Agro Notícias
Prejuízos com atoleiros na BR-163 no Pará que impediram tráfego de cargas de MT é incalculável, diz presidente
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado De Mato Grosso (Aprosoja ), Antônio Galvan disse, em entrevista, ao Só Notícias, que os prejuízos causados durante as duas semanas que os caminhoneiros ficaram impedidos de trafegarem na BR-163 por conta dos atoleiros em três serras – pontos mais críticos – entre Novo Progresso e Moraes Almeida, no Pará, são incalculáveis para os agricultores, empresas de logística e caminhoneiros. “É uma situação caótica. Voltou a se repetir uma coisa que achamos que não teria tantos problemas esse ano, já que o Exército e uma empresa estão na região dano assistência todo esse período. Não esperava mais esses problemas na rodovia. Isso resulta em prejuízo enorme para o produtor. Querendo ou não, primeiro foi do caminhoneiro e, depois, as empresas que estão esperando para receber o produto. Porém, quem vai acabar pagando essa conta no final é o produtor”, disse Galvan
Ainda de acordo com o presidente da Aprosoja, a dificuldade na trafegabilidade causou transtorno no prazo de entrega no porto de Marituba. “Esse é o grande problema. Vem o prejuízo das empresas que vão acabar pagando pelo tempo que os navios estão lá esperando para carregar a mercadoria. Não chega na estação de transbordo onde faz o embarque definitivo para exportação. Estamos constantemente cobrando essa situação. Esperamos que essa seja a última safra com enfrentamos esse problema. Temos que dar um voto de confiança para o governo que assumiu recentemente”.
Conforme Só Notícias já informou, ontem, o departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Exército arrumaram alguns trechos críticos da BR-163 entre Novo Progresso e Moraes Almeida e houve a liberação do tráfego de carretas e caminhões carregados que estavam nas filas, há duas semanas, em direção ao porto de Miritituba. A liberação ocorreu 24 horas antes de o tempo estabelecido.
De acordo com o DNIT, o trecho que foi mais afetado pelas chuvas, próximo à Vila do Caracol, que estava em leito natural, está com os serviços de terraplenagem e drenagem realizados e de pavimentação em execução, o que elevou o nível da rodovia. Somente entre junho e outubro de 2018 já foram pavimentados mais de 33 quilômetros, e o objetivo principal da Autarquia é concluir 100% ainda em 2019.
Dos 707,4 quilômetros da BR-163, localizados desde a divisa com Mato Grosso até a entrada para o Porto de Miritituba, 658 quilômetros já foram pavimentados pelo DNIT. Os quase 49 quilômetros a serem asfaltados estão divididos em dois lotes de obras, sendo 3 km ao sul da Vila do Caracol e 46 km sob responsabilidade do Exército perto de Moraes Almeida.
Na segunda-feira começou, em Guarantã do Norte o bloqueio de carretas que estavam indo a Miritituba e Santarém. Inicialmente, o bloqueio terminaria hoje mas foi antecipado e ontem os carreteiros seguiram viagem.
Só Noticias
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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