Agro Notícias
Caminhão com milho e agrotóxico tomba e defensivo pode ter poluído o rio, diz Sema
Um caminhão que transportava milho e, possivelmente, defensivos agrícolas pode ter sido o responsável pela contaminação da nascente do rio Paraguai, em Alto Paraguai (a 219 km de Cuiabá), no último fim de semana. A informação foi repassada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), que apura o caso.
No último domingo (17), diversos peixes foram encontrados mortos no rio. A mortandade, segundo moradores da região, teria sido motivada por contaminação na nascente, considerada Área de Proteção Ambiental (APA), supostamente em razão de agrotóxico que atingiu a água.
O rio Paraguai é uma das bacias do Pantanal, um dos principais do Estado. Ele passa por diversos municípios, entre eles Cáceres, e também atravessa territórios fora do Brasil, como Paraguai, Argentina e Bolívia.
Desde domingo, a Prefeitura de Alto Paraguai suspendeu o abastecimento de água na região, para apurar se o rio está contaminado.
De acordo com a Sema, informações preliminares apontam que um caminhão de carga caiu nas proximidades do rio, no último sábado (16), despejando, possivelmente, defensivo agrícola nas águas. O veículo, porém, segundo a pasta, não foi identificado até a manhã desta quarta (20).
Segundo a secretaria, quando fiscais chegaram ao local do acidente, o caminhão já havia sido retirado das proximidades do rio. A pasta informou que somente soube da queda do veículo porque havia sinais de acidente e a carga de milho estava tombada. A Sema apura se o veículo também carregava defensivos agrícolas, que, segundo a entidade, podem ter caído no rio durante o acidente e contaminado a água.
A secretaria informou que coletou cinco amostras da água da nascente do Rio Paraguai e encaminhou para a Fiocruz, no Paraná. Na terça, também foram enviadas amostras de sedimentos e de peixes mortos para a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), para que estudiosos avaliem o caso.
Conforme a Sema, as amostras encaminhadas à UFMT e à Fiocruz irão atestar se realmente existe a presença de defensivos agrícolas no rio e também irão avaliar os parâmetros normais que indicam a qualidade da água.
O caso está sendo apurado também por diversas entidades, sendo elas o Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental (BPMPA) de Barra do Bugres, a Politec, a Polícia Civil, a Secretaria Estadual de Saúde, a Prefeitura de Alto Paraguai e a Gerência da APA das nascentes do Rio Paraguai.
Propriedades rurais serão investigadas
A Sema informou que recebeu denúncias feitas por moradores da região rural de Alto Paraguai sobre empreendimentos da região que estariam prejudicando as nascentes do rio, supostamente em razão de agrotóxicos despejados nas plantações, que também estariam atingido o rio.
Em razão das denúncias, a pasta informou que tem feito fiscalização em empreendimentos da região, por meio da coordenadoria de Fiscalização de Empreendimento da Superintendência de Fiscalização, para apurar o caso.
Laudo apontou contaminação por agrotóxico
Há dois anos, conforme o Ministério Público Estadual, as nascentes do Rio Paraguai foram alvos de análises do Núcleo de Estudos Ambientais e Saúde do Trabalhador (Neast) do Instituto de Saúde Coletiva – ISC da UFMT. Os levantamentos apontaram que a água havia sido contaminada por agrotóxicos.
“Na ocasião, foram detectados princípios ativos de substâncias para os quais não há limites de segurança previstos no Brasil, tanto para água potável quanto para água superficial, como o Clomazone, Imidacloprido, Propoxur e Tiametoxam”, informou o Ministério Público Estadual.
O MPE não divulgou sobre a origem dos agrotóxicos que foram jogados no rio.
Os estudos que apontaram os danos ambientais ao rio foram anexados pela Segunda Promotoria de Justiça de Diamantino aos autos de ações civis públicas que, segundo o MPE, já foram propostas, e também em recursos apresentados pela instituição à Justiça. Atualmente, há 19 processos sobre o assunto na Primeira Vara Cível de Diamantino.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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