Agro Notícias
MT: Justiça nega novo pedido de prisão de pecuarista que desmatou 81 mil hectares no Pantanal

O juiz João Francisco Campos de Almeida, do Núcleo de Inquéritos Policiais, manteve decisão que negou prisão preventiva ao pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, investigado por desmate químico em áreas que totalizam 81 mil hectares no Pantanal Mato-grossense. Decisão é do dia 26 de abril. Claudecy é representado pelo advogado Valber Melo.
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso recorreu no dia 15 de abril da decisão que indeferiu o pedido de prisão preventiva. Considerado o responsável pelo maior dano ambiental já registrado no Estado de Mato Grosso, o investigado foi alvo de decisões judiciais que resultaram na indisponibilidade de 11 fazendas, na apreensão judicial dos animais dessas propriedades e no embargo das áreas afetadas.
A Justiça determinou ainda a suspensão do exercício da atividade econômica e proibiu o investigado de se ausentar do país. As medidas cautelares, diversas da prisão, também foram impostas ao responsável técnico pelas propriedades, Alberto Borges Lemos, e ao piloto da aeronave que pulverizou o agrotóxico, Nilson Costa Vilela.
Ao examinar o recurso que pedia a reconsideração, pela prisão preventiva, João Francisco Campos de Almeida decidiu não alterar seu julgamento inicial. “Não vislumbro o desacerto da recorrida decisão e, estando presentes os requisitos intrínsecos e extrínsecos do recurso, mantenho-a em seus próprios fundamentos”, salientou.
Apesar da negativa inicial, o recurso será examinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Agro Notícias
Médio-Norte de Mato Grosso ganha projeção nacional com produtividade acima de 65 sacas de soja por hectare
Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, será palco da Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 e reforça protagonismo de uma das regiões agrícolas mais importantes do país
O Médio-Norte de Mato Grosso volta a ocupar posição de destaque no agronegócio brasileiro. No próximo dia 17 de setembro, Ipiranga do Norte sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja – Safra 2026/27, reunindo produtores, empresários, pesquisadores, autoridades e representantes de diferentes segmentos da cadeia do agronegócio.
O evento será realizado na Fazenda Horizontina, propriedade da família Pozzobon que registra produtividade média superior a 65 sacas de soja por hectare e se tornou referência na utilização de tecnologia, agricultura de precisão e práticas voltadas à sustentabilidade da produção.
Mais do que colocar Ipiranga do Norte no centro das atenções, a escolha reforça a importância de todo o eixo agrícola do Médio-Norte mato-grossense, formado por municípios que estão entre os maiores produtores de grãos e polos agroindustriais do Brasil.
Uma região que ajuda a sustentar a produção brasileira
Ipiranga do Norte está inserida em uma região estratégica que reúne municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Tapurah e Itanhangá, entre outras cidades fortemente ligadas à produção de soja, milho e algodão.
O tamanho dessa força pode ser observado em Sorriso, considerado pelo IBGE o maior produtor nacional de soja e milho. Dados referentes à produção agrícola de 2024 apontaram aproximadamente 6,1 milhões de toneladas de grãos produzidas somente no município.
Além da produção, a estrutura instalada na região também chama a atenção. Segundo levantamento do IBGE referente ao segundo semestre de 2025, Sorriso possuía cerca de 5,9 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem, a maior entre os municípios brasileiros. Nova Mutum e Lucas do Rio Verde também estão entre os grandes polos de armazenamento do estado.
Esses números mostram que o Médio-Norte não representa apenas grandes extensões de lavouras. Ao longo das últimas décadas, a região passou a concentrar também armazenagem, agroindústrias, produção de biocombustíveis, proteína animal, logística e processamento de grãos.
Fazenda ultrapassa 65 sacas por hectare
Dentro desse cenário, a Fazenda Horizontina representa um dos exemplos da evolução tecnológica ocorrida no campo.
A propriedade foi adquirida em 2009, inicialmente com foco na ampliação da produção de algodão de segunda safra. Ao longo dos anos, passou por um processo de modernização e diversificação.
Atualmente, a média de produtividade da soja supera 65 sacas por hectare. Entre as tecnologias utilizadas estão agricultura de precisão, telemetria de máquinas, aplicação localizada de defensivos e monitoramento das lavouras por imagens NDVI.
As ferramentas permitem acompanhar diferenças no desenvolvimento das plantas dentro dos próprios talhões e direcionar o manejo para áreas específicas, reduzindo desperdícios e buscando maior eficiência na utilização de fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas.
Agricultura regenerativa e economia circular
Outro destaque da Fazenda Horizontina está na tentativa de integrar produtividade e conservação dos recursos naturais.
A propriedade utiliza conceitos de agricultura regenerativa, com práticas voltadas à conservação e à melhoria das condições do solo.
O projeto também avança para um modelo de economia circular, no qual soja, milho e algodão podem ser integrados à produção animal e à agroindustrialização.
