Cidades
“Entreguei a guarda do meu filho”, conta professora que teve ponto cortado
A professora Ângela Maria Ramos, de Cáceres (a 217 km de Cuiabá), teve que dar a guarda de seu filho de 13 anos ao pai, com quem é divorciada, devido ao ponto cortado, que ocorreu em consequência da adesão à greve promovida pela categoria. O movimento soma pouco mais de dois meses de paralisação, em meio à resistência dos professores que exigem o cumprimento da lei complementar nº 510, que propõe o aumento salarial de 7,69%, e melhoria nas escolas estaduais de Mato Grosso.
“Eu tenho um filho de 13 anos. Para eu estar aqui, ele está na casa do pai. Aliás, eu entreguei a guarda porque não tenho como eu cuidar. Entreguei a guarda na semana passada porque na minha casa não tinha comida”, revela a servidora do estado ao Olhar Direto.
É a primeira vez que Ângela participa ativadamente no movimento na capital mato-grossense, apesar de sempre aderir às greves propostas pela categoria. Ela explica que optou vir para Cuiabá após entregar a guarda do filho ao pai e por não conseguir mais ver seu quarto sem sua presença. “Foi horrível. Eu vim para esse movimento para eu não ficar olhando para o quarto dele. Eu entrei em pânico e choro”, desabafa.
Professora da Escola Estadual Desembargador Gabriel Pinto de Arruda, Ângela teve seu ponto cortado desde o início da greve e teve ajuda de amigos para que algumas contas fossem pagas, mas confessa que não sabe como pagará as contas de água e energia referentes ao mês de julho. Ela acrescenta, entretanto, que irá se manter firme na greve, apesar de se sentir desmotivada às vezes a continuar.
“Ontem foi um dia muito triste para mim. Eu nunca tinha passado por uma situação como essa, de ir para a praça pedir dinheiro. É humilhante a ponto da gente chegar a ter que fazer isso. A gente não é reconhecido. Muitos estão do nosso lado, mas recebemos cada nome… Estamos lutando pelo nosso direito. Não queremos nada mais do que o nosso direito”.
Com duas filhas pequenas, de um ano e quatro meses e dois anos, os professores Léia Raquel Ferreira e Cristiano Santos estão tendo dificuldades para cuidá-las, mas contam com ajuda de amigos e familiares. As filhas, entretanto, estão sempre juntas aos pais, conforme conta a mãe, que é coordenadora da Escola Estadual Malik Didier Namer Zahafi, localizada no Pedra 90.
“Está difícil, mas é a luta. Quando eu era criança, meu pai também [ficava] na luta de greve. Da mesma forma que a gente passou, elas estão passando pela mesma experiência. A gente tem que lutar pelas nossas experiências e nosso direito”, conta.
Quem ainda não teve o ponto cortado ajuda financeiramente quem teve, como é o caso da professora Cassandra*, que mora no noroeste de Mato Grosso. A mobilização na escola que trabalha quanto a greve é quase nula e “sequer questionou a possibilidade de parar”. Com a unidade educacional em recesso, ela veio para Cuiabá para poder se solidarizar com a causa da categoria.
“Tenho aproveitado o fato de não ter tido o corte no meu salário para ajudar colegas que tiveram o corte de seus salários, até mesmo suprindo na questão de alugueis, alimentação, esses tipos de coisas. A gente tem socializado o salário com os colegas que como eu vieram de outro estado e não temos a quem recorrer. Não tive o meu salário cortado e ele está em prol dos colegas que tiveram”, afirma.
Mineira, Cassandra veio para Cuiabá há cerca de um ano e se preocupa com a situação que a categoria se encontra. “Se a gente não luta por melhores condições de salário e trabalho agora, a gente não consegue imaginar como será o nosso quadro com 60 anos em sala de aula”, pontua em relação a Reforma da Previdência.
Quanto aos pontos cortados e as situações enfrentadas por alguns professores, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Valdeir Pereira, ao Olhar Direto, pontua que “ninguém escondeu que essa greve seria uma das mais complicadas”.
“O que significa hoje o corte de ponto pela negação da 510 é inferior a dois meses de salário (…) Por isso que há uma convicção por parte das pessoas que a greve está sendo um instrumento legal para buscar e cobrar do governo de Mato Grosso uma legislação ao qual ele está sendo seletivo”.
Nesta terça-feira (30), o governador Mauro Mendes (DEM) afirmou que não dará o “braço a torcer” até o ano que vem, pelo menos. A equipe do governador estuda possíveis impactos que a aprovação do projeto de incentivos fiscais irá trazer para o próximo ano. Os incentivos, de acordo com o governador, irão atender as demandas da categoria, além de garantir que o Estado não ultrapasse a Lei de Responsabilidade Financeira.
A greve dos servidores estaduais da educação dura mais de 60 dias e tem adesão de 65% das escolas no estado de Mato Grosso. Em Cuiabá, a adesão chega a 85%, segundo um levantamento feito pelo Sintep-MT.
Decisão
Na noite de terça-feira (30), a desembargadora Maria Erotides Kneip, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), declarou abusivo o movimento grevista dos professores da rede estadual que dura pouco mais de dois meses, dando prazo de três dias para que as atividades retornem. Caso a decisão não seja cumprida pelo sindicato, a TJ estabeleceu uma multa de R$ 150 mil por dia de descumprimento.
Olhar Direto
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.
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