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Diamantino aparece entre os 10 maiores municípios agrícolas, por que não é um dos melhores para viver?

Com base no último censo agropecuário, o IBGE divulgou, no dia 1º de outubro passado, um relatório contendo os resultados da produção agrícola municipal de 2019, um trabalho muito interessante com informações sobre a área plantada, produção, rendimento e valor das lavouras permanentes e temporárias.

E a Secretaria de Política Agrícola do Mapa fez uma nota assinalando os principais pontos do levantamento.

Entre eles, está a relação dos Estados mais importantes para a formação do Valor Bruto da Produção Municipal brasileira, que chegou a R$ 361 bilhões no ano passado. Mato Grosso, sem surpresa, foi o mais importante, com R$ 58,3 bilhões, seguido por São Paulo, com R$ 55,5 bilhões; por Rio Grande do Sul, com R$ 40,8 bilhões; Paraná, com R$ 40,5 bilhões; e Minas Gerais, com R$ 34,7 bilhões. Estes cinco Estados, somados a Goiás, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará e Santa Catarina, responderam por 88% do valor total da produção dos municípios brasileiros.

O mesmo estudo revela que, dos 50 municípios responsáveis pelo maior valor da produção, 22 estão no Mato Grosso, e os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia têm cada um 6 municípios principais. Uma questão óbvia é que o PIB agrícola de todos esses municípios têm participação muito acentuada no PIB total deles. Sabe-se que o PIB da agropecuária brasileira equivale a 5,4% do total. Mas nesses municípios, essa participação em média é de 36,8%.

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Os 10 maiores municípios agrícolas do Brasil são: Sorriso (MT), Sapezal (MT), São Desidério (BA), Campo Novo dos Parecis (MT), Rio Verde (GO), Cristalina (GO), Jataí (GO), Diamantino (MT), Nova Ubiratã (MT) e Nova Mutum (MT). Seis deles estão no espetacular Mato Grosso!

Uma curiosidade: a maioria dos municípios que lideram a produção de soja e milho também lidera a de algodão. Claramente, isso significa que seus produtores rurais usam as melhores tecnologias conhecidas e recomendadas para as três culturas, o que lhes confere melhores resultados por hectare. Os 10 maiores produtores de soja são: Sorriso (MT), Formosa do Rio Preto (BA), São Desidério (BA), Nova Mutum (MT), Nova Ubiratã (MT), Campo Novo do Parecis (MT), Rio Verde (GO), Jataí (GO), Sapezal (MT) e Diamantino (MT).

Para milho, os campeões são: Sorriso (MT), Rio Verde (GO), Jataí (GO), Nova Ubiratã (MT), Nova Mutum (MT), Campo Novo dos Parecis (MT), Maracaju (MS), Diamantino (MT), Sidrolândia (MS) e Unaí (MG).

E os “reis” do algodão são: Sapezal, São Desidério, Campo Verde, Campo Novo dos Parecis, Diamantino, Campos de Julio, Formosa do Rio Preto, Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde e Sorriso.

Dados bem diferentes são mostrados para os municípios com a produção de arroz, muito concentrada no Rio Grande do Sul, de café (em Minas Gerais) e de frutas, mais dispersos.

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Para arroz, são os maiores: Uruguaiana (RS), Santa Victoria do Palmar (RS), Itaqui (RS), Lagoa da Confusão (GO), São Borja (RS), Dom Pedrito (RS), Arroio Grande (RS) e Camaquã (RS).

Os maiores produtores de café são: Patrocínio (MG), Rio Bananal (ES), Linhares (ES), Três Pontas (MG), Serra do Salitre (MG), Nova Resende (MG), Vila Valério (ES), Campos Gerais (MG), São Miguel do Guaporé (RO) e Jaguaré (ES).

E, por fim, os municípios líderes da produção de frutas são: Petrolina (PE), Juazeiro (BA), São Joaquim (SC), Caxias do Sul (RS), Vacaria (RS), Jaiba (MG), Casa Nova (BA), Lagoa Grande (PE), Bom Jesus da Lapa (BA) e Mossoró (RN). E, em São Paulo, estão os principais municípios responsáveis por mais da metade da produção agrícola nacional.

São todos dados de um Brasil plural que produz de tudo um muito, com tecnologia e competência extraordinárias. Relatório do IBGE mostra um Brasil agrícola que produz com competência.

*Roberto Rodrigues é ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas. Artigo publicado no Jornal O Estado de S.Paulo

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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