma, de R$ 15,324 milhões, embasou o pedido judicial para bloqueio de ativos financeiros.
Os registros ainda continham anotações relacionadas à prestação de contas internas, circulação de recursos, movimentação de entorpecentes e distribuição de valores entre diferentes núcleos da facção.
Além das prisões preventivas, a Justiça determinou uma série de medidas patrimoniais. Foram bloqueados imóveis, terrenos, veículos e valores financeiros atribuídos aos investigados, com o objetivo de impedir a ocultação ou transferência desses bens.
Entre os imóveis alcançados pela decisão estão um apartamento em Itapema, avaliado em cerca de R$ 3 milhões; um imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, estimado em R$ 6 milhões; uma residência em condomínio fechado na região de Camboriú, também avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões; uma casa em Cuiabá, estimada em R$ 1,5 milhão; além de três terrenos cujo valor conjunto gira em torno de R$ 180 mil.
Também foram bloqueados quatro veículos, entre carros e uma motocicleta, avaliados em aproximadamente R$ 607,6 mil.
Separadamente, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 15,324 milhões em ativos financeiros relacionados às investigações. Conforme a Polícia Civil, esse montante representa o limite da medida cautelar e não significa que esse valor já tenha sido efetivamente recuperado.
De acordo com a Draco, a descapitalização dos investigados busca impedir que recursos supostamente obtidos por meio das atividades criminosas sejam utilizados para financiar a continuidade da atuação da organização.
O nome Replay foi escolhido em referência à repetição das práticas criminosas identificadas durante as investigações, mesmo após operações anteriores. Com a nova fase, a Polícia Civil pretende interromper a reorganização do grupo, enfraquecer seu núcleo financeiro e responsabilizar os investigados apontados como integrantes da estrutura criminosa.
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