Agro Notícias
Instituições compartilham informações para a criação de protocolo
Produtores rurais de Campo Novo do Parecis e Sapezal se reuniram com representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), neste mês de março. O propósito é criar um protocolo de combate a incêndio específico para lavouras e maquinários agrícolas e a ideia destas reuniões é compartilhar informações, experiências e construir juntos o protocolo.

Em Campo Novo do Parecis, a tenente coronel Jusciery e o tenente Wihby apresentaram as ações, os números e as atividades realizadas pelo BEA. Mais que os resultados, eles colocaram em discussão algumas ideias que podem ser utilizadas no protocolo. O principal objetivo deste trabalho é combater o fogo em propriedades rurais.
Os produtores de Campo Novo do Parecis falaram o que têm feito para combater o fogo no campo. “Este é um assunto importante para nós. Todo ano temos prejuízo com o fogo. Este protocolo nos ajudará a combater os incêndios com mais rapidez e assertividade”, destaca o presidente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Bruno Giacomet.

O coordenador de segurança e medicina do trabalho, da Usina Coprodia, Eladio Both, solicitou aos representantes do Corpo de Bombeiro um levantamento de quantos caminhões pipas têm na região. “Isso é importante para termos uma noção do que temos na região”. Both também falou sobre a estrutura da usina para o combate ao fogo e também como é feito. Ele destacou algumas ideias que podem ser incluídas no protocolo.
Já a tenente-coronel Jusciery Rodrigues Marques falou sobre a importância de abafadores no combate ao fogo. A coronel também explicou como funciona a estrutura ao longo do ano. “Esta parceria com o Senar-MT é importante para que nós bombeiros, para aprendermos como funciona as máquinas e implementos agrícolas. Já nós os bombeiros vamos capacitar os produtores para serem mais assertivos no combate ao fogo”.

O tenente Isaac Whiby acrescentou a importância dos abafadores e de vários outros equipamentos utilizados no combate ao fogo. Wihby mostrou a estrutura do Corpo de Bombeiro e destacou que no período de seca todos os quarteis cedem homens para trabalhar no combate ao fogo. “Mesmo assim temos que ter o apoio de todos para conseguir fazer um bom trabalho. A ideia é unir forças e conhecimento para termos uma resposta positiva”.
Recebidos pelo coordenador dos polos tecnológicos do Senar-MT, Wlademiro Neto, os oficiais do Corpo de Bombeiro também visitaram o Centro de Treinamento de Campo Novo do Parecis. Além de experimentar alguns equipamentos, eles também tiveram a oportunidade de visitar uma turma que estava fazendo o curso de brigada de incêndio.


Sapezal – na última sexta-feira (18.03), o tenente coronel Marco Antônio Guimarães e o tenente Isaac Wihby estiveram reunidos com os produtores de Sapezal. Os oficiais mostraram todas as ações que fazem para o combate ao foto e fizeram o convite para que também trabalhem no protocolo para combate a incêndio em lavouras e máquinas agrícolas.

Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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