A proposta é fazer com que parte dos produtos e subprodutos permaneça dentro da própria cadeia produtiva. Resíduos da produção animal, por exemplo, podem retornar ao sistema na forma de fertilizantes ou ser utilizados na geração de energia.
É um modelo que reflete uma transformação cada vez mais presente no Médio-Norte: deixar de ser exclusivamente uma região produtora de matéria-prima para avançar na industrialização e na agregação de valor.
Lucas, Sorriso e Nova Mutum avançam na industrialização
Essa transformação pode ser observada em várias cidades da região.
Lucas do Rio Verde vem consolidando sua posição como polo agroindustrial e logístico e atraindo novos investimentos relacionados à transformação da produção agrícola. O município também mantém forte integração entre produção de grãos, proteína animal, indústria e biocombustíveis.
Somente na safra 2025/26, Lucas do Rio Verde cultivou aproximadamente 147 mil hectares de milho, com produção estimada em mais de 1 milhão de toneladas, segundo dados do Imea divulgados pelo município.
Sorriso segue trajetória semelhante. O município possui cerca de 600 mil hectares destinados à soja e ao algodão na primeira safra, com grande parte da área retornando à produção na segunda safra, especialmente com milho.
Nova Mutum, por sua vez, também consolidou uma forte base de produção de grãos e vem ampliando a presença de indústrias ligadas principalmente ao processamento de milho, produção de etanol e outros segmentos associados ao agronegócio.
Mato Grosso segue líder na soja
O protagonismo regional ocorre dentro do maior estado produtor de soja do país.
Para 2026, o IBGE estimou inicialmente que Mato Grosso poderia produzir aproximadamente 48,5 milhões de toneladas de soja, mantendo larga liderança nacional.
No Brasil, a estimativa divulgada pelo instituto em junho avançou para aproximadamente 174,6 milhões de toneladas de soja, estabelecendo novo recorde na série histórica.
Boa parte dessa produção atravessa ou é originada justamente no eixo central da BR-163 em Mato Grosso, onde estão concentrados alguns dos municípios agrícolas mais relevantes do país.
BR-163 fortalece corredor produtivo
A expansão do agronegócio também aumenta a importância da infraestrutura regional.
A BR-163 é o principal corredor rodoviário que conecta Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e municípios próximos às principais rotas de escoamento de Mato Grosso.
Nos últimos anos, a duplicação da rodovia avançou pela região. Entre os trechos já entregues estão aproximadamente 48 quilômetros entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde e outros 16 quilômetros entre Lucas e Sorriso, melhorando a conexão entre alguns dos principais polos produtores do estado.
Além das rodovias, a perspectiva de expansão ferroviária e novos investimentos privados tende a ampliar ainda mais a capacidade logística e industrial do corredor.
Ipiranga do Norte vira vitrine do agro brasileiro
É dentro desse cenário que Ipiranga do Norte receberá, em 17 de setembro, a abertura oficial do plantio da soja 2026/27.
A programação na Fazenda Horizontina marcará o início da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e terá como tema central “A verticalização da soja na produção de alimentos e energia”.
A discussão é especialmente relevante para o Médio-Norte de Mato Grosso. Depois de décadas ampliando produção e produtividade, o desafio atual passa por transformar uma parcela maior dos grãos dentro da própria região, criando indústrias, empregos, biocombustíveis, proteínas e novos negócios.
A realização de um evento nacional em Ipiranga do Norte, portanto, vai além de uma solenidade de início de safra. Ela evidencia uma realidade já construída no campo: o Médio-Norte de Mato Grosso se consolidou como uma das regiões agrícolas mais produtivas e tecnologicamente avançadas do Brasil e começa uma nova etapa marcada pela industrialização e agregação de valor àquilo que produz.
-
Eleições3 dias atrásPropaganda eleitoral nas ruas tem regras: material deve ser retirado às 22h e carro de som não pode circular sozinho
-
Eleições3 dias atrásMax Russi reforça atuação no Médio-Norte e destaca força das lideranças de Nova Mutum
-
Política5 dias atrásPL parte para expulsões após prefeitos aderirem a Pivetta; Abilio reage e chama cobrança de fidelidade de ‘hipocrisia’”
-
Mato Grosso3 dias atrásFila Zero prevê 588 mil procedimentos em MT, enquanto programa federal adiciona mais 9,6 mil atendimentos em 2026
-
Polícia3 dias atrásHomem é sequestrado e espancado por dívida de R$ 100 em MT
-
Polêmica5 dias atrás“Senado não pode ficar passivo”: Max Russi se revolta com crise envolvendo Moraes e Vorcaro e cobra impeachment
-
Saúde3 dias atrásCrianças enfrentam espera ainda mais difícil por transplantes; desafio também atinge famílias de Mato Grosso
-
Cidades5 dias atrásFrente fria derruba temperaturas em Mato Grosso; Diamantino pode ter 19°C e Nova Mutum terá chuva no fim de semana






