Agro Notícias
Estudo da Embrapa aponta que soja não representa risco de desmatamento para a Amazônia
Um estudo recente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) trata de um assunto bastante polêmico em todo o mundo. A pesquisa esclarece, de forma contundente, que não há risco do aumento das taxas de desmatamento na região amazônica devido à produção de soja, e apresenta diversos elementos que contextualizam essa conclusão.
Um deles trata da legislação brasileira sobre proteção de florestas nativas, que é a mais rigorosa do mundo. A Embrapa demonstrou que os produtores preservam, a seus próprios custos e responsabilidades, 25,6% do território brasileiro, o que é muito superior à maioria dos outros países.
De acordo com a legislação, o agricultor pode usar até 20% de sua propriedade se estiver localizado no bioma Amazônia, tendo que preservar a vegetação nativa no restante da fazenda, especialmente as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a Reserva Legal de matas.
Além das normas rígidas, a Embrapa destaca que os traders do setor privado estabeleceram padrões ainda mais restritivos. É o caso da Moratória da Soja patrocinada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), que juntos contabilizam a comercialização de mais de 90% da soja produzida no Brasil.
Praticamente toda a produção de soja na Amazônia está sendo monitorada por essa iniciativa, que prevê a não comercialização e liberação de financiamentos de lavouras estabelecidas nesse bioma. A ação é apoiada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que, com o auxílio de imagens de satélite, identifica cultivos que violam essas regras. Ou seja, além das restrições legais, o cultivo da soja na Amazônia enfrenta uma série de questões, como econômicas e de infraestrutura.
No estudo da Embrapa também é mencionado um projeto financiado pela NASA, em que a superfície da terra foi analisada durante duas décadas, e a conclusão foi a de que o mundo possui 1,87 bilhões de hectares de cultivos. As maiores áreas cultivadas estão na Índia (179,8 milhões de hectares), Estados Unidos (167,8 Mha), China (165,2 Mha) e Rússia (155,8 Mha).
O projeto estimou a área de lavouras no Brasil em 63.994.479 hectares, ou seja, 7,6% do território, com preservação de 66,3%. A título de comparação, a Dinamarca cultiva 76,8% de sua área, seguida pela Irlanda, 74,7%; Países Baixos, 66,2%; Reino Unido, 63,9% e Alemanha, 56,9%.
E os dados são comprovados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que destaca os quatro países com a maior área florestal primária: Brasil (495 Mha), Canadá (330 Mha), EUA (280 Mha) e China (145 Mha). De forma geral, pode-se afirmar que os europeus desmataram seu território para explorá-lo com o uso agrícola, ocupação urbana, rodoviária ou industrial.
No Brasil, de 1990 a 2019, a produção de grãos aumentou 304%, com um incremento de rendimento de 145%, enquanto a expansão da área foi limitada a 66%. Isso demonstra que os agricultores expandiram a produção agrícola aumentando a produtividade das culturas de forma mais eficiente.
E essa tendência deve permanecer nos próximos anos, não somente por imposição de restrições legais, mas principalmente, porque os produtores brasileiros entendem a importância de preservar o meio ambiente.
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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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