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Incentivos fiscais promovem expansão de empresas de Mato Grosso

Mato Grosso não “exporta” apenas energia elétrica – mais da metade (56%) de sua produção (em torno de 3 milhões de kW) é destinada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Também exporta transformadores elétricos. Quase a totalidade (97%) destes equipamentos produzidos no Estado são vendidos não só para todos os estados brasileiros como para cinco países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai).

A responsável por isso é a Trael Transformadores Elétricos, empresa localizada no Distrito Industrial de Cuiabá em uma área de 77 mil m2, dos quais aproximadamente 40 mil m2 de área de construída, com 500 colaboradores diretos, que, desde o início de suas atividades em 1992, já produziu mais de 500 mil transformadores.

Recentemente, passou a produzir também transformadores de grande porte, pesando entre 40 e 50 toneladas cada, destinados a usinas e subestações de energia elétrica. “Fechamos contrato com o Grupo Energisa Equatorial, do Nordeste, para entrega de 20 unidades”, afirma o diretor presidente Marinaldo Ferreira dos Santos.

Segundo ele, para a produção de uma unidade mensal, está contratando 30 novos colaboradores. Sua meta, para dentro de cinco anos, é aumentar a produção para quatro unidades mensais.

“Quantos aos transformadores comuns, de pequeno porte, nossa produção chegou a 220 unidades diárias, mas por conta do mercado, caiu para 135, quase a metade. Mesmo assim, mantivemos nossos colaboradores. Jamais demitimos em massa”, explica.

Diretor presidente da Trael, Marinaldo Ferreira dos Santos, começou a trabalhar aos 13 anos como operário no setor de transformadores elétricos  (Foto: Christiano Antonucci/Secom MT)

Começo da carreira 

Paulista de Fernandópolis, Marinaldo dos Santos começou a trabalhar aos 13 anos, como operário de uma indústria de transformadores elétricos. Ao 19, mudou-se para Campo Grande (MS) para gerenciar uma pequena fábrica, também de transformadores, mas sempre sonhou em ter o próprio negócio.

Cinco anos depois, em 1992, já em Cuiabá, o sonho se realizou. Com quatro sócios, abriu no bairro do Coxipó, a Trafotec (que mudou para Trael, resultado de um concurso interno, por não conseguir registrar a marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI), sem nenhum investimento, e ainda como uma recuperadora. “Começamos comprando carcaças de transformadores para recuperar e vender”.

As primeiras unidades produzidas foram em 1996 – entre 10 e 20 peças mensais, vendidas somente no Estado. “Entre 1997 e 98, vimos que era possível Mato Grosso ter uma indústria genuinamente local, com penetração em todo o país. E, por acreditar que o sonho deve ser maior, passamos a reinvestir e olhar o negócio a médio e longo prazo”.

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Assim, em 1999, com apoio da então Secretaria de Indústria e Comércio, adquiriu um terreno, de 16 mil m2, no Distrito Industrial e começou a construir sua primeira planta, com 3.750 m2, terminada no início do ano seguinte.

“Passamos a ter uma fábrica com cara de fábrica. Nove anos depois, em 2009, compramos outros 20 mil m2, de uma área onde funcionou uma indústria de sal mineral. Conforme a necessidade e o crescimento da empresa, investimos anualmente em pequenas e médias ampliações – tanto em área quanto em máquinas, equipamentos, tecnologias e laboratório”.

Mais que transformadores, aço e eletro-ferragens

Quase três décadas depois de sua fundação, a Trael não só se expandiu como gerou outras duas unidades: a Centroaço, na produção de aço, telhas e perfis, e a CTA, de eletro-ferragens.

A Centroaço, nascida em 2010 como indústria-loja na Avenida Beira Rio, em Cuiabá, logo se expandiu. No ano seguinte, a unidade fabril se mudou para o Distrito Industrial. “Havia sobrado uma área, já construída, que não pretendíamos vender, nem lugar. Como somos grandes consumidores de aço, por que não aproveitar essa sinergia com a Trael?”, diz Marinaldo.

