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Milho que será plantado e colhido apenas em 2022 é vendido por até R$ 35 em MT

Foto: Reprodução

A demanda aquecida pelo milho tem provocado situações inéditas no mercado do grão. Em Mato Grosso, estado que mais produz milho no Brasil, os agricultores terminaram a colheita desta safra e já negociam a produção das duas próximas temporadas. Ou seja, até o milho que só vai ser plantado e colhido em 2022 já está sendo vendido.

Com a colheita dos milharais praticamente encerrada, as vendas do grão desta safra estão na reta final. Mais de noventa por cento da produção foram negociados (90,45%). Restam 3,1 milhões de toneladas nas mãos dos agricultores. O ritmo dos negócios supera a média dos últimos cinco anos para o período (80,42%) e o mesmo já acontece com a segunda safra do ano que vem.

Aliás, nunca se vendeu tanto milho com tamanha antecedência. Quase 46% da produção prevista já foram vendidos. Volume três vezes superior ao negociado nesta época – em média – nas últimas cinco safras, que segundo o Imea é de 14,22% da produção.

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A demanda aquecida pelo grão, tanto dentro quanto fora do Brasil, tem motivado compradores a garantir mais cedo a aquisição matéria-prima. Assim como no mercado da soja, no do milho também já tem agricultor vendendo o grão que só vai ser plantado e colhido daqui a dois anos. Um exemplo vem da Fazenda Santa Ernestina, em Sorriso, médio-norte do estado. Por lá 15% do milho que vai ser produzido em 2022 já foram negociados.

“Já temos tradings e indústrias de etanol sinalizando preços que estão girando em torno de R$ 34 a até R$ 35 por saca. Isso aí garante que o produtor possa fazer algumas travas dos custos de produção, baseado nesta safra que será plantada em 2021. Isso garante que ele possa estar minimizando os riscos por conta de uma queda de preço ou até mesmo do câmbio, que é uma incógnita. Ninguém sabe para que lado vai esse câmbio. Então, isso aí garante uma estabilidade e até mesmo uma certa rentabilidade ao produtor rural”, analisa o agricultor Cleiton Tessaro.

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Fonte: Canal Rural

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Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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