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Senar destaca crescimento da atuação feminina no agro

Brasília (11/05/2022) – O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) realizou, na quarta (11), a live “Mulheres que fazem a diferença no agro” com o objetivo de debater a atuação feminina no campo.

O encontro foi moderado pela coordenadora de Projetos da Diretoria de Assistência Técnica do Senar, Bárbara Evelyn Silva, e contou com a participação da jornalista e produtora rural, Daniela Germano; da técnica de campo do Senar Minas, Pércia Rocha; e da produtora rural e proprietária da Nena Alimentos, Vanessa Lima.

“Atualmente 6,2 milhões de mulheres desempenham funções no agro e 18% dos estabelecimentos rurais são administrados por produtoras, o que representa cerca de 30 milhões de hectares. Isso demonstra que há, de fato, um crescimento na valorização da força de trabalho feminina e na transição da mulher dentro do setor”, afirmou Bárbara.

Vanessa contou sobre o desafio de cursar Agronomia, os primeiros cultivos na área de horticultura e a ideia para criar a Nena Alimentos, em Cristalina (GO). A empresa, que trabalha com a produção de abóbora, cebola e alho, tem inspiração feminina desde a cor rosa da marca.

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“Nosso foco é a produção de alimentos por mulheres do agro. Tenho uma equipe maravilhosa e, trabalhando juntas, conseguimos mostrar ainda mais a nossa força e capacidade”, disse ela.

Pércia adiou o sonho de atuar no agro por muito tempo até que decidiu fazer um curso técnico de agricultura e zootecnia. Depois disso, a carreira deslanchou: fez graduação, mestrado, estagiou na Embrapa e se tornou técnica de campo do projeto FIP Paisagens Rurais, no Senar Minas.

“A persistência cria caminhos. Só não consegue aquela pessoa que desiste. Fico muito feliz de hoje ter essa representatividade e conseguir incentivar outras mulheres a vir com a gente e fazer a diferença”, declarou.

Apesar de ter nascido na área rural, Daniela foi estudar em Uberaba (MG) e acabou optando por uma vida urbana. Foi a maternidade e a vida agitada que fizeram ela repensar essa escolha e encarar o desafio de retornar ao campo. Hoje, a jornalista, o filho e o marido vivem em uma pequena propriedade no município de Prados (MG).

“Na infância eu brincava com bezerros, vacas e cachorros. Queria que meu filho também tivesse essa vivência e fosse criado com mais liberdade. Com todas as dificuldades que passamos, acho que hoje somos mais felizes e temos certeza absoluta que é isso que queremos para nossas vidas. As coisas só acontecem se você buscar e acreditar”, destacou Daniela.

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Fonte: CNA Brasil

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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