Agro Notícias
Pesquisadores mostram soluções de manejo da adubação para cultivo em sistema de produção soja-milho em MT
Uma adubação adequada pode garantir a rentabilidade e sustentabilidade da atividade agrícola. Para evitar desperdícios e uma segura produção, produtor rural e equipe tem que atentarem-se ao planejamento agrícola, o qual deve considerar o histórico da área, a cultura, os preços e outros fatores que interferem direta e indiretamente a atividade. De acordo com pesquisadores, é importante também fazer manejo responsável dos nutrientes das plantas nos sistemas de produção soja-milho. Em Mato Grosso é comum o cultivo de soja após o milho safrinha. E isso pode influenciar a adubação de soja. A adoção de estratégias de adubação para esse sistema de produção é um dos assuntos do Fundação MT em Campo – 2° safra que começou hoje e vai até 6 de junho em Nova Mutum e Sapezal, respectivamente.
Serão mostradas várias opções de adubação envolvendo doses de cada nutriente para as culturas da soja e do milho safrinha e quanto de grãos tem produzido ao longo de seis anos em cada estratégia de adubação. “Iremos mostrar os resultados de produtividades obtidos ao longo dos anos e o balanço de nutrientes para as opções de adubação. Teremos caso de um balanço negativo, caso de um balanço neutro e caso de um balanço positivo”, afirmou Fábio Ono, pesquisador da Fundação de apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso, Fundação MT.
Os participantes poderão ver desenvolvimento do milho safrinha submetido aos diferentes níveis de adubação. Segundo Francisco Cunha, consultor técnico, serão fornecidas informações dos resultados das safras anteriores e o comportamento das duas culturas para as diferentes situações de adubação, desde a falta total de fertilizantes fósforo (P) e potássio (K) até as doses mais altas, acima das necessidades recomendadas avaliando os resultados de produtividade. “Poderemos discutir o resultado consolidado das seis safras de soja e cinco de milho, com avaliação da produção e financeira e quais as situações mais indicadas para o manejo da adubação de soja-milho”, destacou Cunha.
Os pesquisadores partilharão recomendações técnicas a partir das pesquisas realizadas nesses seis anos no CAD Médio Norte e as adubações insuficientes levam a uma queda progressiva da produtividade e perda dos nutrientes já disponíveis em um solo já com bons índices de fertilidade e por outro lado, adubações acima da necessidade não proporcionam ganhos de rendimentos. Eles reforçam que não há receita de bolo quando se trata de adubação, por isso produtor e equipe tem que considerar os princípios da adubação equilibrada, o acompanhamento para a avaliação de resultados e a necessidade de monitoramento para se alcançar os resultados mais vantajosos.
Há muito fatores a serem considerados sobre o manejo da adubação. A começar pelo diagnóstico dos níveis disponíveis dos nutrientes no solo e o conhecimento do histórico de cultivo e de correções e ou adubações. “Se o solo é considerado de “fertilidade construída” e argiloso, as doses de nutrientes utilizadas podem ser a da exportação (adubar pensando na quantidade de nutrientes que serão exportadas via grão), porém, tem que pensar no sistema como o todo (nesse caso soja/milho safrinha) e não apenas adubar focando os nutrientes exportados apenas na cultura principal, pois ambas as culturas estarão exportando nutrientes e se o balanço for negativo, ao longo do tempo, ocorrerá perda de produtividade. Se ocorrer o inverso, adubações muito elevadas (acima da necessária), o resultado financeiro será negativo, pois as produtividades das culturas não são lineares com o aumento das doses de fertilizantes”, afirma Fábio Ono.
Só Notícias
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Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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