Agro Notícias
China pode sustentar preços do milho até final do ano
A demanda de exportação de milho esfriou um pouco esta semana, mas ainda está latente. Diríamos que migrou dos portos do Sul (RS e SC) para os portos do Sudeste e do Norte do país, como mostram volumes dos negócios mais robustos. Esta é a avaliação da T&F Consultoria Agroeconômica, ao apontar que a demanda chinesa pode sustentar preços do milho até final do ano.
A longa queda consecutiva dos preços das últimas duas semanas foi interrompida nos dois últimos dias desta semana devido aos grandes volumes comercializados no Centro-Oeste do País, que afetou o diferido negociado em São Paulo. Com isto, a pesquisa diária do Cepea registrou alta de 0,13% nos preços médios da principal praça de referência do país, Campinas, cuja demanda absorve o milho local e o milho tributado do Centro-Oeste. O preço subiu para R$ 37,49, reduzindo as perdas de março para 8,69%.
“A atual demanda de exportação poderá confirmar os números da Conab e dar sustentação aos preços. Uma leve sustentação, diríamos, mas, é possível que os preços do milho não caiam aos níveis tão baixos quanto se pensava inicialmente, no segundo semestre, se a produção da Safrinha for próxima das condições ideais”, explica o analista Luiz Fernando Pacheco, da T&F.
A Conab sustentou desde o início um volume de exportação de milho pelo Brasil ao redor de 31 milhões de toneladas para a safra 2018/19, contra 23 milhões de toneladas exportadas no ano passado. No início do ano não havia a expectativa de uma grande demanda no mercado internacional, embora a maioria dos traders afirmasse que “mercado há”, mas o Brasil não era exatamente competitivo.
“Com o advento da peste suína na China, e a consequente demanda por mais milho para refazer os plantéis que tiveram que ser sacrificados, voltou com força a demanda de milho para a exportação, desde o início de março. Primeiro foi para os portos de Rio Grande-RS e Imbituba-SC, devido aos fretes mais acessíveis. Mas nesta semana ela se voltou para o Paraná e o Centro-Oeste, com bons volumes negociados”, destaca Pacheco.
“Para esta demanda elevar muito os preços (digamos aos níveis de maio de 2018 a R$ 42,00 no interior), precisaria ser (bem) maior do que simplesmente as 31 MT já previstas e precificadas pelo mercado, porque os estoques finais da safra 2018/19 no Brasil foram aumentados em 1,5 milhão de toneladas pela Conab, no seu quadro de Oferta & Demanda de março. Assim, diríamos que as exportações deveriam beirar as 33 MT para puxar significativamente os preços para cima”, conclui.
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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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