Agro Notícias
Embrapa lança variedade de soja resistente e nematóide e ‘promissora no Mato Grosso’
A Embrapa lançou, semana passada, duas cultivares de soja de alto potencial produtivo e com resistência a nematoides de galha (BRS 7481) e ao nematoide do cisto (BRS 7581RR). As cultivares têm ciclo precoce e são adaptadas a regiões produtoras do Brasil Central. Participaram do lançamento pesquisadores, técnicos e produtores. O pesquisador André Ferreira, da Embrapa Cerrados, apresentou as características das novas cultivares. “São tecnologias que primeiro trazem produtividade, depois as demais características. Estamos preocupados com os problemas enfrentados pelos produtores ao longo da safra e com a entrega de materiais que garantam a sustentabilidade”, disse.
Ele lembrou que a empresa se preocupa com a relação direta com os parceiros e produtores, que trazem as demandas do setor produtivo. “Existe uma via de mão dupla, em que técnicos e produtores estão envolvidos no processo, gerando conhecimento”, afirmou. Desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Fundação Cerrados e a Fundação Bahia, a cultivar BRS 7481 atende ao nicho de mercado de soja convencional. Tem tipo de crescimento indeterminado, porte ereto e resistência ao acamamento.
O material precoce (grupo de maturação 7.4) para a região de indicação (ciclo médio de 100 a 110 dias) agrega produtividade e resistência aos dois nematoides de galhas (Meloidogyne incognita e M. javanica). Pode ser usado no sistema produtivo com sucessão de culturas em regiões cujos solos têm histórico de problemas com esses nematoides.
A população de plantas recomendada é de 220 mil a 260 mil plantas/ha. A produtividade alcançou 80sc/ha em uma propriedade do município de Guarda-Mor (MG). Por ser uma cultivar convencional, pode receber prêmios no preço de comercialização dos grãos nos mercados de Soja Livre. A cultivar é indicada para as regiões edafoclimáticas de adaptação REC 301 (GO e MS), REC 304 (DF e GO), REC 401 (GO e MT) e REC 402 (MT).
Eduardo Vaz, coordenador administrativo do Instituto Soja Livre, também parceiro da Embrapa, lembrou que os custos com a soja convencional pode ser até 4% maior, mas os prêmios já chegaram a US$ 5 por saca. “A cultivar com certeza é promissora no Mato Grosso, uma vez que os materiais testados aqui costumam ir bem lá”, apostou, acrescentando que a área plantada com materiais convencionais no Estado representa 1 milhão de hectares ou 11% do total plantado com soja.
As sementes estão disponíveis nas revendas das empresas licenciadas das fundações – acesse: http://fundacaocerrados.com.br/licenciados/ e http://fundacaoba.com.br/cultivares-de-soja/.
Já a BRS 7581RR, desenvolvida em parceria com a Fundação Cerrados, é uma planta de arquitetura moderna e porte ereto, com hábito de crescimento indeterminado e precocidade (grupo de maturação 7.5), com ciclo médio de 85 a 117 dias. Tem resistência a quatro raças (1, 3, 5 e 14) do nematoide do cisto (Heterodera glycines), sendo indicada para uso em sistemas produtivos com sucessão de culturas em áreas contaminadas ou com risco de entrada do patógeno. Além disso, viabiliza a segunda safra. É uma cultivar RR que pode ser plantada como refúgio para cultivares com a tecnologia Intacta e ciclo semelhante.
Segundo André Ferreira, foram relatados elevados tetos produtivos, acima de 70 sc/ha. Na competição de cultivares da Agrobrasília da última safra, a cultivar alcançou produtividade de 73,25 sc/ha. A população de plantas recomendada é de 220 mil a 260 mil plantas/ha. A cultivar é indicada para as regiões edafoclimáticas de adaptação REC 301 (GO e MS), REC 303 (GO e MG), REC 304 (GO e MT), REC 401 (GO e MT) e REC 402 (MT). As sementes são comercializadas pela empresas licenciadas da Fundação Cerrados.
O secretário de Inovação e Negócios da Embrapa, Sebastião Pedro Neto, lembrou que os custos de produção de grãos estão cada vez mais altos, os preços estão estabilizados e a rentabilidade cada vez menor. “Conseguimos trazer um material convencional que permite ao agricultor trabalhar numa linha alternativa (soja livre de transgenia), capturando prêmios, manejando nematoides e não pagando royalties. É um dinheiro que fica aqui”, frisou. Sobre a BRS 7581RR, ele explicou que o produtor já não paga royalties por um evento de transgenia que ainda funciona (resistência ao herbicida glifosato). “Isso dá ao agricultor alternativas de sustentabilidade, principalmente em termos de custo. E apesar do custo menor, esses materiais têm valor genético”, observou. Neto também comentou o caráter “quase participativo” do programa de melhoramento genético de soja da Embrapa: “Ao fazermos os testes nas fazendas dos produtores parceiros, eles nos ajudam a definir os materiais. Com este lançamento, estamos cumprindo parte da nossa missão, entregando soluções tecnológicas, no caso, cultivares de soja”, declarou.
Só Notícias
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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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