Agro Notícias
Senar participa do lançamento do Programa Aplicador Legal
Brasília (17/03/2022) – O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) participou do lançamento do Programa Aplicador Legal, em cerimônia realizada na quinta (17), em Brasília.
A iniciativa é uma parceria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Senar, Croplife Brasil e Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) para registrar e capacitar os profissionais aplicadores de defensivos no campo. A medida está prevista no Decreto nº 10.833/2021 do Governo Federal.
Para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, além de treinar, o programa vai esclarecer a desinformação sobre os defensivos agrícolas, “maior batalha a ser vencida”, acredita.
“A precaução sobre a saúde humana deve ser sempre ressaltada, daí a necessidade de uma capacitação especial para aqueles autorizados a aplicar os defensivos. Esse será o maior programa onde vamos integrar e coordenar os esforços que já existem, porque não estamos lançando a pedra fundamental, mas dando a bússola para dizer como as coisas serão feitas daqui para frente”.

Tereza Cristina reforçou que é necessária uma mobilização nacional para alcançar o objetivo do programa, que é mostrar que os defensivos são fundamentais para garantir a segurança alimentar em todo o mundo.
“A segurança para o aplicador, meio ambiente e para o consumidor final também são fundamentais. Por isso, acredito que essa é mais uma iniciativa que reforça a sustentabilidade da agricultura brasileira”.
O diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, afirmou que é um programa desafiador, mas que por meio do trabalho conjunto entre as entidades será possível falar com o produtor e a sociedade.
“Não é um assunto novo, mas é um momento propício em meio à questão do abastecimento e dos fertilizantes. Será um desafio de todos, pois é um problema de todo o mundo, não só do produtor, da indústria ou do meio ambiente, mas da sociedade brasileira”.

Carrara disse ainda que o Senar já tem instrutores preparados e desenvolve capacitações na área. No entanto, o lançamento do programa é o pontapé para se organizar o setor e ter um conteúdo mínimo e obrigatório para se trabalhar o tema.
“Estamos dispostos a fazer o que for necessário para atingir nossa meta e dar segurança ao produtor, consumidor e meio ambiente.”
Segundo o vice-presidente executivo do Sindveg, João Lammel, o programa tem grande relevância e chegou em boa hora porque irá “melhorar a eficiência agronômica, reduzir desperdícios e mitigar eventuais efeitos colaterais indesejados”.
Para o presidente da Croplife, Christian Lohbauer, “o momento é de celebrar um projeto tão importante como esse.”
Durante o evento de lançamento do programa foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária com a CropLife Brasil, o Sindiveg e o Senar, visando a elaboração de um Plano de Trabalho para a consecução de cursos de capacitação destinados à aprovação do registro de aplicador de agrotóxicos e afins.
Plataforma e Aplicativo
Por meio do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Croplife Brasil e Sindiveg, foi desenvolvida uma plataforma com interface web que irá cadastrar e habilitar agricultores e aplicadores de defensivos, bem como instituições e profissionais que realizarão esse treinamento.
Também será disponibilizado um aplicativo para celular que será utilizado para emissão da carteira digital de habilitação dos aplicadores que obtiverem o certificado de conclusão dos cursos de capacitação junto às entidades credenciadas pelo Mapa nos estados e no Distrito Federal.
“O agricultor aprovado no curso receberá uma carteirinha digital de aplicador de agrotóxico, semelhante à CNH digital disponibilizada hoje”, explicou o secretário de Defesa Agropecuária, Guilherme Leal.
Capacitação
Para obter o registro, o aplicador terá que passar por uma capacitação que será promovida pelo Senar, Sindiveg e CropLife Brasil nas modalidades presencial, semipresencial e a distância. O cadastro dos aplicadores de agrotóxicos e afins deverá ser solicitado junto aos órgãos de agricultura da Unidade da Federação onde residem.
Os cursos vão atender as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama, abordando conteúdos referentes à segurança na aplicação como o uso correto do EPI, intervalo de segurança, período de carência, interpretação do rótulo e da bula, o transporte e armazenamento dos agrotóxicos em propriedades rurais, entre outros temas.
Até 2026, o programa deve capacitar e registrar aproximadamente 2 milhões de agricultores.
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Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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