Agro Notícias
Itanhangá: População se reúne para lutar contra reintegração de posse; comércios fecham as portas #SOSITANHANGÁ

Nessa sexta-feira (26.07) Itanhangá será palco de uma das maiores manifestações já realizadas na região. A população local se mobiliza em um protesto contra as ações de retomada de terras promovidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA). Lojas, supe~rmercados, indústrias e profissionais liberais fecharão suas portas em solidariedade aos assentados que estão sendo expulsos de suas terras.
A revolta dos moradores de Itanhangá tem raízes profundas. As terras do município, que atualmente valem milhões, estão sendo alvo de promessas de retomada e redistribuição. O INCRA está implementando a reintegração de posse de lotes inseridos no Projeto de Assentamento Tapurah/Itanhangá, uma ação que a população considera injusta e arbitrária.
Os assentados, que há mais de 20 anos trabalham na terra, corrigiram o solo e o fizeram produzir até valerem o que valem hoje, estão sendo obrigados a desocupar suas propriedades em um prazo de apenas 24 horas. Isso significa deixar para trás uma vida inteira de trabalho e começar do zero. Se o INCRA tivesse concedido os títulos definitivos, essa situação caótica e desesperadora poderia ter sido evitada.
Desde 2022, o INCRA tem ajuizado ações civis públicas para a retomada de parcelas de assentamento, com liminares para a reintegração de posse sendo deferidas pela Justiça Federal de Diamantino-MT. As partes afetadas não tiveram a oportunidade de apresentar defesa ou buscar conciliação, conforme relatou um dos assentados despejados no dia 24 de julho. “Não fomos ouvidos e não tivemos chance de defesa. Estamos há mais de 20 anos plantando em nossa gleba, temos matrícula com cláusula resolutiva e o INCRA não analisou nosso pedido de baixa. Essa é nossa pena, sair sem direito a nada depois de 20 anos? Sair sem o direito de defesa? É uma injustiça!”, desabafou emocionada uma das moradoras afetadas.
A indignação da população de Itanhangá resultou em uma grande manifestação no dia 24 de julho, quando mais de 1.000 pessoas se reuniram em frente à Prefeitura para buscar respostas do Prefeito Edu Laudi Pascoski. O prefeito descreveu a situação como “caótica e surreal”. “Não estamos acreditando no que estamos vendo! Famílias desesperadas sem ter para onde ir, pessoas que fazem parte da história do município. Essas famílias são trabalhadoras e conseguiram progredir trabalhando. O INCRA não está agindo de forma correta, pois não está respeitando as etapas para as reintegrações de posse que o Conselho Nacional de Justiça estabeleceu na Resolução 510. Para onde essas famílias irão?”, questionou o prefeito.
A manifestação desta sexta-feira contará com a presença da Deputada Federal Coronel Fernanda, representantes da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (APROSOJA), da Frente Nacional da Agropecuária, deputados estaduais e outros representantes de entidades que vêm apoiar a população de Itanhangá. Cidades próximas também estão se unindo à causa, mostrando solidariedade aos assentados que estão sendo despejados injustamente.
A luta dos assentados de Itanhangá é um grito por justiça e por um futuro digno, onde possam continuar a viver e trabalhar nas terras que cultivaram por décadas. A manifestação busca chamar a atenção para a necessidade urgente de uma solução justa e humana para as famílias afetadas pelas ações de reintegração de posse do INCRA.
Agro Notícias
Milho dispara 12% em Sorriso e saca chega a R$ 47 com oferta limitada

O preço do milho registrou forte valorização em Sorriso, um dos maiores polos agrícolas de Mato Grosso. Em agosto, a saca do cereal alcançou média de R$ 47 no município, representando alta de aproximadamente 12% no período.
Os números constam no Agro Mensal, levantamento que acompanha o comportamento das principais commodities agrícolas. A valorização ocorre em meio à redução da disponibilidade do produto no mercado interno e às incertezas no cenário internacional.
Mesmo após a colheita da segunda safra, produtores seguem cautelosos nas negociações. Parte dos agricultores prefere manter o cereal armazenado, aguardando preços melhores, enquanto compradores encontram dificuldade para adquirir grandes volumes.
A menor presença de vendedores no mercado contribuiu para sustentar as cotações e ampliar a disputa pelo milho disponível. O movimento ganha importância em Sorriso, município que ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos.
Mercado externo preocupa
Além da oferta limitada dentro do país, o mercado acompanha as oscilações internacionais, o comportamento do dólar e as condições das lavouras nos Estados Unidos. Esses fatores podem influenciar diretamente os preços praticados no Brasil.
As exportações brasileiras também permanecem no radar. Quando os embarques avançam, o volume disponível no mercado interno diminui, aumentando a pressão sobre compradores, especialmente indústrias de ração, frigoríficos e produtores de proteína animal.
Apesar da alta registrada em agosto, especialistas avaliam que o mercado ainda pode apresentar forte volatilidade. O comportamento dos preços dependerá do ritmo das vendas dos produtores, da demanda interna e externa, do câmbio e das perspectivas para a próxima safra.
Em Sorriso, a valorização para R$ 47 por saca representa uma recuperação importante para os produtores, mas também pode elevar os custos de setores que utilizam o milho como matéria-prima.
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