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Em visita a Lucas como ministro, Geller diz que vai estar próximo do setor produtivo


O ministro da Agricultura, Neri Geller, fez hoje sua primeira viagem a Lucas do Rio Verde desde que foi empossado no cargo pela presidenta Dilma Rousseff semana passada. Geller participou de mesa redonda no encerramento do Show Safra BR 163, ouviu reivindicações de prefeitos e lideranças regionais e conversou com a imprensa.
“Lógico que tem algumas formalidades que precisa seguir em função do cargo, mas com certeza minha presença vai ser forte no meio dos produtores, como sempre fizemos”, prometeu o ministro.

Geller valorizou a presença de lideranças políticas locais, estaduais e federais, relacionando sua presença no Governo Federal ao pedido feito pela bancada mato-grossense no Congresso Nacional. A indicação para assumir a Secretaria Nacional de Política Agrícola, último cargo antes de assumir o Ministério da Agricultura, partiu dos senadores mato-grossenses, entre eles Pedro Taques e Blairo Maggi.

Em conversa com a imprensa, o ministro assinalou que vai adotar medidas simples, como as que adotou quando ocupava a Secretaria Nacional de Política Agrícola. Neri já se reuniu com lideranças do agronegócio para discutir ações sobre fiscalização e a implantação do lacre eletrônico, além de tentar derrubar barreiras fitossanitárias. “Principalmente na questão da carne nos mercados internacionais”, antecipou o ministro. “Vou chamar a iniciativa privada e montar um grupo de trabalho dentro do Ministério”.

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Ao falar sobre ações do Ministério Público Federal, que ajuizou ações na Justiça pedindo a suspensão do registro de nove agrotóxicos usados no Brasil, entre eles o glifosato, agrotóxico muito usado pelos agricultores para controlar plantas invasoras, Geller assinalou que a Controladoria Geral da União foi acionada para evitar a suspensão, medida que pode acarretar prejuízos consideráveis ao setor produtivo. “Tecnicamente é comprovado que estão sendo usados em outros países, a Anvisa e o Ibama liberaram, e precisamos segurar isso (manter o registro) porque é muito importante”, destacou.

Fonte: MT Agora – Expresso MT

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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