Cidades
Moradores de área indígena ocupada irregularmente em MT fazem campanha contra reintegração de posse
Os moradores do Distrito de Jarudore, em Poxoréu, a 259 km de Cuiabá, se reuniram com autoridades do município e lançaram uma campanha, na quarta-feira (10). Eles são contra a reintegração de posse determinada pela Justiça a favor do povo Bororo.
Atualmente, 11 famílias da etnia Bororo vivem na região e ocupam uma área de cerca de 772 hectares, de um total de 6 mil hectares. Para o Ministério Público, a área não é suficiente para preservar a cultura e a identidade indígena na região.
A decisão da Justiça determinou a devolução de mais de 4 mil hectares de terra para indígenas da etnia Bororo. Por isso, as famílias de não índios que vivem no local devem desocupar as propriedades nos próximos meses.
Durante a reunião, a assessora jurídica do município, Dayse Cristina de Oliveira Lima, anunciou que a Prefeitura de Poxoréu pretende entrar com recurso junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) para tentar evitar a reintegração.
“O município vai fazer o estudo dos impactos sociais, que é muito grande, pois também atinge todo o aglomerado urbano do município. Várias pessoas trabalham nessas regiões e existem outras famílias, além das que estão nessas áreas que serão desapropriadas”, explicou.
As terras a serem desocupadas compõem a região Sul, Oeste e Nordeste da terra indígena. Segundo a ordem judicial, a região urbana do distrito não será afetada.
De acordo com a cacique do povo Bororo, Maria Aparecida Toro Ekcereudo, mais famílias indígenas pretendem se mudar para a região. A ideia é reconstruir a aldeia central onde ela existia inicialmente, quando os primeiros Bororos chegaram na região.
“As crianças são nossas maior preocupação, pois temos esperança de fazer com que elas vivam os dois ‘mundos’: A nossa cultura e também o lado social, sem precisar correr até a cidade para poder aprender. Temos o sonho de fazer uma escola para que eles possam se formar, primeiramente, na parte cultural e depois na parte social”, ressaltou.
De acordo com um estudo histórico apresentado na decisão, a área pertencente aos índios foi demarcada por Marechal Cândido Rondon, em 1912. A terra seria equivalente a 100 mil hectares.
Entretanto, em 1945, o estado, atendendo aos interesses de garimpeiros, fazendeiros e arrendatários, publicou um decreto reduzindo a área indígena para 6 mil hectares.
Posteriormente, o Departamento de Terras e Colonização do Estado (Intermat), em 1951, por meio de um despacho, reduziu novamente a área destinada aos Bororos, fixando-a em 4.076 hectares.
“Essa é uma terra originária do povo Bororo. Antes da população e do governo a terra já era do nosso povo, é uma terra milenar”, pontuou a cacique.
G1 MT
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.
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