Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Fatalidade

“Uma desavergonhada mentira”: Spray de pimenta pode ter causado morte de detento em MT, afirma desembargador

Um relatório do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), aponta que um detento morreu na Penitenciária Osvaldo Florentino Leite Ferreira, a “Ferrugem”, em Sinop (a 500 km de Cuiabá), após passar mal e ser atingido por spray de pimenta quando pedia por atendimento médico.

Segundo o documento, que foi concluído na última quinta-feira (29), o caso aconteceu entre os dias 12 e 13 de maio de 2025. Após o almoço, o detento Walmir Paulo Braga apresentou mal-estar, com dor no braço e falta de ar. Diversos pedidos foram feitos para atendimento médico, no entanto, conforme o documento, foram ignorados pelos agentes.

Após muito tempo de reclamações, os policiais retiraram Walmir da cela algemado. “Uma vez mais, houve protestos veementes da necessidade de se dar ao preso atendimento médico. Entretanto, foi recebido com spray de pimenta por um policial penal, que, segundo colegas de celas, despejou nas suas narinas um tubo inteiro”, diz trecho do documento.O detento foi levado para a enfermaria, mas chegou lá sem vida. “Há seríssimas suspeitas de a morte ter sido provocada pelo uso indevido e inadequado do spray de pimenta, que tem como um dos seus efeitos – segundo manual em anexo – “a sensação de sufocação, queimação, grau de reação emocional e desorientação”, dentre outros”.

O relatório também menciona a forma como o caso foi divulgado. O RD News publicou na época que, segundo a Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus), o detento teria passado mal durante banho de sol, foi encaminhado para a enfermaria, mas não resistiu.

Leia Também:  Casal e bebê morrem em acidente envolvendo 3 veículos na BR-070 em Poconé

“Uma desavergonhada mentira! É preciso apurar, com rigor, a verdadeira causa mortis do referido reeducando. Ainda que o uso indevido do spray de pimenta não tenha sido a causa direta da morte, é muito provável que possa ter contribuído para ela”, disparou o desembargador Orlando de Almeida Perri, que assina o relatório.

Outro caso destacado ocorreu no dia 26 de outubro, quando um detento, identificado como Érike, foi atingido com spray de pimenta. Os policiais envolvidos teriam sido incentivados por outros agentes – que estariam embriagados.

A ação foi registrada pelas câmeras de segurança da unidade. “Tantos são os relatos de torturas, de maus-tratos e de tratamentos cruéis e desumanos, que a Penitenciária Ferrugem pode muito bem ser chamada de Guantánamo Pantaneiro”, diz trecho do documento.

Superlotação

O novo relatório também aponta superlotação na unidade, que tem capacidade para abrigar 1.328 detentos e mantém, atualmente, 1.742 detentos – sendo 849 presos condenados e 893 provisórios.

Celas projetadas para 12 pessoas abrigam até 20 detentos, com colchões na porta dos banheiros. Em alguns setores, mais de 30 pessoas dormem fora das celas. Água fornecida em horários restritos obriga detentos a armazenar em garrafas de produtos de limpeza. Além disso, aponta o documento, faltam colchões, kits de higiene, talheres, toalhas e lençóis.

Leia Também:  Nova Mutum: Onça-preta assustada corre ao lado de carro em fazenda

Providências

O GMF solicitou ao Ministério Público apuração rigorosa sobre a morte de Walmir Paulo Braga, o caso de Érike e a identificação dos policiais embriagados. À Sejus foram exigidas medidas urgentes, incluindo substituição da médica, fornecimento de medicamentos e implantação de classificação de presos.

O documento se insere no contexto do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal, na ADPF 347, do “Estado de Coisas Inconstitucional” no sistema prisional brasileiro — uma declaração de violação generalizada e estrutural de direitos fundamentais que impõe ao Poder Público atuação coordenada para superação das ilegalidades.

“A persistência das condições constatadas evidencia incompatibilidade material com os deveres mínimos do Estado na execução penal”, conclui o relatório, que será encaminhado ao Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas, Ordem dos Advogados do Brasil e ao Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Conselho Nacional de Justiça. O GMF/TJMT anuncia que “permanecerá no acompanhamento rigoroso da unidade”, adotando providências cabíveis sempre que verificada “a persistência ou agravamento das violações identificadas”, completa.

Outro lado

O RD News entrou em contato com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria. O espaço segue em aberto para manifestação. (RD News)

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Fatalidade

Morador de Sinop morre na guerra Rússia/Ucrânia; “Sinop também derruba drone, derrubei hoje, Lisboa”

Uma publicação nas redes sociais emocionou internautas ao relatar a morte de Fernando Pereira Lisboa um brasileiro que atuava como combatente voluntário na guerra entre Rússia e Ucrânia. A homenagem foi feita por uma mulher que afirmou ter descoberto recentemente que o militar era seu irmão por parte de pai.

Na mensagem, ela lamenta profundamente a perda e relata a surpresa ao saber que o familiar havia deixado o Brasil para participar do conflito armado no Leste Europeu. Segundo o relato, o homem morreu em combate enquanto lutava por uma causa na qual acreditava.

“Acabei de saber que meu irmão por parte de pai foi lutar na guerra da Ucrânia e foi abatido. Morreu lutando por uma causa que ele acreditava. Jamais imaginei o sangue do meu sangue lutando numa guerra. Você cumpriu sua missão. Vai com Deus”, escreveu a mulher em uma publicação acompanhada por uma fotografia do combatente trajando uniforme militar.

A postagem rapidamente ganhou repercussão e recebeu dezenas de mensagens de solidariedade. Amigos, familiares e desconhecidos manifestaram apoio à autora da homenagem, além de prestarem condolências pela morte do brasileiro.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  Sobrinho é preso suspeito de matar tio após receber foto íntima com namorada dele
Continue lendo

polícia

política

Cidades

ESPORTES

Saúde

É Direito

MAIS LIDAS DA SEMANA