Enquanto isso, a loja da Beira Rio ficou restrita à distribuição, enquanto uma outra loja foi aberta em Sinop (500 km distante de Cuiabá, no sentido Norte). Hoje, estas três unidades contam com 150 colaboradores.

“Como nossa economia é instável, precisamos buscar alternativas para não encolher. Por isso, há dois anos criamos a CTA. Nossos clientes, sejam eles gaúchos, baianos ou pernambucanos, que já adquirem os transformadores da Trael, vão comprar também as eletro-ferragens”.

Apesar de seus 40 colaboradores, produzindo, há 60 dias cerca de 80 toneladas de ferragens a cada mês, a CTA ainda é deficitária. Diz Marinaldo, que, por enquanto, os poucos pedidos sequer cobrem os custos da energia consumida na produção. “Primeiro, é preciso produzir para o cliente homologar sua fábrica, ver se há condições físicas e estruturais para estar produção se manter”.

Segundo ele, este processo demora ainda uns seis meses. “Homologados fábrica e produto, condição necessária para participar de concorrências, é preciso ainda ter competitividade e preço baixo, porque estamos disputando com uma empresa paranaense, há meio século no mercado”, conclui.

A força do incentivo

Marinaldo dos Santos afirma que a Trael conseguiu se destacar no setor, graças ao Prodeic (Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso). “Toda nossa matéria-prima é adquirida no Sul, Sudeste e de outros países e no Brasil as distâncias são grandes, aumentando ainda mais o custo do frete. Impossível competir com as industrias destes estados sem incentivo fiscal. Além disso, estados vizinhos como Mato Grosso do Sul e Goiás, mais próximos do consumo, também têm incentivos atrativos”.

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Em sua opinião, ser contra o Prodeic é um equívoco. “Sou contra o incentivo mal aplicado, destinado a empresas sem nenhum vínculo com o desenvolvimento estadual. Mesmo com incentivo, nos últimos cinco anos, com exceção da agroindústria, nenhuma empresa de fora se instalou no Estado. Somente as empresas que aqui nasceram e cresceram continuam investindo”.

Por outro lado, contesta a interpretação de que a desoneração é sem retorno. Ele lembra que o um estudo da Fiemt (Federação das Industrias no Estado de Mato Grosso), feito com base em diversos dados e indicadores desde a criação do programa, em 2004, até 2017, demonstra que cada R$ 1 investido gerou um retorno de R$ 1,25 para a receita estadual.

“Por causa do crescimento da Trael, a arrecadação nunca caiu. Está sempre aumentando, porque se paga ICMS sobre energia elétrica, telefonia e transporte, porque o incentivo incide apenas sobre a venda do produto. Além disso, o nosso colaborador direto consome comida, roupa, sapato, remédio, combustível, entre outros itens sobre os quais incide o imposto”.

Como ter acesso ao Prodeic

Criado em 2003, o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) concede benefício fiscal, por 10 anos, sobre produtos da indústria de transformação. A proposta é contribuir para expansão, modernização e diversificação das atividades, por meio do estímulo a investimentos, inovação tecnológica e aumento da competividade, “com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais e regionais”.

Para ser beneficiado, a empresa precisar estar estabelecida (ou se estabelecendo) em Mato Grosso; estar regular junto à Fazenda Pública Estadual, aos órgãos de fiscalização e controle ambiental; participar do Programa Primeiro emprego; e não usufruir de incentivo financeiro ou fiscal similar.

Para se cadastrar, o interessado entra no site da Sedec (Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico), via Sistema Gerencial de Incentivos, onde receberá o código do usuário e a senha de acesso e, em seguida, preencher a carta-consulta. Após esta etapa, a Sedec libera a carta consulta no sistema.

Imprimir e rubricar todas as páginas, protocolar na Sedec, junto com a documentação exigida, que pode ser conferida no próprio site. Caso falte algum documento, o pedido será negado.

Os processos habilitados serão submetidos a análises tributária, econômica, social e ambiental. O parecer técnico, resultante destas análises, serão apreciados pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cedem), composto por secretários de Estado e representantes de entidades estaduais e federais.

G1

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“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.

Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.

“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.

Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.

“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.

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Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.

“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.

Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.

Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.

Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.

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