Agro Notícias
População rural de Belém recebe atendimento em saúde
Os produtores e trabalhadores rurais do município de Belém, a 82 quilômetros de Maceió, participaram de mais uma edição do Programa Saúde do Homem Rural, realizado na cidade na última quarta-feira (13).
O atendimento no Centro de Saúde de Belém começou cedo, às 8h. O agricultor José Miguel da Silva, de 86 anos, foi um dos primeiros a chegar ao local. Antes de seguir para atendimento, ele e os demais produtores e trabalhadores rurais assistiram a duas breves palestras sobre cuidados com a alimentação e prevenção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
As informações sobre como adotar uma alimentação mais saudável foram repassadas pela nutricionista Claudia Ananias, enquanto as explicações sobre ISTs foram dadas pelo assistente social Anderson Rafael da Silva, da rede de Atenção Básica da Saúde do município. Além das palestras, também foram distribuídas cartilhas de diversos temas com foco na saúde e bem estar do homem do campo.
“A vinda desse programa é uma benção de Deus. Fui bem atendido, fiz os exames que precisava e agora me sinto uma criança de novo”, diz o agricultor, pouco depois de ter o sangue coletado para a realização do exame de PSA, preventivo para câncer de próstata. Também foram feitos testes rápidos para doenças como HIV, sífilis e hepatites B e C.
A segunda parte do programa em Belém acontece no final de abril, nos dias 28 e 29, quando serão atendidas as mulheres e, em seguida, a realização das consultas dos homens com o urologista Mário Ronalsa, parceiro do Senar Alagoas nas ações da instituição.

No dia 28, as mulheres devem fazer principalmente o exame de citologia, além de testes rápidos para doenças como HIV, sífilis e hepatites B e C.
No dia 29, o urologista dará continuidade ao atendimento iniciado no dia 13, analisando os resultados dos exames de PSA e fazendo o toque retal naqueles pacientes cujo laudo aponta alteração na próstata.
“É de extrema importância que os homens atendidos no dia 13 retornem para a consulta do dia 29, já que o atendimento com o urologista é complementar aos exames realizados no primeiro dia do programa na cidade”, explica a coordenadora do Programa Saúde do Homem e da Mulher Rural do Senar Alagoas, Andréa Almeida.
A ação é realizada nos municípios sempre em parceria com as prefeituras.
“Novas ações de saúde para essa população do campo fazem toda a diferença porque a gente aproveita a oportunidade para falar sobre a importância do diagnóstico precoce das doenças”, explica a secretária de Saúde de Belém, Maria Ferreira de Melo.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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