Agro Notícias
Suinobrás de Diamantino é uma das grandes vencedoras do Prêmio Famato
O Sistema Famato premiou seis fazendas referências na atuação de jovens produtores rurais na gestão, com idades entre 23 e 40 anos. A cerimônia aconteceu no auditório da Famato, em Cuiabá.
Esta é a quarta edição do Prêmio Sistema Famato em Campo. Entre os critérios para a escolha das propriedades rurais estavam a atuação do jovem produtor da fazenda, o equilíbrio entre a gestão, sustentabilidade econômica e responsabilidade com o meio ambiente, serviços sociais prestados, diferenciais trabalhistas, manejo técnico, inovações, diversificação, produtividade e rentabilidade na produção agrícola e pecuária.
As fazendas Cristalina e Lagoa Dourada foram premiadas com troféu e a participação de um representante em uma missão técnica que será promovida pelo Sistema Famato em 2019.
Além das duas vencedoras, foram premiadas com um troféu “Destaque Regional” as outras quatro finalistas: do médio-norte do estado a fazenda Ernestina, de Sorriso; do norte a fazenda Gamada, de Nova Canaã do Norte; da região centro-sul a Suinobras Alimentos, de Diamantino, e do sudeste do estado a Agropecuária Rio Manso, de Campo Verde.
“Este prêmio é importante para conhecermos a geração que vai dar continuidade ao nosso trabalho. Mais do que falar de sucessão, o objetivo é mostrar aos jovens que o agro tem muitas oportunidades. Parabéns para todos os participantes”, disse o presidente do Sistema Famato, Normando Corral.
O produtor rural, Pedro Tomazelli, 31 anos, da fazenda Cristalina, é filho de produtor e fruto de um processo de sucessão familiar que vem dando certo. Há sete anos, iniciou o trabalho de gestão no grupo agropecuário, onde começou como estagiário. É agrônomo, com mestrado em Ciência e Tecnologia de Sementes. Ocupa o cargo de gerente e é responsável pela comercialização e controle de qualidade.
O grupo agropecuário está localizado na propriedade Cristalina e está dividido em três empresas: Produsol (parte agrícola), Canindé (atuação na pecuária) e DTI – Agro-Sol Sementes (responsável pelo beneficiamento de semente de soja). O grupo é liderado por sócios, os quais o pai de Pedro, Gladir Tomazelli, é um deles.
Pedro começou como responsável técnico da parte agrícola, com participação direta no manejo do campo, onde conseguiu atingir o patamar de sustentabilidade econômica, de gestão e ambiental na propriedade.
O jovem foi o responsável pela análise estratégica do posicionamento de mercado da Agro-Sol Sementes e na reformulação do setor de vendas. Atualmente, lidera equipes e com o seu projeto atraiu investidores da empresa francesa Invivo. Pedro também idealizou para a Agro-Sol Sementes um aplicativo que permite a rastreabilidade das sementes, controle de qualidade, informações especificas de cada lote de sementes de soja adquirido pelo cliente.
“Meu pai é meu espelho. Eu encontrei no negócio da minha família muitas oportunidades. E isso que me ajudou a crescer como pessoa e profissional”, disse Tomazelli.
Assim como Pedro, o produtor Raul Santos Costa, 40 anos, arrendatário da fazenda Lagoa Dourada, foi reconhecido como referência no estado. Apostou na agricultura como principal atividade da propriedade, mesmo estando na região do Pantanal, onde a pecuária é a principal atividade econômica.
Raul é veterinário, mas para introduzir a agricultura na fazenda precisou se reinventar, adquirir novos conhecimentos e, inclusive, transformar os vaqueiros em tratoristas. Para viabilizar a soja na região, fez parceria com vizinhos para somar áreas de plantio que favorecessem a aquisição de novos maquinários. Ele lidera essa parceria com dois vizinhos que, juntos, dividem o maquinário e os resultados da colheita.
Pioneiro no cultivo de soja na região pantaneira, apresentou altos índices de produtividade, com uma média de 70,5 sacas/hectares na última safra. Também investe em safrinha com pecuária de corte. O plantio direto e a integração lavoura-pecuária são as principais práticas de manejo utilizadas na fazenda.
“Este prêmio é um reconhecimento pelo trabalho que estamos fazendo na fazenda. Espero incentivar outros jovens produtores. O agro precisa muito de jovens, independentemente de serem sucessores ou não. Trabalhar com agricultura foi uma transformação na minha vida, assim como na vida dos meus funcionários”, afirmou Raul.
A Estância 2R, de Acorizal, recebeu um troféu de reconhecimento pela dedicação e eficiência do trabalho feito pelo jovem Rodrigo Ferreira da Silva, 35 anos.
Durante o evento as seis finalistas apresentaram seus exemplos de sucesso e participaram de uma palestra sobre o “Mercado de Soja em Época de Conflito Comercial”, com PhD Lin Tan, presidente executivo da trading chinesa Hopefull Grain and Oil. O evento também foi prestigiado pelo cônsul australiano adido comercial e de investimentos sênior Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, Greg Wallis.
O Prêmio Sistema Famato em Campo é uma realização da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MT), Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e Sindicatos Rurais. Tem o apoio da Aprosoja-MT, Acrimat, Ampa, IMAmt, IAS, Acrismat e Aprosmat. (Com Assessoria)
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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