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Soja já é vendida a R$ 71 no interior

De acordo com a T&F Consultoria Agroeconômica, o preço da soja no interior do Brasil já está ao redor de R$ 71,00/saca, caindo do patamar de R$ 75,00 verificado há apenas algumas semanas. “Naquela época, os agricultores queriam R$ 80,00. Hoje aceitariam o preço anterior, se lhes fosse oferecido, mostrando que não tem convicção sobre o que estão fazendo, tomando decisões depois que a oportunidade passa e não antes”, aponta o analista Luiz Fernando Pacheco.

“Uma das características de alguns agricultores brasileiros é perder o timming do negócio de soja. Todos os anos isto acontece e todos tem alguma história de vizinho ou parente para cotar a respeito. E qual a causa disto? Falta de planejamento anual da lucratividade da lavoura, apenas isto. Se o agricultor sentasse para planejar o seu ano comercial, que vai desde a compra de insumos até a venda da safra, ele certamente não perderia certas oportunidades que o mercado todos os anos oferece”, alerta Pacheco.

De acordo com o especialista, planejar a safra é perfeitamente possível e aconselhável para aumentar a lucratividade, capitalizar o seu negócio, remunerar os sócios e fazer investimentos. Segundo ele, isso exige mais ou menos um dia inteiro e pode ser feito numa reunião de agricultores locais. “Quem comparecer a uma dessas reuniões, nunca mais perde oportunidade, nem fica ao sabor do que os outros dizem ou fazem. E ganha dinheiro”, conclui.

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CLIMA

De acordo com os mapas climáticos analisados pela Consultoria AgResource, no Brasil as chuvas seguem bastante favoráveis para o desenvolvimento da safrinha, principalmente nos estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais. “Volumes menos intensos (de 10 a 30 mm) são esperados no Paraná e Mato Grosso do Sul nos próximos cinco dias, mesmo assim não são esperados impactos negativos as lavouras até o momento”, projeta a ARC Mercosul.

Agrolink

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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