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Gilmar Mendes: conheça a trajetória e carreira do ministro mais antigo do STF

Indicado por Fernando Henrique Cardoso em 2002, Gilmar Mendes também é professor e está há 23 anos no Supremo
Ministro Gilmar Mendes. Ele é um homem careca, que usa óculos, veste terno e está sentado em uma poltrona preta. Atrás dele, uma estante com livros.
Natural de Diamantino (MT), cidade a 200km de distância da capital Cuiabá, Gilmar Ferreira Mendes nasceu em 30 de dezembro de 1955. É o ministro mais antigo do STF (Supremo Tribunal Federal): assumiu uma cadeira no Supremo em 20 de junho de 2002, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e já foi presidente da Corte entre 2008 e 2010.

Filho de Francisco Ferreira Mendes e Nilde Alves Mendes, Gilmar Mendes se mudou para Brasília aos 19 anos para estudar Direito na UnB (Universidade de Brasília), se graduando em 1978. É mestre em Direito pela mesma universidade (1987), e seguiu com os estudos de mestrado e doutorado exterior pela Universidade de Münster, na Alemanha, entre 1988 e 1990.

É casado com a advogada Guiomar Feitosa Mendes, com quem tem dois filhos: Laura e Francisco.

Trajetória acadêmica de Gilmar Mendes

Gilmar Mendes iniciou a carreira acadêmica em 1978 como professor na UnB, dando aulas de Instituições de Direito Público e Ética e Legislação dos Meios de Comunicação. Ele se tornou professor adjunto de Direito Constitucional na graduação e pós-graduação da UnB em 1995 e lecionou na instituição até 2014.

Gilmar Mendes já orientou cerca de 58 dissertações de mestrado e 8 teses de doutorado ao longo da carreira como professor. Além da UnB, ele lecionou nas seguintes universidades:

Associação de Ensino Unificado de Brasília (1973 – 1983);
UniCEUB (Centro de Estudos Unificados de Brasília), em 1992, onde também foi coordenador;
IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa) de 1998 até os dias atuais. Gilmar Mendes é fundador da instituição e foi coordenador do curso de Direito de 2010 a 2013;
PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), como professor visitante em 2011.
Gilmar Mendes acumula 104 prêmios e títulos desde 1982, além de integrar o corpo editorial de revistas jurídicas e falar cinco idiomas além do português (inglês, alemão, espanhol, italiano e francês). O jurista já publicou cerca de 161 artigos em periódicos jurídicos e publicou e/ou colaborou em 106 livros, oferecendo uma extensa colaboração na área do Direito Constitucional.

Trajetória profissional de Gilmar Mendes
Entre a carreira como professor e como ministro do STF, Gilmar Mendes trabalhou em uma série de cargos públicos:

Procurador da República (1985 a 1988);
Adjunto da Subsecretaria Geral da Presidência da República (1990 a 1991);
Consultor-Jurídico da Secretaria Geral da Presidência da República (1991 a 1992);
Assessor Técnico na Relatoria da Revisão Constitucional na Câmara dos Deputados (1993 a 1994);
Assessor Técnico do Ministério da Justiça, durante a gestão do Ministro Nelson Jobim (1995 a 1996);
Subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil (1996 a 2000);
Advogado Geral da União, na AGU (Advocacia Geral da União), entre janeiro de 2000 a junho de 2002.
Apesar da breve passagem na AGU, Mendes destaca uma série de feitos com sua autoria durante seus dois anos e meio por lá, como a criação de centro de estudos voltados aos membros da AGU e de Núcleos de Assessoramento Jurídico espalhados pelo Brasil.

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Também entram na autoria do atual ministro a instalação da Consultoria Geral da União, para auxiliar o Advogado Geral na coordenação de atividades de consultoria e assessoramento do Poder Executivo, e a criação do Departamento de Cálculos e Perícias, a fim de conferir e coordenar cálculos e perícias judiciais de interesse da União.

Gilmar Mendes e a Operação Lava Jato
Gilmar Mendes foi considerado um dos ministros mais polêmicos referente ao trato com a Lava Jato, por considerar que a operação foi utilizada de forma oportunista pelos superiores responsáveis, como Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Em 2019, o ministro se referiu à Operação como “organização criminosa de Curitiba”, o que levou Dallagnol a mover uma ação judicial contra a União.

“Eu acho que a Lava Jato fez um mal enorme às instituições. Bem inspirada talvez, no início, ela acabou produzindo uma série de distorções no sistema jurídico político (…) A Lava Jato terminou como uma verdadeira organização criminosa, ela envolveu-se em uma série de abusos de autoridades, desvio de dinheiro, violação de uma série de princípios e tudo isso é de todo lamentável” — Gilmar Mendes em entrevista para a Agência Brasil (2024).

Ministro Gilmar Mendes durante sessão da Segunda Turma do STF – Foto: Gustavo Moreno/STF

Gilmar Mendes no STF
No STF desde 2002, Gilmar Mendes foi presidente da Corte entre 2008 e 2010. Também ocupou a presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por pouco mais de três meses, renunciando ao cargo para assumir a vice-presidência no Supremo.

