Agro Notícias
Conheça o “Programa Empresário Rural” do sistema FAESP/SENAR-SP

Ter consciência sobre o que é ser um empreendedor e os conhecimentos necessários para administrar suas terras são características fundamentais para trilhar um caminho de sucesso, qualquer que seja a atividade – e com propriedades rurais não é diferente. Para dar suporte ao produtor do campo que necessita de orientações para aperfeiçoar sua condução nos negócios, o sistema FAESP/SENAR-SP oferece o Programa Empresário Rural (PROER), um extenso e completo Programa dividido em 10 módulos que proporciona um olhar corporativo sobre um empreendimento, contribuindo com o diagnostico estratégico, análise de resultados, planejamento e a elaboração de projetos, sendo o investimento de capital como “eixo” principal para consolidar o conhecimento da gestão do agronegócio moderno, buscando obter resultados positivos.
Ao desenvolver suas competências, melhorando a qualidade da administração, o produtor rural pode aumentar seus rendimentos e suas perspectivas de vida pessoal e profissional. Uma propriedade pode se transformar em uma empresa com alta rentabilidade desde que haja um forte controle de custos e uma boa visão, por exemplo, dos melhores momentos para se comprar insumos e vender seus produtos. É este conjunto de competências que é ensinado durante o Programa.
Dentre os temas abordados, o aluno aprende a utilizar e valorizar com mais eficiência todos os ativos necessários a um empreendimento, como o capitais humano (colaboradores e trabalhadores), natural (os recursos naturais disponibilizados pela natureza, presentes na propriedade) e físico (equipamentos e estruturas empregados na produção). A legislação relacionada à produção agropecuária – ambiental, tributária, trabalhista, previdenciária e agrária – também é um tema relevante para os participantes do PROER.
Mais de 30 pessoas que moram no assentamento Santa Zélia, da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), em Teodoro Sampaio, participaram do encontro de Sensibilização – uma reunião com interessados para apresentar os temas que serão estudados durante o PROER – Programa Empresário Rural. Ailton Nonato, coordenador do Sindicato Rural de Presidente Epitácio (que atua nos municípios de Teodoro Sampaio e Pindorama) acredita que cerca de 70% deles vão confirmar a participação, e a notícia está se espalhando, despertando interesse também em outras pessoas. Ailton acredita que a capacitação profissional para esse público vai ajudar muito na melhoria das suas atividades. Segundo ele, é um desafio ter de controlar esse balanço entre os gastos e os rendimentos. “O pequeno produtor não se apega muito ao controle financeiro e alguns dos participantes se assustaram porque vão precisar trabalhar com calculadora. Usando como exemplo a região aqui, que é forte na pecuária leiteira, quando esse criador vai vender, mesmo que seja só um litro de leite, ele precisa saber quanto teve de custos para praticar um preço que dê lucro real”, explica.
Ainda dá tempo de se inscrever para o PROER em Teodoro Sampaio e nos municípios de Birigui, Mogi das Cruzes, Botucatu, São José dos Campos, Ibirarema, Cerquilho, Presidente Venceslau e Guapiara – o Programa vai até outubro. Irene Elias de Souza Martins, de 54 anos, participou da Sensibilização e imediatamente se inscreveu para participar. Ela tem sua própria produção de pecuária leiteira, que é sua principal atividade a maior parte do ano. Também trabalha com gado de corte e tem uma pequena plantação de coco. Tudo é feito sem muito planejamento e ela quer justamente aprender a organizar melhor os diferentes setores. “O que eu busco é me qualificar melhor para aprimorar a qualidade da produção, além de poder comprar insumos com mais qualidade e menor preço”, declara.
O coordenador do Sindicato Rural de Presidente Epitácio reforça a importância do PROER e de outros cursos do SENAR/SP – todos são gratuitos – para muitos que vivem em assentamentos e que não acham importante valorizar “esse ou aquele tostão”, como ele mesmo diz. “Se esse produtor não for ‘cutucado’, ele fica acomodado e não cria condições de crescer”, destaca Ailton. Ele acompanha de perto os que já se inscreveram e notou que todos eles estão otimistas com esse desafio, porque sabem que o resultado será bastante positivo. “O PROER é muito importante ao mostrar se esse produtor está preparado ou não para o segmento que escolheu. Porque pode acontecer dele não estar tendo resultado positivo, por não ter a capacitação ou a qualificação necessárias. Por isso é importante esse diagnóstico feito durante o curso, para que ele decida se é o caso até de mudar de atividade”, aponta.
Irene diz que tem um conhecimento “mais ou menos” sobre como administrar sua produção, mas espera aprender ainda mais. “Eu planejo do meu jeito, por isso estou buscando aprender a me planejar melhor, porque às vezes faço uma programação de gastos e as contas muitas vezes não batem. Quero aprender a fazer investimentos melhores, comprando a quantidade certa de insumos, para não haver falta e nem desperdício. Ganhar uma visão mais ampla, ter uma noção melhor do mercado, dos consumidores, de como trabalhar com distribuidores.
Somente uma administração eficiente trará o sucesso de qualquer empreendimento. O PROER – Programa Empresário Rural tem como objetivo levar o Produtor Rural a ter essa visão empresarial, dentro da visão estruturada do diagnóstico da Empresa Rural, do Planejamento Estratégico e da Organização de projetos de investimentos para melhorar a utilização dos fatores econômicos e proporcionar um aumento da eficiência técnica, econômica e assim aumentar a rentabilidade da Empresa Rural e consequentemente os seus benefícios.
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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