Agro Notícias
Supervisor da Friboi de Diamantino fala sobre a importância do confinamento no Canal Rural
Com o término da estação chuvosa e com os pastos começando a secar, o pecuarista começa a executar a sua estratégia de terminação da boiada na entressafra para evitar a superlotação na sua fazenda, que inevitavelmente perde capacidade de suporte. Até mesmo por isso, o mercado do confinamento já está bastante aquecido, conforme foi abordado no quadro Giro na Estrada desta sexta-feira, 29.
“Está super aquecido o mercado, a gente já teve uma operação grande semana passada, embarcando um total de 23 carretas para o confinamento (unidade do boitel JBS em Lucas do Rio Verde-MT). O mercado está em alta, a gente está fazendo a reposição […] e uma parceria grande ali com o confinamento para poder abastecer eles por lá”, disse em entrevista o supervisor de transporte da unidade Friboi de Diamantino-MT, Dácio Dreyer.
+ Confinamento do boi das águas rendeu margem de 40% ao pecuarista do MT
Dácio quantificou a extensão do raio da panha do boi magro para engorda no confinamento. “Hoje por ter o confinamento de Lucas do Rio Verde em um ponto estratégico, nós conseguimos atender pecuaristas de Juína, pecuaristas de Rondonópolis, Campo Novo dos Parecis, de Tangará da Serra. […] Em um raio de 700 a 800 km, nós temos condições de fazer esta logística”, disse.
O supervisor falou também sobre o mercado de reposição. “A gente tem uma parceria grande, por exemplo, com a Estância Bahia, a gente acompanha os leilões virtuais, temos uma equipe já pronta para fazer contato com o pecuarista que comprou os animais e consegue atender em tempo praticamente real. O pecuarista comprou, a gente já tem à disposição a carreta com uma equipe para poder auxiliá-lo”, destacou.
Dácio enalteceu ainda as garantias que o pecuarista tem a partir do momento que as boiadas sobem no caminhão. “Os caminhões nossos são 100% rastreados, a gente […] faz seguro das cargas, a gente transporta também animais de elite, averba a carga. A gente tem os motoristas todos experientes com carga viva para o transporte de animais de diferentes categorias, sejam bezerros, vacas, bois. Tem monitoramento em tempo real, a gente consegue fornecer o programa da viagem, então a gente consegue dar uma qualidade e segurança para o pecuarista que o animal dele vai chegar na fazenda 100%”, assegurou.
Para os produtores interessados em mais informações e dicas de transporte de gado magro, o contato pode ser feito pelo número (65) 9 9251 1933. Já o contato para os produtores interessados em escalar animais ou receber mais informações sobre confinamento pode ser feito pelo [email protected].
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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