Agro Notícias
Diplomatas conhecem sistemas produtivos integrados no último dia do AgroBrazil
Sinop-MT (01/04/2022) – Durante quatro dias, a comitiva com representantes das 11 delegações estrangeiras participantes do Programa de Intercâmbio AgroBrazil conheceu a produção agropecuária de Mato Grosso aliada à tecnologia e à sustentabilidade. A missão técnica foi organizada pela CNA e pela Famato.
O encerramento da missão ocorreu na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agrossilvipastoril em Sinop, na quinta (31), com uma programação voltada aos sistemas produtivos integrados de baixo carbono.
A comitiva visitou as instalações do centro de pesquisa, laboratórios e vitrines tecnológicas de consórcio de lavouras e Sistemas AgroFlorestais, áreas de restauração de Reserva Legal, além de conhecer o maior experimento de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF) do país.

Os pesquisadores ainda mostraram o experimento de plantação de dendê no bioma Amazônia.
O vice-presidente de Relações Internacionais da CNA e presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, afirmou que a viagem técnica mostrou o alto nível de produção e eficiência de Mato Grosso.
“Nós estamos atingindo os nossos objetivos para mostrar a pujança da agropecuária de Mato Grosso.
As tecnologias geradas pela Embrapa permitiram o avanço e a qualidade da agricultura existente no Brasil.“
“As pesquisas têm objetivos estratégicos para gerar incremento da produtividade e da sustentabilidade da produção agropecuária. O produtor que opta por adotar as tecnologias de baixa emissão de carbono tem benefícios econômicos e ambientais”, destacou a chefe-geral da unidade da Embrapa, Laurimar Vendrusculo.

Após uma pausa de dois anos na execução do Programa Agrobrazil em razão da pandemia, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, falou da importância da missão técnica.
“Os diplomatas conheceram sistemas produtivos diversos e finalizaram a programação focada na pesquisa agropecuária. A visita à Embrapa, em Sinop, mostrou porque o Brasil deu um salto em produtividade e sustentabilidade ambiental. O estreitamento com representantes de importantes parceiros comerciais e outros que têm alto potencial é importante para mostrar a realidade do agro brasileiro”, destacou Sueme.
Toda a programação do AgroBrazil foi acompanhada pelo presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli e pela assessora técnica de Relações Internacionais da CNA, Rita Padilha.

Com a palavra, os diplomatas:
Elisa Nieto, adida agricola da Embaixada da Espanha:
“Somos privilegiados por conhecer as culturas mais importantes de Mato Grosso. É interessante ver a coragem dos produtores rurais. O Brasil está aumentando a produtividade graças ao uso da tecnologia desenvolvida pela Embrapa. Eu acho muito importante transmitir isso ao mundo”
Vicente Damian Taberner, Primeiro Conselheiro da Embaixada da União Europeia:
“Foi muito interessante ver in loco o desenvolvimento da agricultura em Mato Grosso; ter o contato com os produtores e saber de todo o esforço que existe por trás de todo o desenvolvimento. O diálogo e essa experiência são importantes para conhecer o que de fato está acontecendo”.
Roland Walter Mohr, Conselheiro Agrícola da Embaixada da Alemanha
“Esse sistema integrado é uma forma de maximizar a produção de alimentos. É bom para o solo, para o melhor desempenho dos animais, para os recursos hídricos e para o meio ambiente. Fiquei bem impressionado de estar aqui nessa experiência”.
Participaram dessa missão técnica, diplomatas da Alemanha, Austrália, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Índia, Indonésia, Malásia, Países Baixos, Singapura e União Europeia.
Veja como foram os dias anteriores da missão:
1º dia: CNA e Famato iniciam missão AgroBrazil em Mato Grosso
2º dia: Missão AgroBrazil apresenta inovação tecnológica na agropecuária
3º dia: Diplomatas conhecem sistemas produtivos sustentáveis e eficientes em Campo Verde (MT)
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Fotos: Wenderson Araujo
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Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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