Entre seus feitos no Supremo de principal relevância, destacam-se:

Garantia de atendimento para pessoas trans e travestis pelo Ministério da Saúde (2024)
Com relatoria de Mendes, a ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 787 determina que o Ministério da Saúde deve garantir atendimento médico adequado para pessoas transexuais e travestis. Ainda em 2021, Mendes concedeu liminar que determinava a adaptação e atualização de procedimentos médicos voltados a este público pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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“Deve ser garantida à população LGBTQIA+ o pleno e irrestrito acesso às políticas públicas de saúde ofertadas pelo Estado em condições de igualdade com todo e qualquer cidadão brasileiro”, disse Mendes na decisão, em julho de 2024.

Demarcação da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu (2024)
Gilmar Mendes foi relator do acordo que garantiu o reingresso pacífico de indígenas Guarani Kaiowá em suas terras, localizadas na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. O acordo envolveu representantes dos proprietários, lideranças indígenas, integrantes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), da AGU, do Ministério dos Povos Indígenas e do governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

Descriminalização do uso de maconha (2024)
Com sete votos a favor e três contra, a decisão descriminaliza o uso de maconha para uso pessoal, fixando em 40g ou seis plantas fêmeas a quantia máxima da erva que um indivíduo pode ter sem que seja considerado traficante. A determinação é temporária e segue em vigor até que novos critérios sejam adotados pelo Congresso Nacional.

Cabe destacar que com a descriminalização, a pessoa usuária não será considerada criminosa, mas ainda responderá por ato ilícito na esfera administrativa.

Implantação do projeto “Começar de Novo” (2009)
Realizado em parceria com a Funap-DF (Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso), o “Começar de Novo” é voltado à ressocialização de egressos no sistema criminal, que garante oportunidades de emprego para ex-presos. O projeto foi criado quando Mendes era presidente no Conselho Nacional de Justiça.

Ministro do STF, Gilmar Mendes, durante sessão na Corte – Foto: Carlos Moura/SCO/STF/ND

Curiosidades sobre Gilmar Mendes
Gilmar Mendes atualmente está com um processo de impeachment protocolado por senadores da base bolsonarista, mas não é a primeira vez que tentam tirar o ministro do cargo. Em 2016, debochou de juristas que solicitaram seu impeachment, enquanto em 2017, chegou a acumular seis pedidos de impeachment contra seu mandato no STF, sendo um deles solicitado pelo PT (Partido dos Trabalhadores).
Antes de ingressar no STF, o ministro suspendeu sua carteira da OAB (Ordem dos Advogados no Brasil): a suspensão fez com que lhe acusassem de não ter atuado como advogado;
É torcedor do Santos e colecionador de camisas de futebol.

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Clima

Super El Niño pode elevar custos da indústria e pressionar produção em Mato Grosso

Estudo aponta risco de quebra de safra, alta no preço dos alimentos, aumento do custo da energia e impactos na logística caso o fenômeno climático se intensifique nos próximos meses

A indústria de Mato Grosso poderá enfrentar um cenário de aumento de custos e dificuldades no abastecimento de matérias-primas caso o Super El Niño se fortaleça nos próximos meses. O alerta é do Observatório de Mato Grosso, vinculado ao Sistema Fiemt, que aponta que a irregularidade das chuvas, as temperaturas acima da média e o risco de déficit hídrico podem comprometer a produção agropecuária e afetar toda a cadeia industrial do estado.

Segundo o coordenador do Observatório de Mato Grosso, Leonardo Zardo, acompanhar a evolução do fenômeno é essencial para que as empresas possam antecipar riscos e adotar medidas de adaptação.

“Os eventos climáticos extremos deixaram de ser uma possibilidade distante e passaram a fazer parte do planejamento estratégico das empresas. Nosso papel é transformar dados em inteligência para que a indústria possa tomar decisões mais assertivas, reduzir riscos e aumentar sua capacidade de adaptação diante de cenários cada vez mais desafiadores”, afirmou.

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O estudo destaca que a agroindústria, um dos principais motores da economia mato-grossense, está entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Uma eventual redução da produtividade no campo poderá diminuir a oferta de matérias-primas, aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas e elevar os custos de produção das indústrias.

Além disso, uma possível quebra de safra tende a pressionar os preços dos alimentos. O levantamento também alerta que a redução dos níveis dos reservatórios pode ampliar o uso de usinas termelétricas, elevando o custo da energia elétrica para empresas e consumidores. A logística também pode ser afetada, com aumento dos custos operacionais e perda de competitividade da indústria.

Para Mato Grosso e os demais estados do Centro-Oeste, a previsão é de chuvas irregulares, veranicos, temperaturas acima da média e maior risco de déficit hídrico durante o inverno de 2026. O estudo explica que o El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e passa a ser classificado como Super El Niño quando esse aquecimento supera 2°C acima da média histórica por período prolongado. O último episódio dessa intensidade ocorreu entre 2015 e 2016.

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Observatório amplia maturidade técnica

O levantamento também destaca a evolução do Observatório de Mato Grosso, que alcançou 71,25% de maturidade técnica, sendo classificado como de nível médio-alto pela Rede de Observatórios do Sistema Indústria (ROSI).

De acordo com Leonardo Zardo, o avanço consolida o Observatório como uma ferramenta estratégica para o setor produtivo, oferecendo estudos, indicadores e análises que auxiliam empresários e lideranças na tomada de decisões baseada em evidências.

O índice representa uma evolução significativa em relação a 2023, quando o Observatório registrava 34,8% de maturidade. Em 2025, o percentual subiu para 61,1% e, na avaliação de 2026, atingiu 71,25%, refletindo avanços em gestão, infraestrutura, equipe, ativos de conhecimento e portfólio.

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